terça-feira, 24 de novembro de 2009

Aldo Moro, Battisti e o “compromisso histórico”

Castor:

O texto do Mauro é de uma rara precisão histórica sobre importante momento, que centraliza o debate nas esquerdas - a ação "radical" QUE NÃO É e a negocial, da discussão parlamentar e do etapismo, do entendimento, da aceitação. A questão é paradigmática, estive dois dois lados já com 16 anos - quando fundamos o GELA/Grupo Explosão Latino Americana, associação de estudos e ação à equerda do movimento de então. O racha ainda não se havia dado. O Pardal fala em seu livro sobre o camarada Cebola de uma passagem do grupo. O estado burguês levou essa, na ação das Brigadas "Vermelhas". Pois sim, eram brancas, nem rosadas socialistas eram, muito menos "rabanetes" anarquistas vermelho-rubro.

É certo que já liamos Leon Trotsky e toda aquela dramática história da picareta de neve na nuca do Leon fugido de Stalin no México. Liamos Deuscher, seu biógrafo. Associavamos anarquistas, defendiamos a Linha Chinesa, cultuavamos Mao. Não tenho dificuldades para avaliar a questão e, em nome do progresso popular, fazer a assertiva de que um revolucionário apoia até festinha de escola para promover a expansão ideológica científica marxista-leninista em termos de consciência popular.

A consciência preconizada de vanguardas ampliadas até a incorporação da plenitude das gentes há de rasgar os privilégios e o aparelho estatal-militar burguês e libertar os seres humanos na sua marcha final ao comunismo. Isto é inexorável. Porém, os estágios são inevitáveis e devemos nos adaptar DESDE QUE NÃO PERCAMOS DE VISTA A FRAGILIDADE DAS ESTRUTURAS MONTADAS SOBRE O HOMEM, QUE O OPRIMEM E CERCEIAM. Matar Moro foi uma gagada. Em momento nenhum atrazaremos o processo, ah, isso não! Assim analisamos hoje, talvez na época diferentemente. Brigadas, Anselmo e quetais bloqueiam a estrada mas não impedem o caminho. É isso.

Paulo Matos
Jornalista, Historiador pós-graduado e Bacharel em Direito
E-mail: jornalistapaulomatos@yahoo.com.br
Twitter: http://twitter.com/jorpaulomatos
Fone 13-38771292 - 97014788


JORNAL DO BRASIL
Aldo Moro, Battisti e o “compromisso histórico”
20/11/2009 - 00:16
Por Mauro Santayana

O caso Battisti evoca trágica experiência política do século passado. Os episódios de 1978, que causaram a morte de Aldo Moro, ocorreram diante da insanidade dos extremos e da incapacidade de as elites se reunirem no centro político, que Berliguer e Moro propunham com o seu Compromisso Histórico.

Moro era um católico que estava à esquerda de De Gasperi e de Giulio Andreotti, próximo de pensadores franceses identificados na esquerda, como Jacques Maritain – que provavelmente conhecera, quando o filósofo tomista fora embaixador junto ao Vaticano, entre 1945 e 1948. Ele temia que o confronto ideológico, no movimento católico, impedisse o governo de centro na jovem República italiana. Como líder de sua corrente – a dos “doroteanos” – que dispunha de ponderável votação, Moro participou dos governos democrata-cristãos até 1976, quando a ala direita se impôs com a entrega do governo a Giulio Andreotti, seu principal adversário. Entre 1976 e 1978, Moro articulou a retomada do entendimento entre os comunistas e os democrata-cristãos em busca de uma saída histórica, proposta por Enrico Berlinguer em 1973. O entendimento era combatido com vigor por Andreotti, pelo Vaticano, pela Máfia e pelos Estados Unidos.

Havia 12 anos que, com a criação da República, e o confronto entre as duas correntes partidárias, sob a influência das duas superpotências, a Itália estivera à margem da guerra civil. Em 1978 – com a reabilitação do pensamento de Gramsci, e dez anos depois da invasão de Praga, que eles combateram – os comunistas italianos já estavam muito mais distantes dos soviéticos na construção do diálogo com os cristãos e do eurocomunismo. A situação estava madura para que a Itália se livrasse dos efeitos da Guerra Fria e buscasse um projeto nacional de desenvolvimento e de presença mais forte na Comunidade Europeia que se formava. Nos meses que antecedem o sequestro e a morte de Aldo Moro surge o estranho movimento das Brigadas Vermelhas. O grupo, conforme voz corrente, era liderado pela chefia misteriosa de um Gran Vecchio. Embora, na época, Andreotti não tivesse ainda 60 anos (nascera em 1919), seu porte encurvado dava-lhe aparência bem mais idosa. Há indícios de que as Brigadas teriam sido criadas por Andreotti, com a ajuda da Máfia, da CIA e dos serviços secretos italianos a fim de impedir, com atos de terrorismo, o “Compromesso Storico”, de centro-esquerda. Dele foi aliado intransigente Francesco Cossiga, hoje irado defensor da extradição de Battisti.

A quem, realmente, serviam as Brigadas Vermelhas, que seguiam, na retórica política, a Rote Armee Fraktion, do grupo Baaden-Meinhof da Alemanha? Sabe-se, pelo relato dos sequestradores de Moro, que os dois grupos se encontraram algumas vezes em Paris, mas os italianos tinham meta precisa: combater o entendimento entre comunistas e os democrata-cristãos de Moro. Qualquer amador em política poderia deduzir que o sequestro de Moro, por um grupo que se apresentava como de esquerda, seria um grande trunfo para a direita. É sempre bom lembrar o exemplo do agente cabo Anselmo, aqui no Brasil. Os brigadistas queriam a liberdade de 13 dos seus, em troca da vida de Moro. Cossiga e Andreotti a isso se opuseram, apesar dos apelos dramáticos do ex-primeiro-ministro ao governo e até do papa Paulo VI, de quem era amigo pessoal.

Battisti pertencia a um grupo à margem das Brigadas Vermelhas, mas a serviço do mesmo objetivo. É provável que esse grupo fosse constituído de fanáticos, que agiam sem outras ligações, ou de simples inocentes úteis, recrutados pelos seguidores de Gran Vecchio. Em qualquer caso, foi instrumento de interesses muito maiores do que ele, muito maiores do que os do pequeno bando de alucinados de que fazia parte. Com seus vagos ideais aos 22 anos, ou cooptado pelos agentes da direita, dissimulados como de esquerda, o que é comum, é um homem acabado, condenado à prisão perpétua e à privação do sol. É provável que o presidente Lula esteja informado dessas circunstâncias históricas, na hora de decidir o destino de Battisti.

Em tempo: Andreotti foi condenado, em 2002, a 24 anos de prisão por ter, em associação com a Máfia, mandado matar o jornalista Mino Pecorelli, que iria publicar documentos provando seu envolvimento no assassinato de Moro. Tendo em vista sua idade, a Suprema Corte livrou-o da cadeia.


Jornal do Brasil
Extradição: ato de soberania
Dalmo Dallari,

RIO - A concessão da extradição de um estrangeiro que se encontre no território brasileiro, para atender a um pedido formulado pelo governo de um Estado estrangeiro, é um ato de soberania do Estado brasileiro, que deve ser praticado com absoluta independência e tendo por base jurídica superior às disposições da Constituição brasileira. Evidentemente, devem ser levados em conta, na decisão do pedido, os compromissos assumidos pelo Brasil, tanto por meio de adesão a documentos internacionais como pela assinatura de tratados, mas o atendimento de tais compromissos não tem prioridade sobre a obrigação jurídica de respeitar e aplicar a Constituição brasileira. Agradar ou desagradar ao governo solicitante da extradição é um dado secundário no exame das disposições constitucionais, não devendo ter qualquer peso na decisão de conceder ou não a extradição.

Tudo isso deve ser levado em conta na decisão que será tomada pelo presidente da República relativamente ao pedido de extradição do italiano Cesare Battisti, formulado pelo governo da Itália. Na última sessão do Supremo Tribunal Federal, que tratou da questão, foram tomadas duas decisões fundamentais. A primeira reconhecendo a legalidade formal do pedido de extradição, ficando assim afastada a hipótese da existência de alguma ilegalidade que impedisse a apreciação do pedido. A Lei número 6.815, de 1980, que dispõe sobre a situação jurídica do estrangeiro no Brasil, diz no artigo 83 que nenhuma extradição será concedida sem prévio pronunciamento do plenário do Supremo Tribunal Federal sobre a legalidade do pedido. Como bem assinalou a eminente ministra Carmen Lúcia, o pedido de extradição começa e termina no Poder Executivo mas passa obrigatoriamente pelo Supremo Tribunal Federal, que, no desempenho de sua função precípua, que é a guarda da Constituição, verifica previamente se estão satisfeitos os requisitos legais. Essa decisão não é terminativa, não resolve se o pedido de extradição será ou não atendido, mas é de extrema importância para salvaguarda da Constituição e dos direitos que ela assegura.

A segunda decisão do Supremo Tribunal Federal foi no sentido de reconhecer que a palavra final sobre o pedido de extradição cabe ao presidente da República. É importante assinalar que o Supremo Tribunal Federal não determinou, nem poderia fazê-lo, que o presidente conceda ou não a extradição. Em termos constitucionais, a decisão sobre essa matéria enquadra-se no âmbito das relações internacionais do Brasil. E a Constituição é bem clara e objetiva quando estabelece, no artigo 84, que “compete privativamente ao presidente da República manter relações com Estados estrangeiros”. Diariamente os jornais brasileiros dão notícia de encontros, negociações e decisões no âmbito internacional, nas mais diversas áreas de atividades, como a economia, o meio ambiente, a proteção da saúde, o respeito aos direitos humanos e muitas outras questões que se colocam no relacionamento entre os Estados. E em todos esses casos o Brasil é representado pelo Poder Executivo, que tem na chefia suprema o presidente da República, a quem compete, privativamente, manter relações com Estados estrangeiros. Assim, pois, já tendo o reconhecimento da inexistência de ilegalidades, por força da decisão do Supremo Tribunal Federal, cabe ao presidente da República fazer a avaliação do conjunto de circunstâncias que cercam o pedido de extradição, levando em conta, sobretudo, as disposições da Constituição brasileira.

No caso em questão, em que o governo italiano pede a extradição de Cesare Batistti, existe um ponto essencial: os crimes de que Battisti foi acusado já foram qualificados anteriormente, pelo governo italiano, como crimes políticos. Com efeito, numa das ações do grupo a que pertencia Battisti foi morto um homem, Torregianni, e seu filho, que se achava no local, foi gravemente ferido, sendo obrigado, desde então, a locomover-se em cadeira de rodas. Um dado fundamental é que, desde então, o governo italiano vem pagando pensão mensal ao jovem Torregianni, por reconhecer que ele foi vítima de crime político. A legislação italiana prevê esse pensionamento somente para vítimas de crime político, excluídas as vítimas de crime comum.

E nos termos expressos do artigo 5º, inciso 52, da Constituição, “não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião”. Como fica evidente, o Presidente da República deverá decidir se concede ou não a extradição de Cesare Battisti, mas sua decisão não poderá ser arbitrária, devendo ser consideradas, obrigatoriamente, as disposições da Constituição brasileira. O fato de existir um tratado de extradição assinado pelos governos do Brasil e da Itália não se sobrepõe à Constituição, não tendo qualquer fundamento jurídico uma eventual pretensão do governo italiano de fazer prevalescer o tratado sobre a Constituição. Ao que tudo indica, deverá ser essa a decisão do presidente da República, que terá perfeito embasamento constitucional. Obviamente, essa decisão irá desagradar ao governo italiano, podendo-se esperar uma enxurrada de ofensas grosseiras ao Brasil e ao seu governo, como já ocorreu anteriormente, quando se anunciou que o pedido de extradição dependia de exame do Supremo Tribunal Federal e de posterior decisão do chefe do Executivo. Mas a decisão de negar a extradição não terá qualquer consequência jurídica negativa para o Brasil, que, pura e simplesmente, terá tomado uma decisão soberana, no quadro normal das nações civilizadas, regidas pelo direito.

Dalmo Dallari é professor e jurista.
23:29 - 19/11/2009

GAZA E PARISI

GAZA E PARISI


Paulo Matos (*)

Os israelenses apreenderam com os teratogenicos de Cubatão, cuja poluição maior do mundo, descrita em meu livro inédito "A tragédia de Vila Parisi", incluia este tal de fósforo branco, ocasionando as mal-formações congênitas. Era também uma guerra interna, só que de classe, igualmente na dispua de área cobiçada pelas empresas. Era a área de Vila Parisi, um antigo sítio de bananais, loteado em 1956 pelos irmãos Celso e Eládio Parisi - onde chegaram a morar 15 mil pessoas, que vieram do nordeste atrás dos empregos da COSIPA ao lado. Foi extinta em 1992. E Gaza, quando?

(*) Paulo Matos - Jornalista, Historiador pós-graduado e Bacharel em Direito
E-mail: jornalistapaulomatos@yahoo.com.br
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Gaza: um campo de lento extermínio?


Thabet el Masri é diretor da unidade de terapia intensiva do Hospital Shifa, um hospital público da Faixa de Gaza. Em junho deste ano, começou a ficar preocupado com o aumento do número de bebês nascidos com malformações.

Por Silvia Cattori

Entrevistado pela jornalista italiana Silvia Cattori, falou sobre o aumento do número de crianças nascidas com malformações na região, cuja causa deve-se ao bloqueio israelense e às repetidas destruições da infra-estrutura palestina na região pelos israelenses com o uso, inclusive, de armas com fósforo branco..

Leia abaixo a entrevista do médico palestino, reproduzida do site Informação Alternativa:

Estamos interessados em conhecer o resultado do estudo realizado sobre este inquietante fenômeno e queremos saber qual a sua avaliação médica. Pode dar-nos informação sobre o relatório de anomalias congênitas pré-natais e pós-natais constatadas passados dez meses dos ataques sobre Gaza, em termos de número de casos ocorridos e em comparação com os dados de 2008?

Sim, pois eu segui, de forma contínua, o fenômeno do nascimento de bebês com malformação congênita. Registei o número de bebês nascidos com malformações congênitas em julho, em agosto e em setembro de 2009. Comparei estes dados com os números dos mesmos meses do ano de 2008. Eis os resultados: em julho de 2009, houve no Hospital Shifa 15 casos desse tipo, contra 10 em 2008; em agosto de 2009, houve 20 casos, contra 10 em 2008; em setembro de 2009, 15 bebês nasceram malformados, contra 11 em 2008. O número médio de nascimentos no Hospital Shifa é cerca de 1100 por mês [1].

– Conhecido o relatório, causou muita emoção e inquietude. Imediatamente, muita gente atribuiu o aumento de malformações nos fetos abortados e nos recém-nascidos à utilização, pelo exército israelense, de obuses de fósforo branco. Será assim?

Supomos que sim, mas não podemos confirmar que a utilização de armas químicas por Israel causou este aumento de malformações congênitas.

– Os bebês atingidos por malformações congênitas são todos originários de populações vivendo em campos de refugiados, populações particularmente submetidas a bombardeamentos israelenses? De que zonas são as mães?

Os bebês portadores de malformações congênitas vêm de todo o lado da Faixa de Gaza. Todavia, metade das mulheres que deram à luz bebês com malformações são originárias do campo de refugiados de Jabaliya.

– Na atual situação, que pode fazer para sossegar as mulheres grávidas que estão neste momento muito ansiosas?

Efetivamente, nada. Não há nada que possamos fazer para garantir que os seus bebês serão normais. Como poderíamos nós impedir a presença de substâncias químicas que podem causar defeitos de nascença?

– Há em Gaza embriologistas capacitados para fazer testes genéticos?

Infelizmente, não estamos equipados para fazer testes genéticos para saber se as anomalias congênitas são devidas a fatores genéticos ou a substâncias químicas. No fim de contas, trata-se de um problema genético e as substâncias químicas podem muito bem ser responsáveis por estas mutações.

– Que é feito dos investigadores internacionais que em 2006 recolheram amostras para serem testadas em laboratórios europeus? Houve resultados?

Esse é um grande problema! Se os fatores químicos são responsáveis, isso é muito difícil de provar. Como provar que são os produtos químicos que estão na origem das mutações? Como provar que os israelenses utilizaram substâncias interditas?

– Compreendemos que, enquanto médico, o doutor esteja muito preocupado e que, na atual situação desesperada, tenha necessidade de uma ajuda internacional…

Sim. Gostaria de sugerir algo que pudesse ajudar-nos, sem esgotar os nossos limitados recursos financeiros no domínio da pesquisa genética, que precisa de verbas avultadas. Dito de uma forma directa: seria extremamente útil convencer os israelenses a não voltarem a usar armas químicas como fizeram no Inverno passado.

– Que tipos de patologias tem observado nos bebês nascidos este Verão? Pode dar-nos exemplos de defeitos de nascença que constatou nesses bebês?

Verificamos problemas do sistema nervoso central, hidrocefalia e anencefalia, e ainda outro tipo de malformações como cardiopatias congênitas e obstruções do tubo digestivo. Os problemas renais são muito frequentes. As malformações visíveis são raras; os problemas são geralmente internos. Está a ver que problemas temos pela frente! As mães ficam sem defesa, nós nem temos resposta para as suas inquietações. Elas sabem que estamos sós nesta situação. Só lhes resta rezar!

– Não tem contatos com o exterior?

Não temos absolutamente nenhum contato com o exterior. Dei-lhe uma visão geral do problema principal. Como lhe disse, há uma probabilidade de que as substâncias químicas possam ser uma das causas da tendência de aumento de defeitos de nascença, pois estes aumentaram desde o assalto bélico de dezembro e janeiro passados. Contudo, esta conclusão é impossível de provar.

– Muito obrigada.

Tradução da versão francesa retirada de Todos por Gaza
A versão original, em inglês, encontra-se aqui.

[1] Em Julho de 2006, num artigo sobre as consequências da ofensiva israelense de junho de 2006 que atingiu a principal central de energia de Gaza, que alimenta a maioria da Faixa de Gaza, incluindo o fornecimento de energia aos hospitais de Gaza, ao aparato de abastecimento de água e de tratamento de esgotos, o doutor Thabet El Masri tinha enfatizado o impacto de uma potencial falha de energia no hospital:

"O doutor Thabet al-Masri, o chefe da unidade do hospital para bebês prematuros, explicou que há 33 bebês que exigem incubadoras para fornecer o equilíbrio muito sensível de humidade, temperatura e oxigénio essencial para o seu desenvolvimento. Normalmente, observou, o número de nascimentos prematuros é de 50-60%, mas talvez como resultado de ansiedade por causa do cerco de Israel, atualmente o número está próximo de 70%. Al-Masri enfatizou que a natureza do trabalho dentro da seção “premiê” é tal que não há meias-soluções. As vidas destes bebês estão dependentes do constante fluxo de eletricidade."

Fonte: Informação Alternativa

Jorge Risquet – A África é uma dívida histórica

Jorge Risquet – A África é uma dívida histórica

Por Elaine Tavares – jornalista no IELA

Fazia um calor sufocante no solar onde viviam Jorge, os pais e quatro irmãos - outros três já tinham morrido de doenças infantis hoje já desaparecidas em Cuba e perfeitamente curáveis - em Havana. A grande casa tinha 24 quartos e em cada um deles, sem banheiro, vivia uma família. Era gente demais, todos muito pobres, a maioria trabalhadores de diversos ofícios, alguns informais. O pai de Jorge trabalhava numa “tabaquera”, empresa de fabricação do charuto cubano. Mas foi essa babel que possibilitou ao menino de 11 anos começar a vida de professor, ganhando, inclusive, o suficiente para pagar o quarto onde morava a família toda. “Nós estávamos sempre nos mudando porque meus pais não conseguiam pagar os aluguéis”. Então, para ajudar nas despesas Jorge e a irmã improvisaram uma lousa no pequeno quarto onde viviam e ensinavam os demais garotos do solar que não podiam ir à escola, porque era longe e eles não tinha sequer um sapato para usar. Cobravam alguns trocados, mas com isso garantiam o aluguel.

O menino era Jorge Risquet Valdés, que mais tarde veio a ser um dos organizadores da educação na guerrilha cubana e um dos comandantes da campanha de Cuba na África, nos anos 60. Naqueles dias, ele, que era um dos melhores alunos da escola fundamental, já estava apto para passar ao ensino médio. Mas, para estudar na Cuba pré-revolucionária, era preciso ter dinheiro. Sem chance, ele, então com 13 anos, foi buscar os cursos oferecidos gratuitamente pela Juventude Revolucionária Cubana.

Apesar da pouca idade Jorge não era um analfabeto político. Os pais, trabalhadores do tabaco, tinham profunda consciência de classe. É que em Cuba, na produção de charuto era assim: as pessoas ficavam ali, enrolando as folhas, no mais completo silêncio. Por conta disso, os trabalhadores inventaram um bom jeito de se instruir e ficar por dentro da literatura revolucionária. Faziam uma “vaquinha” e contratavam um leitor, alguém que ficava ali, lendo, enquanto todos trabalhavam. “O leitor trazia uma lista de títulos e os trabalhadores escolhiam. Liam Gorki, Vitor Hugo, Cervantes Martí, Tolstoi e muitos outros”.

Pois foi por conta destas leituras que a família Risquet sempre esteve em dia com os temas do mundo. O irmão mais velho de Jorge, inclusive, alistou-se para ir à Espanha lutar contra a ditadura de Franco. Cerca de mil cubanos foram. Então, durante a segunda guerra e o horror nazista, Jorge já estava envolvido até os dentes na organização da juventude revolucionária. Quando em 1944 funda-se em Cuba a Juventude Socialista, Jorge está lá e toma para si a tarefa de organizar os jovens num grande bairro de Havana. No ano seguinte, durante o Congresso Nacional Constituinte da Juventude, ele, com 15 anos, é eleito membro do Comitê Central.

Aos 16 anos de idade Jorge comanda o jornal quinzenal “Mella”, que levava o nome de um grande comunista cubano, e ali ficou até os 20 anos. “Os trabalhadores cubanos sempre foram muito politizados. Para se ter uma idéia, quando Lênin morreu, as tabaqueiras pararam em sua homenagem, e nas guerras de independência do século XIX entregavam dinheiro – um dia de salário por semana – para comprar armas, tarefa que realizava o partido Revolucionário Cubano, fundado por José Martí, para preparar a terceira e última guerra de independência de Cuba. Em 1951, quando acontece o golpe de estado que eleva Batista ao poder, Jorge é um dos que se manifesta contra pelo rádio, na região de Matanzas onde encabeçava a Juventude Socialista e a polícia o persegue. Meses mais tarde vai para o exterior como representante da Juventude Socialista cubana na Federação Mundial da Juventude Democrática. Nesta função ele circula pela América Latina, Europa central e Leste europeu.

É em 1952, em Viena, na Conferência Mundial pelos Direitos da Juventude que Jorge conhece o jovem Raul Castro, então com 21 anos e representando a delegação cubana no evento. Dali eles atravessam a cortina de ferro e seguem para Bucareste, onde iriam organizar o Comitê Preparatório do Festival Mundial da Juventude. Lá ficam de dezembro de 52 a abril de 53. Raul segue para Paris de onde embarca para Cuba com dois guatemaltecos. Mas, o fato de os dois companheiros terem desembarcado cheios de livros “subversivos” fez com todos acabassem presos. Os guatemaltecos logo saíram por intervenção da embaixada do seu país, ainda sob o comando de Jacob Arbenz. Mas Raul ficou. Foi um brilhante jovem advogado quem entrou com um habeas corpus que tirou Raul da cadeia pouco menos de um mês do ataque ao quartel Moncada, que desataria a revolução cubana. O advogado bom de conversa era Fidel Castro. “Por pouco Raul não perde a ação de Moncada”.

Quando acontece Moncada Risquet está Bucareste, justamente nos dias do IV Festival Mundial e já começa a articular uma campanha internacional pela libertação dos prisioneiros, afinal Raul era um membro da juventude e organizador do festival. Foi por aqueles dias de organização de campanhas e festivais que Jorge conhece, em Bucareste, o jovem estudante de medicina Agostinho Neto que mais tarde viria a ser uma das mais importantes lideranças de libertação da África negra. Junto com ele, freqüentando os alojamentos latino-americanos – embora representassem Portugal – iam também a Marcelino dos Santos.

Em 1954 Jorge embarca para Guatemala, onde ia organizar um festival regional de apoio ao processo revolucionário, mas o golpe e a queda de Jacob Arbenz, impede que o mesmo aconteça. É naqueles dias que Risquet conhece Che Guevara, então vivendo no país. “A ditadura na Guatemala foi uma das mais ferozes. Foram 30 anos matando gente, mais de duzentos mil mortos”. Risquet logo sai da Guatemala em setembro de volta para Europa e Che segue para o México, onde encontraria Fidel.

Nos primeiros meses de 1955 Jorge veio para o Brasil, onde tentou organizar um encontro de estudantes no Rio de Janeiro, mas foi espinafrado por Carlos Lacerda. Foi Jânio Quadro, então governador de São Paulo, quem permitiu o festival, que acabou sendo bem pequeno, mas cumprindo com os objetivos.

A guerrilha em Cuba

Todo este trabalho organizativo na juventude comunista desde os 13 anos de idade acabou sendo a porta de entrada de Jorge Risquet para a atuação na luta que se forjava em Cuba. No ano de 1955 ele volta para a ilha clandestinamente e passa a comandar a Juventude de Havana. Por conta de sua atuação acaba preso em dezembro de 56 e chega a ser dado como desaparecido. Nestes dias é brutalmente torturado, tendo as unhas arrancadas, mas não lhe arrancam qualquer informação. Quando consegue sair, volta a atuar clandestinamente organizando a juventude. Depois sai de Cuba, disfarçado, para organizar reuniões com os partidos comunistas no México, Caribe e Venezuela. “A idéia era dar a conhecer sobre Fidel, quem ele era, o que pretendia, e buscar apoio para a luta em Cuba”.

Quando a guerrilha é instalada na Sierra Maestra, logo começa a expandir-se para outras regiões do país. Raul funda então a “segunda frente” e manda buscar Risquet para coordenar a criação de uma Escola de formação. A proposta era tornar os rebeldes sujeitos conscientes sobre contra o quê estavam lutando. “A gente trabalhava no sentido de fazer compreender que o combate era contra o imperialismo. E, naqueles dias, sob o comando da “segunda frente” tínhamos mais de 11 mil quilômetros quadrados de território liberado. As escolas proliferaram”.

Jorge Risquet fez-se então o primeiro formador político do exército rebelde no Oriente e quando a revolução triunfou ocupou o cargo de chefe do Departamento de Cultura do Exército do Oriente publicando revistas e preparando quadros para o governo revolucionário. E assim foi até 1965, organizando, na região oriental, o novo Partido Unido da Revolução, hoje chamado Partido Comunista. Mas, no mês de junho, ele recebe um chamado de Fidel. Diz o comandante que Che Guevara está no Congo, ajudando na luta por libertação, e que precisa de mais uma coluna de combatentes por lá. É quando começa a se formar o batalhão Patrício Lumumba, que seria comandado por Risquet.

A gesta africana

Enquanto Cuba encerrava a luta heróica contra a ditadura de Batista, lá do outro lado do mundo outro povo vivia a tarefa de se libertar das colônias européias. Em 1960, o Congo belga logrou sua independência sob o comando de um jovem negro, Patrice Lumumba. Mas, pouco depois de ser eleito primeiro-ministro e iniciar uma mudança radical no país em busca de melhorias para o povo, Lumumba foi preso, torturado e assassinado depois de um golpe de estado promovido com a ajuda da CIA, dos Estados Unidos. Também em 60 a França concede a independência ao outro lado do Congo, chamado de Congo francês. Mas quem fica na presidência é um vassalo, Folbert Youlou, que governa com mão de ferro até 1963, quando com revolta popular, o governo cai e acontecem eleições. Massemba Debat é eleito presidente. No lado belga, os partidários de Lumumba seguiam lutando contra a ditadura e os acontecimentos na parte francesa acendem esperanças de verdadeira libertação, até então não acontecida.

Em 1964, a região era um caldeirão explosivo. Mercenários brancos chegavam ao Congo belga com o apoio dos Estados Unidos e regressa ao poder Moises Tshombe, um conhecido anticomunista que ajudara na captura e no assassinato de Patrice Lumumba. É quando o governo do Congo francês pede ajuda a Cuba para que mande alguém capaz de treinar o exército local, uma vez que se aproximava a possibilidade de uma guerra entre os dois Congos.

Quem vai à África, em janeiro de 1965 é o próprio Che Guevara, que se encontra com Debat e com o então presidente do Movimento Popular de Libertação de Angola, Agostinho Neto, para ouvir dos dois comandantes como estava a situação. Assim, em abril do mesmo ano, Che retorna com um pelotão de 14 soldados cubanos – que semanas depois seriam 120 - chamado de Coluna Um, e entra na África pela Tanzânia. A proposta é treinar os lumumbistas e também os combatentes da Frente de Libertação de Moçambique. Meses depois, era a vez de embarcar para África a Coluna Dois, esta dirigida por Jorge Risquet, com mais 250 homens. “Nós fomos ajudar militarmente na integridade territorial, na luta contra o colonialismo, contra o racismo, contra o apartheid. Era uma obrigação histórica visto que daquele continente saíram mais de um milhão e 300 mil homens e mulheres, levados para Cuba como escravos. Em Cuba, estávamos começando a organizar nossa própria casa, mas não podíamos deixar de ajudar”.

Poucos anos depois da vitória cubana, o internacionalismo já aparecia como uma marca do novo governo. E foi muito em função desta participação de Cuba nas lutas de libertação africana que o processo revolucionário naquele continente cresceu.. Desde aqueles dias dos anos 60, 380 mil soldados cubanos passaram pela África, além de 100 mil outros colaboradores nas áreas da saúde e educação e outras. Dois mil e setenta e sete cubanos caíram em combate no solo africano e são considerados heróis nacionais. “Nós, em Cuba, não damos o que nos sobra. Compartilhamos o que temos, e assim foi com a África.” Também neste período, mais de 35 mil jovens africanos foram a Cuba estudar, sem qualquer custo. “Nossa contribuição também se dá na formação e assim vamos caminhando junto com a África que está a 10 mil quilômetros de Cuba, mas também está no nosso sangue”.

Jorge Risquet lembra que o internacionalismo é algo que faz parte da consciência do cubano, e não é coisa que ocorre só depois da revolução dos anos 50. Martí já ensinara que “pátria es humanidad”. Por conta disso vão-se encontrar cubanos lutando com Lincoln, pela libertação dos Estados Unidos, com Benito Juarez, pela libertação do México, com Simón Bolívar. “Na guerra do Vietnã mais de 400 mil cubanos se inscreveram, por livre vontade, para lutar junto ao povo daquele país. Só não foram porque os vietnamitas não quiseram. O internacionalismo é uma razão ética e política. Se nós em Cuba logramos ter assistência médica perfeita e educação de altíssima qualidade, por exemplo, é nosso dever levar isso aos irmãos que ainda não têm”.

A participação cubana na África se estendeu do Congo para Angola, onde também foram treinar jovens soldados e ajudar Agostinho Neto na luta contra o domínio português e os mercenários. Depois, nos anos 70, lá estavam outra vez os cubanos, sob o comando de Risquet, com instrutores militares, médicos e professores. “Passado meio século, a gente vê que Cuba esteve esse tempo todo na solidariedade com a África, desde o golpe contra Argélia em 1963, quando mandamos para lá todas as armas apreendida dos estadunidenses durante a fracassada invasão de Playa Girón, e retornamos com 100 crianças órfãs de guerra. Estivemos peleando com o fuzil na mão, mas também com a presença civil de médicos, professores e engenheiros”.

A Cuba de hoje

O povo cubano segue fielmente a lição de Martí, e considera toda humanidade como pátria. Por isso se desdobra em levar seus avanços na ciência e na educação para aqueles que ainda não lograram as vitórias que Cuba já conquistou. Atualmente existem 27 mil cubanos na Venezuela, e outros milhares espalhados por vários países, principalmente no campo da saúde. Seguem três mil em Angola, sendo que 900 são médicos, fazendo a diferença. Não foi à toa que Jorge Risquet recebeu a grata surpresa de ouvir, no auditório da Universidade Federal em Santa Catarina, o depoimento de dois angolanos sobre como haviam sido operados por médicos cubanos e alfabetizados por professores, também de Cuba.

Desde a revolução de 59, mais de 100 mil estudantes de vários países de África, América Latina e Ásia fizeram sua graduação em Cuba, todos com bolsa integral. “Quando tivemos um tempo bem ruim (a partir de 1991 com o desaparecimento da União Soviética e do campo socialista da Europa) nós perguntamos a eles se queriam ficar e dividir a pobreza conosco. Nunca os abandonamos”. Risquet conta que dos 55 países africanos, 54 têm relações com Cuba. Em Havana existem 20 embaixadas de países africanos e Cuba está em 30 deles. Todos estes países sempre votaram contra o bloqueio criminoso que os Estados Unidos tem contra Cuba e há comitês de apoio a Cuba em quase todos os países africanos. A Namíbia, recentemente, enviou dois milhões de dólares em ajuda a Cuba e até o Timor Leste ajudou, depois da passagem de um furacão. “A África sabe o tanto que Cuba lutou pela sua libertação e reconhece isso. Na Etiópia existe um monumento ao soldado cubano e na África do Sul, num outro monumento que recorda os mortos das lutas libertadoras, estão gravados os nomes dos 2.077 cubanos que deram seu sangue pela pátria africana. Outro dia, na Namíbia, o presidente Raul Castro foi recebido pelo povo, que cantava Guantamera (em espanhol). Isso mostra o quanto África ama Cuba”.

Jorge Risquet, que foi o homem de Cuba em toda a campanha militar africana tem agora 79 anos de idade. Desde aqueles dias em que dava aula para os meninos pobres do solar, onde vivia em um quarto apertado, já se vão 68 anos. É tempo demais. Mas, o garoto que correu o mundo a organizar a juventude comunista, que comandou batalhões na grande África, que fundou escolas e jornais, que foi Ministro do Trabalho, Deputado e Membro do Comitê Central do Partido Comunista Cubano, (desde sua criação há 44 anos) segue tão animado quanto naqueles dias gloriosos dos anos 60. Diariamente ele sai cedinho de casa e vai para o trabalho, no gabinete do presidente Raul Castro. É que há tantas coisas ainda para conquistar. Ele olha para a América Latina e vê tantas mudanças, a Venezuela, o Equador, a Bolívia, os povos em luta. E se emociona. “Cuba esteve um tempo sozinha por aqui, mas resistiu. Cuba resistiu a Bush. E vamos seguir acreditando na capacidade do povo de se organizar e conquistar sua liberdade. Veja a América Latina agora, nunca se viu um movimento como este. Mas, sabemos que o inimigo atua, o imperialismo tem planos e pode haver retrocesso. Aí está Honduras, a IV Frota, as sete bases militares ianques na Colômbia. Há que ver o perigo, mas há também que ser otimistas. Cada país, com seu povo, há de encontrar o rumo seguro para uma vida soberana”.

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ROBÔS TABAJARA

ROBÔS TABAJARA

Paulo Matos (*)

Estes serviços prestados por concessionárias de serviço público tem a ver com isso. Para consecução do projeto final do capitalismo, em sua fase terminal que vive de invasões militares e genocídios para se expandir na terceira globalização, impuseram-se condições drásticas. E mais do que drásticas, draconianas – na acepção. As empresas que vieram para cá tiveram a garantia de lucros maiores do que jamais obtiveram, na oferta inicial da firmeza do real. Devidamente repartido, é claro.

Seriam as maiores margens de ganho mundiais e a possibilidade de prestar o pior serviço possível, vide telefônicas, ao preço mais caro do planeta. Elas plantam o fim do mundo, vão matar os usuários – suas galinhas dos ovos de ouro. Tudo tem que dar lucro, temos que ser viáveis economicamente, depois felizes, se possível. É mais ou menos isso. É o filme "Corre que o sistema vem aí". E as multis também.

É inacreditável o que fazem e cobram determinadas empresas de TV a cabo, deixando o pessoal das matrizes européias e quetais com inveja do grau de exploração. Na impossibilidade de combater o dragão capitalista, Lula, o PT e a esquerda de acomodaram nos sofás das novas regras plantadas antes. Não tinha outro jeito. Ou tinha? Nesse sistema está incluído o programa de ampliação de lucros das empresas que exploram os países dominados - como as multinacionais que vieram trazer este "desenvolvimento" e "crescimento" efêmeros iniciados no governo Collor, FHC e continuados em Lulla, o herói dos banqueiros.

Eletricidade, pedágios, telefones, combustíveis, tudo a preço de ouro, levando à miserabilização de extratos populares mais baixos de maneira crescente. Bola baixa para a fiscalização, agência (ANEEL,ANP,ANA,etc) é só para inglês ver. Foi este o acerto. Quem determina os níveis do acordo são as condições, isto é mercado. O aplique foi dado, cada um saiu com o seu e está tudo certo, cada qual prá sua toca. Era mais uma crise do capitalismo sugando como desentupidor de pia, onde ganham os de cima e os da armação. Há uns 20 anos ou mais o Paul Singer veio ai e falou algo assim. Máquina o trabalhador já era, agora explorada e mal paga, robô vagabundo, Tabajara.

Impuseram-se a maximização dos lucros pela substituição da mão-de-obra por máquinas e redução de custos salariais – com evidente desemprego -. com ampliação da lucratividade empresarial pelo "enxugamento" nesse setor, já que a mera competição capitalista já não dava lucros.

Por óbvio, o sistema é pré-histórico e não foi feito para funcionar solidariamente ou em prol da humanidade. Juridicamente ganhariam todas e pretende-se mudar as leis e abolir estas excentricidades de férias, 13º e outras bobagens como contrato de trabalho – quinquilharias. Acho que dá para entender como estamos. É melhor não dizer. Viramos suco, para dizer o mínimo.

P.S.: Se não é isso, é quase isso.


(*) Paulo Matos - Jornalista, Historiador pós-graduado e Bacharel em Direito
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Sexta, 20 de novembro de 2009, 14h32

Fonte: Redação Terra

Energia

Erro na conta de luz não obriga a ressarcimento, diz Aneel

Keila Santana
Direto de Brasília

O diretor-geral da Aneel, Nelson Hubner, descartou que a agência vá obrigar as distribuidoras de energia a devolver aos consumidores o valor pago a mais na conta de luz por sete anos. Hubner se reuniu com integrantes da CPI das Tarifas de Energia, que cobraram mais uma vez solução para erro no cálculo de reajustes das tarifas de energia que foi verificado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) nos reajustes de 2002 até hoje.

Segundo o diretor da Aneel, haverá correção apenas pra as novas regras que vão ser apresentadas para as distribuidoras de energia. "A Aneel entende que não há obrigação de ressarcimento porque as pessoas pagaram de acordo com uma tarifa que foi definida com um contrato de concessão que estava em vigor legalmente. Pode haver apenas se as empresas concordarem de que houve esse desvio, nós podemos calcular e se elas quiserem podem devolver isso", disse Nelson Hubner.

A agência reguladora apresenta na próxima semana o balanço dos débitos das distribuidoras sobre o valor cobrado a mais dos consumidores na conta de luz. O presidente da CPI das Tarifas de Energia Elétrica da Câmara, deputado Eduardo da Fonte (PP-PE), sugeriu que as distribuidoras façam um acordo voluntário de ajustes.

O parlamentar aposta no bom-senso dos concessionários de energia para a devolução dos valores pagos a mais porque se trata de serviço público concessionado pelo governo. "Temos o papel de defender o povo brasileiro. Nós vamos sugerir na CPI que as distribuidoras que não fizerem um entendimento com a Aneel para ressarcir o consumidor não tenham os contratos de concessão renovados", disse Eduardo da Fonte.

O diretor da Aneel não entendeu a proposta da CPI como uma ameaça e minimizou o poder da comissão de inquérito na negociação com as distribuidoras de energia. "As sugestões da CPI para se tornar efetivas terão que estar nos termos legais", disse Nelson Hubner.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

LULA ANALFABETO?

LULA ANALFABETO?

Perfeito na compreensão de que se analfabetismo é exclusão, colocar-se acima dele é participar do sistema opressivo a que se procurou desmontar desde Spártacus, Godwin, Saint Simon, Kropotkin, Bakunin, Marx, Fidel, Chávez, Evo e Lula. É esta a conclusão desta leitura.O genial Caetano perdeu a oportunidade de ficar calado e manter o brilho de suas confusões gramaticais e ideológicas que, não sabemos por que, se destacam como as letras que falam de uma América Católica podre e discriminatória como ele foi nesta declaração. Como diz o jornal da Globo, falha nossa. Ele precisa assumir. é isso.

       Paulo Matos
Jornalista, Historiador pós-graduado e Bacharel em Direito
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“APRENDÊ A LÊ PRA ENSINÁ MEUS CAMARÁ”

O dito cantor e compositor popular Caetano Velloso é, reconhecidamente, uma pessoa controversa, paradoxal e ambígua. Se, na sua criação artística tais características produziram obras de indiscutível valor para a música brasileira, o mesmo não podemos dizer quando se trata da sua postura enquanto sujeito político. O pode-ser-não- mas-pode- ser, o é isso e ao mesmo tempo aquilo se justificava, na época da ditadura militar, por causa da forte censura sobre o livre pensamento no Brasil, a chamada “linguagem da fresta”. Hoje, porém, já somos um país que consolida dia a dia a sua democracia, o que permite há amplos setores da sociedade civil uma participação cada vez mais atuante nos desígnios políticos do país. As velhas oligarquias, os afetados pelo bacharelismo vão, cada vez mais, demonstrando sua face caduca, o que nos faz acreditar que o País da tropicália, definitivamente, está trilhando um caminho para um futuro socialmente menos desigual.

A eleição de um torneiro mecânico para presidente da República, por mais que discordem da postura política do Luis Inácio Lula da Silva, revela uma guinada das mais revolucionárias da história brasileira. E mais, numa terra governada desde os tempos imperiais pelos homens de “anel no dedo”, Lula é “formalmente” analfabeto. Está claro, para todo mundo, que a exclusão dos iletrados da vida política brasileira era uma forma de manutenção de poder das velhas elites senhoriais, que sempre se sentiram patronas dos pobres, negros, mulheres, os ditos analfabetos.

A reação de tais setores discriminados, no entanto, sempre se fez sentir, quer de forma explícita, quer em recusas e resistências cotidianas. A música, ou melhor, o samba é um dos melhores exemplos desse desejo dos excluídos de defenderem a sua condição cidadã. A música popular brasileira, nunca foi propriedade exclusiva dos “doutos” compositores formados nos conservatórios europeus e dos capitães da mídia. Muito pelo contrário, assistimos daqueles autores mais “doutos” um movimento de apropriação do legado produzido pelos marginalizados, visto a indiscutível qualidade desse nosso repertório cultural.

Ouvir, por que não sabemos ler, Caetano Velloso chamar o presidente Lula de analfabeto está na contramão de todo desejo de inclusão social que norteou as manifestações populares no Brasil. Ser analfabeto não é um defeito moral, mas uma forma de exclusão política, cidadão Caetano. É nojento, é hipócrita para a sua própria dita condição de artista popular; e mais ainda, é ofensivo ao povo pobre e negro desse País.

O Sr.Caetano Velloso devia fazer, em nome dos sambadores, dos capoeristas, das marisqueiras, dos pescadores, do povo do maculelê, dos quilombolas, dos favelados, dos migrantes e imigrantes, dos sem-terra, dos torneiros mecânicos, dos vendedores ambulantes, dos cordelistas, das vendedoras de acarajé, do povo do Iguape, enfim, de todos os côncavos e convexos historicamente discriminados na história brasileira uma retratação pública. É inadmissível, em nome mesmo da democracia, atitudes excludentes e com claro acento fascistóide como essa do dito compositor popular. Caetano Velloso votaria num analfabeto de Santo Amaro, sua terra natal na Bahia? Talvez o autor do verso “aprendê a lê pra ensiná meus camará”, apropriado pelo próprio autor? É uma pergunta ingênua - “cafona” para usar o linguajar do sofisticado músico - mais ao mesmo tempo necessária a ser feita. Precisamos “ouvir” do letrado Caetano Velloso uma explicação mais clara de tal afirmação, porque do jeito que está, parece um xingamento a todo o povo brasileiro. Uma atitude “grosseira”!

ASSOCIAÇÃO DOS SAMBADORES E SAMBADEIRAS DO ESTADO DA BAHIA*

MOSSADEGH E A POLÊMICA VISITA DO LIDER DO IRÃ A LULA

PETRÓLEO NA PAUTA
MOSSADEGH E A POLÊMICA VISITA DO LIDER DO IRÃ A LULA
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 Por que tanta contestação ao “ditador”?

Paulo Matos (*)

A visita do líder do Irã Mahmud Almahbinejad ao presidente Lula, amplamente reprovada pelas grandes mídias, vislumbra uma alternância na política externa de forma a adequar o figurino do país à nova ordem do petróleo. Notadamente da consagrada quirografariamente com os Estados Unidos, sem nada escrito, mas imposto pela força, desde o final da Segunda Guerra. Ou seja, vamos abandonar o estágio colonial. Mahmud só precisa parar com essa conversa de querer jogar o povo de Israel no mar - por mais crueldades que eles façam com os palestinos. É outra a linguagem e Lula está ai para isso.

O Brasil tem a necessidade de construir um novo perfil em face de sua ascensão como potência petrolífera. E monta estratégias políticas e comerciais, pensando grande. Lula remonta processos históricos antigos que vicejam em torno do rompimento do domínio do petróleo - com que o Brasil, na atual fase, traz profunda identidade. O Irã, a antiga Pérsia, é um antigo produtor. E muito temos a ganhar neste entendimento com um país alinhado economicamente no antigamente chamado “Terceiro Mundo”, com práticas de enfrentamento há quase 60 anos.

A meta é reverter as más políticas que claudicam neste processo, o que impôs o atraso ao Brasil no setor com atraso na exploração – que superou, impondo-se ao mar na melhor tecnologia do mundo -, assim como a entrega pelas concessões do governo anterior de grandes bacias aos que pretendem o monopólio, em regras que querem manter. Vamos comemorar, em primeiro de maio de 2011, os 60 anos da nacionalização do petróleo pelo Irã.

No ano de 1951 aconteceu no Irã a revolução petrolífera do primeiro-ministro do Irã Mohamed Mossadegh, durante o governo do Xá Reza Pahlevi, que era subserviente aos EU e à Inglaterra e o colocou para fora. Foi Mossadegh que nacionalizou o petróleo e a Anglo-Iranian inglesa, um estado dentro do estado, que o explorava sua descoberta em 1908. Hoje é um herói por lá.

Em finais de agosto de 1953 Mahmud Mossadegh seria derrubado, pois o Xá Reza Pahlevi recuperou seus plenos poderes como títere dos interesses anglo-americanos no Irã. Nacionalista, Mossadegh era chefe do Movimento Nacional Iraniano e para muitos esta expulsão foi o fim do Império Britânico. Era a “Operação Ajax”, da CIA e do Serviço Secreto Inglês. Em face do processo, entrou em ação o movimento antinacionalista dos EU, que agiu na Guatemala, Brasil e Argentina, derrubando respectivamente Arbenz, Vargas e Perón, em 1954.

Embora derrotada, esta experiência foi a partida para que se impusessem relações mais justas ou nem tanto na questão do petróleo, na base de meio a meio. Agora, se Lula quer ficar de bem com Mahmud Ahmadinejad, fale bem de Mossadegh - escolhido recentemente como a personalidade histórica do Irã. Não sei por que, quem vende livros a beça por lá é o Paulo Coelho, quatro milhões de exemplares. Vê-se que é um povo estranho esse do Irã, mas com os mesmos interesses comerciais no petróleo. É mais ou menos isso.

(*) Paulo Matos - Jornalista, Historiador pós-graduado e Bacharel em Direito, está escrevendo o livro “Verão Vermelho-os 60 anos do movimento O petróleo é nosso”“
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CHAVEZ EXAGERADO?

CHAVEZ EXAGERADO?

Paulo Matos (*)
 Novembro, 2009

A manifestação de Chávez em face da definição sobre as bases militares norte-americanas na Colômbia foram exageradas? Chamaram para a guerra, criando hipóteses impossíveis de geração de conflitos? É isso ou não é nada disso? Bem, a memória da história parece confirmar a assertiva do líder venezuelano. Mas sobre ele se lança forte campanha de demonização. O fato é que a exportação da guerra para a América do Sul vai matar nossos filhos em breve, por bombardeios insanos - isso é real.

Vamos aos dados: “A expansão dos EU sobre o continente americano, até a América do Sul, é o destino de nossa raça e nada pode detê-la”. Em 1857, na posse, o presidente James Buchanan disse isso. A frase é antiga? Vejamos se confirma: os EU dobraram o tamanho de seu país através de invasões. Antes de matar todos os índios que povoavam a América, a quinze anos da Independência os EU compram, sob leve pressão, o hoje estado da Lusiania - que era da França.

Depois, os EU adquirem a Flórida da Espanha, com igual gentileza. São novos estados. E de quebra roubam vasto território do México, do Texas a Califórnia, já com genocídios. O Havaí eles tomaram em 1898. Guantánamo foi “arrendada” pelos EU em 1903 em um “contrato perpétuo” – figura inexistente no Direito. Invadiram Cuba em 1961, tentando derrubar a Revolução Popular. “As novas nações emancipadas da América estão sob a proteção dos EU”, disse o presidente Monroe em 1823, quando achacava o México. “A América para os americanos”, afirmavam. Do norte, é claro.

A “nação das nações” iria comandar o mundo e esta ideologia se espalha em meados da década de 1840-50. O diplomata e jornalista John Louis O`Sullivan é a quem se atribui a origem desta expressão, o “Destino Manifesto” – que atribuía aos EU a escolha divina para dominar o mundo, alimentando a expansão populacional e dos imigrantes. Como no antigo poder absoluto dos reis escolhidos por Deus para governar - derrotados pelo Iluminismo. No ano de 1855, um jornal de New Orleans publicava matéria dizendo que “a pura raça anglo-americana está destinada a estender-se pelo mundo com a força de um tufão”. A raça hispano-mourisca seria abatida. É o que escreve o jornal “New Orleans Creole Courier, de 27/1 deste ano, na liderança branca do país mestiço.

Hoje os EUA tem 170 bases em cinco continentes. Há séculos a história registra invasões do México, Nicarágua, Guatemala, Panamá, Coréia, Vietnã, “rangers” na Bolívia – falta espaço para tudo. O Washington Post (19/10/2006) escreveu que o presidente Bush disse que o espaço sideral também pertence aos EU. Este Chávez só fala sandices mesmo. Imagine, como se os EU tivessem uma ave de rapina na Bandeira!

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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

OS CORREDORES DO TRANSPORTE COLETIVO

OS CORREDORES DO TRANSPORTE COLETIVO

Paulo Matos (*)

Só pode ser bem-vinda qualquer forma de amor ao transporte coletivo urbano, solução histórica para os congestionamentos que, no futuro, inviabilizarão as cidades – e a data é próxima. Assim, o corredor do sistema na Avenida Ana Costa seria modelar para implantação na cidade inteira. Porém, o dado fornecido pela CET é de que foram ganhos cinco (5) minutos no trajeto é de uma fragilidade latente.

Esse tempo é igual ao perdido em cada ponto na cobrança da passagem pelo motorista – que ainda sai andando, dirigindo e cobrando concomitantemente, em desafio às leis do trânsito contribuindo para a ruína do sistema caótico, crônico e ineficaz que merece melhor sorte. Oxalá o futuro reserve às massas este desígnio.

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terça-feira, 10 de novembro de 2009

FAVELA INCENDIADA

FAVELA INCENDIADA

Outubro 2009

Paulo Matos (*)

Aconteceria se as metas olímpicas para 2016 e para a Copa do Mundo em 2014 fossem as metas sociais preconizadas pela ONU? “Mais um incêndio em favela de São Paulo. Dessa vez foi na favela Diogo Pires. Acontece que esse é o quarto incêndio nessa mesma favela que sofreu com incêndios em 2000, 2002, 2006 e agora em 2009. Segundo documento da FINEP de 9/3/2005, o Laboratório de Segurança ao Fogo, do IPT de São Paulo, que há 28 anos vem desenvolvendo trabalhos de prevenção e controle de incêndios, são registrados, em média, 800 incêndios por ano em São Paulo. Pergunto: Média de 800 incêndios por ano?” Por que as metas esportivas são mais importantes do que as sociais? Moradias? Saúde? Educação? Transporte Coletivo? Ou estádios e pistas?

“Por que o último incêndio em uma favela do Rio – que tem quase tantas favelas quanto São Paulo – só aconteceu em 1969 na favela Praia do Pinto, durante o governo do Carlos Lacerda? Curiosidade: dias antes desse incêndio o DOPS prendeu todos os dirigentes da FAFEG (Federação das Favelas do Estado da Guanabara) que foram acusados de serem comunistas. Será que os últimos incêndios nas favelas de São Paulo seriam uma forma de se evitar as obras do PAC que urbanizariam essas favelas?...”

Estes dois parágrafos são originais do texto de Stanley Burburinho que me chegou pela Internet. Aconteceria se as metas olímpicas para 2016 e para a Copa do Mundo em 2014 fossem as metas sociais preconizadas pela ONU? Por que as metas esportivas são mais importantes do que as sociais? Moradias? Saúde? Educação? Transporte Coletivo? Ou estádios e pistas? Ou vamos deixar que alguém cuide disso com espírito de “empreendedorismo”? Pode até ser, se o articulador tiver ótica social.

(*) Paulo Matos
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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

A MOÇA DESNUDA DA UNIVERSIDADE

A MOÇA DESNUDA DA UNIVERSIDADE

Paulo Matos (*)

Já houve tempo que a nudez foi arte. Hoje, enquadrada em um sistema violento, faz isso. As análises sobre os múltiplos aspectos do episódio recente da jovem atacada na universidade, porque vestida com ousadia, revela aspectos sociais importantes que retratam estes tempos de crise social. A violência criminal não existe por acaso.

A moça foi vaiada, xingada e agredida por pessoas que apoiam a tortura e a pena de morte. Estas análises deixaram de considerar o grau de degradação moral e cultural de nossa população, expressa mais acirradamente na juventude.

É uma juventude “educada” pela barbárie da TV e pelas academias de ginástica, gestionadas por uma sociedade violenta e egoísta que treina esportes e não freqüenta bibliotecas. Logo andarão de quatro outra vez, tenho dito. É só observar o estágio das relações individuais e sociais. São ascendentes, os "self made man", que põe fogo em mendigos.

Esta é uma geração de inoclastas e de idiotas, que em massa e com a ascensão de grupos religiosos pode sim resultar em algo semelhante ao fenômeno nazi-fascista, que se deu em uma sociedade mais evoluída do que a nossa em um espetáculo de barbárie, estupidez e egolatria. Avisar é bom, projetar com base em dados é melhor ainda.

A boçalidade da condição destes "universitários" e sua falta de formação e informação é caótica, resultado do aperto na panela de pressão da Ditadura Militar. Fazendo com que eles se deixem guiar pela testosterona e pelos estímulos da propaganda.

Não se deixe de avaliar a participação das próprias mulheres que, incorporando o sistema, fazem da beleza e da atração um negócio de ascensão social, rentável de alguma maneira - nem que seja com o prazer do orgulho. Vítimas do sistema econômico que difunde o egoísmo e o cada um por si, transforma pessoas e sentimentos em coisas - fazendo temer pelo futuro.

Paulo Matos
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EVITAR ASSALTOS À CONDOMÍNIOS?

EVITAR ASSALTOS À CONDOMÍNIOS?

Se fala nos fatos dos assaltos aos condômínios pelas pessoas ligadas ao tema, atinentes a ele mas dissociadas de suas causas - mas em um discurso triste, pândego e ingênuo, repetitivo e infrutífero nesta crônica de tentativas de rebater a violência social crescente. Que se torna crônica e cada vez mais vislumbrada sem solução que cria métodos alternativos de "condomínios bem equipados" e "métodos de segurança" em métodos tecnológicos sofisticados, como se fosse possível. Acreditam mesmo na sua eficácia?

Essas tentativas se tornam frágeis perante à criatividade dos que optam pela ação marginal, enquanto alheia ela cresce, com os assaltos e crimes incômodos e cruéis. Que tal começar a pensar em ações efetivas além destas, científicas e sociais de modo a banir esta trajetória de associação social anômala para o delito, na essência da ação deletéria? É esta a questão ante o caos que se desenha.


Paulo Matos
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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A VIOLÊNCIA FAZ ESCOLA. O QUE FAZER?

A VIOLÊNCIA FAZ ESCOLA.
O QUE FAZER?

Paulo Matos (*)

O conceito do psicanalista ucraniano Wilhelm Reich tem um papel fundamental em sua obra psicanalítica, designando basicamente o conjunto de sintomas neuróticos. Que, com o denominador comum das tendências sadomasoquistas, impregnam a personalidade do ‘‘homem medíocre’’ contemporâneo.

Idosos e crianças, além de jovens e adultos, não falam outra coisa – a violência é o tema dominante. Reich chama de “praga emocional” essa tendência, presente em setores da classe média ou alta que se identificam com a repressão. E toca a pedir o reforço da “segurança” gerando balas perdidas. As novelas aderiram.

São pessoas favoráveis não apenas à pena de morte, mas à tortura e tratos cruéis, assim como à negação de direitos nas prisões - o que multiplica, geométrica e irracionalmente, a marginalidade. Ouvi certa vez Dona Maria Augusta Capistrano, mãe do ex-prefeito David, dizer que a violência atual é resultante da violência exemplar da Ditadura e da escravidão. É inerente ao capitalismo cruel e o Brasil é um dos países mais violentos do mundo.

A violência está presente na sociedade, como vingança saborosa. É doença social. Ela nega a integridade física ou psicológica e mesmo a vida de outro. É o uso excessivo de força, além do necessário ou esperado. Vem do latim violentia e deriva de vis, força, vigor. Está dentro de nós mesmos e atrai milhões, basta ver seu sucesso na cinema e na televisão. Eliminação em massa de pessoas já não horroriza: quantos aprovaram e aprovam o massacre dos 111 do Carandirú?

Trata-se de um problema grave, a que o estado deve interferir com moduladores culturais e exigências nas telecomunicações. Chamar esta exposição de “liberdade de expressão” é crueldade social. Se algo assusta, este temor é a paixão popular por atos criminais, refletindo o quanto saudável é a sociedade da competição produzindo coisas assim. A violência intrínseca dos expectadores é maior que a dos agentes. Temos muitos adeptos das teorias de eliminação imediata e sem julgamento, cada vez mais numerosas – o que dá medo – pois geram exemplos.

As novelas, mais do que populares, diárias e múltiplas que dão aulas de gritos e pancadarias – até crimes, agora, viraram moda – atraem milhões. São patologias sociais, reflexos de um sistema econômico e político competitivo e opressivo, que exclui a solidariedade e a participação. Esta violência exposta não é um epifenômeno ou um detalhe sem maior importância, exige intervenção. Até que ponto essa infestação de violência não torna a sociedade mais violenta? São tempos dos cronistas policiais.

A violência deseduca? Lance o tema em qualquer roda e não se falará mais em outra coisa: o tema é atrativo. E saboroso, para tantos. Nosso papel é saber até que ponto isso é deletério e maléfico à sociedade, até que ponto a “educa” para a violência. As páginas policiais dos jornais impressos são por muitos buscadas prioritariamente na leitura dos diários.

Presente e freqüente nos canais da TV aberta, quando não investigados “cientificamente” com todos seus detalhes sórdidos e desumanos em “especiais”, estas matérias estão nas telas em todos os telejornais que, competindo pela audiência e pelo lucro – aliás, seus únicos fins, contrariamente à concessão estatal que lhes dá liberdade absoluta de programação.

A impressão é que de algum modo as pessoas tem uma grande atração por este tipo de notícia. basta perceber as atrações que são as ocorrências policiais nas ruas, em torno das quais se aglomeram centenas de pessoas. Esta violência intrínseca explode nas relações sociais, nos esportes, no trânsito. A violência consome o espírito e gera a mortal adrenalina. Mata em todos seus sentidos.


(*) PAULO MATOS
 Jornalista, Historiador pós-graduado e bacharel em Direito. Escreveu o livro “Anchieta, 15 anos, a redenção da loucura” F 13-38771292-97014788 - Email: jornalistapaulomatos@yahoo.com.br
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PEQUENOS ASSASSINATOS

PEQUENOS ASSASSINATOS

(*) Paulo Matos


Os múltiplos assassinatos de Guarujá e deste país - meia dúzia esta semana -, se tornam costumeiros, como no filme secular de Alan Arkin. A crise social está posta à mesa..Será que elas permitem que se eleja como privilégio pontes de ouro e torneios esportivos de 2014 ou 2016 antes de sanear a miséria social? Será que a fé na promessa de esperar o bolo crescer para dividi-lo com as massas populares vai durar? Até quando? E os hospitais, policlínicas, creches, escolas, restaurantes populares, centos de educação e convivência serão substituidos pelos estádios? "Quosque tandem abuttere patientia nostra?" Até quando abusarás da nossa paciência? Vamos continuar convivendo com a inépcia na eleição de falsas prioridades, ó dirigentes?

Paulo Matos
Jornalista, Historiador pós-graduado e Bacharel em Direito
E-mail: jornalistapaulomatos@yahoo.com.br
Twitter: http://twitter.com/jorpaulomatos
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A lucidez e a consciência política e revolucionária do camarada Fidel Castro nesta análise mostra porque que soube fazer história

A lucidez e a consciência política e revolucionária do camarada Fidel Castro nesta análise mostra porque que soube fazer história.

Paulo Matos


UM PRÊMIO NOBEL PARA EVO
Reflexões do companheiro Fidel

Se a Obama lhe foi outorgado o Prêmio por ganhar as eleições em uma sociedade racista, apesar de ser afro-americano, Evo é merecedor dele por ter ganho as eleições em seu país, apesar de ser indígena, e ainda cumprir o prometido.

Pela primeira vez em ambos os países um ou outro de sua etnia chega à Presidência.

Mais de uma vez chamei a atenção para o fato de que Obama era um homem inteligente, educado num sistema social e político no qual crê. Deseja estender os serviços de saúde a quase 50 milhões de norte-americanos, tirar a economia da profunda crise que padece e melhorar a imagem dos Estados Unidos, deteriorada pelas guerras criminosas e as torturas. Não imagina, nem deseja nem pode mudar o sistema político e econômico de seu país.

O Prêmio Nobel da Paz tem sido conferido a três Presidentes dos Estados Unidos, um ex-presidente e um candidato a Presidente.

O primeiro foi Theodore Roosevelt, eleito em 1901, dos Rough Riders (jóqueis duros), quem desembarcou em Cuba seus jóqueis, mas sem cavalos, no período da intervenção dos Estados Unidos em 1898 para impedir a independência de nossa Pátria.

O segundo foi Thomas Woodrow Wilson, que introduz os Estados Unidos na primeira guerra pela partilha do mundo. No Tratado de Versalhes impôs condições tão severas à vizinha Alemanha, que criou as bases para o nascimento do fascismo e o estalo da Segunda Guerra Mundial.

O terceiro é Barack Obama.

Carter foi o ex-presidente a quem vários anos depois de ter finalizado seu mandato lhe foi outorgado o Prêmio Nobel. Sem dúvidas, um dos poucos Presidentes desse país incapaz de ordenar o assassinato de um adversário, como fizeram outros; devolveu o Canal ao Panamá, criou o Escritório de Interesses em Havana, evitou cair em grandes déficits orçamentários e esbanjar o dinheiro em benefício do complexo militar industrial, como fez Reagan.

O candidato foi Al Gore, que tinha sido vice-presidente; o político norte-americano com maior conhecimento sobre as terríveis conseqüências da mudança climática. Mais para frente, quando foi eleito candidato à Presidência, foi vítima da fraude eleitoral e despojado da vitória, por W. Bush.

As opiniões sobre a entrega deste Prêmio têm sido muito divididas. Muitos partem de conceitos éticos ou refletem contradições evidentes na imprevista decisão.

Haveriam preferido esse Prêmio como fruto de uma tarefa realizada. Nem sempre o Prêmio Nobel da Paz foi entregue a pessoas merecedoras dessa distinção. Às vezes receberam-no pessoas ressentidas, auto-suficientes, ou pior ainda. Lech Walesa, ao conhecer a noticia exclamou com desprezo: “Quem, Obama? É muito rápido. Não tem tido o tempo suficiente para fazer alguma coisa”.

Em nossa imprensa e em CubaDebate, companheiros honestos e revolucionários foram críticos. Um deles salientou: “Na mesma semana em que foi outorgado o Prêmio Nobel da Paz a Obama, o Senado dos Estados Unidos aprovou o maior orçamento militar da história: 626 bilhões de dólares.” No Noticiário de Televisão, outro jornalista comentou: “O que fez Obama para merecer essa distinção?” Mais outros perguntaram: “E a guerra do Afeganistão e o incremento dos bombardeios?” São pontos de vista baseados nas realidades.

Desde Roma, o diretor de cinema Michael Moore pronunciou uma frase lapidária: “Parabens, presidente Obama, pelo Prêmio Nobel da Paz; agora, por favor, ganhe-o”.

Estou certo de que Obama concorda com a frase de Moore. Possui suficiente inteligência para compreender as circunstâncias que rodeiam o caso. Sabe que ainda não o ganhou esse Prêmio. Esse dia, de manhã, declarou: “Acho que não mereço acompanhar tantas personalidades transformadoras homenageadas com este Prêmio”.

Afirma-se que são cinco os membros do famoso comitê que outorga o Prêmio Nobel da Paz. Um porta-voz asseverou que foi por unanimidade. Corresponde fazer uma pergunta? O galardoado foi ou não consultado? Uma decisão dessa índole pode ser tomada sem antes a pessoa premiada ter sido advertida disso? Este não pode ser julgado moralmente de igual forma se conhecia ou não com antecedência a indicação para o Prêmio. O mesmo pode ser afirmado a respeito daqueles que decidiram premia-lo.

Talvez seja necessário criar o Prêmio Nobel da Transparência.

Por outro lado ninguém mencionou o nome de Evo.

É obvio que pela primeira vez na história da Bolívia, um autêntico indígena aimara exerce a presidência desse Estado, criado pelo Libertador Simon Bolívar depois da Batalha de Ayacucho, quando o último vice-rei da Espanha foi vencido pelo General Antonio José de Sucre.

A Bolívia possuía, então, 2 milhões 343 mil 769 quilômetros quadrados.

A sua população era integrada fundamentalmente pelos descendentes da civilização aimara-quíchua, cujos conhecimentos em diversas esferas assombram o mundo. Mais de uma vez tinham-se sublevado contra seus opressores.

Os oligarcas fratricidas e pró-imperialistas dos Estados vizinhos, apesar dos vínculos comuns de sangue e cultura, arrebataram à Bolívia 1 milhão 247 mil 284 quilômetros quadrados, mais da metade da superfície. É bem conhecido que ao longo dos séculos, o ouro, a prata e outros recursos da Bolívia eram extraídos pelos privilegiados donos de sua economia. Enormes jazidas de cobre, as maiores do mundo, e outros minérios lhe foram arrebatados depois da independência em uma das guerras promovidas pelos imperialistas britânicos e ianques.

Apesar disso a Bolívia conta com importantes jazidas de gás e de petróleo e possui, além disso, as maiores reservas conhecidas de lítio, minério muito necessário em nossa época para a armazenagem e uso da energia.

Evo Morales, camponês indígena muito pobre, transitou pelos Andes, juntamente com seu pai, antes de completar seis anos, pastoreando lhamas de um grupo indígena. Conduziam-nas durante 15 dias até o mercado onde as vendiam para adquirir os alimentos da comunidade. Respondendo a uma pergunta minha sobre aquela singular experiência, Evo me contou que durante a viagem “hospedava-se no hotel mil estrelas”, uma bela forma de fazer referência ao céu limpo da cordilheira onde por vezes são colocados os telescópios.

Naqueles duros anos de sua infância, a alternativa dos camponeses na comunidade onde nasceu, era o corte da cana-de-açúcar na província argentina de Jujuy, na qual às vezes uma parte da comunidade refugiava-se durante a safra.

Não muito longe de La Higuera, onde o Che, ferido e desarmado, foi assassinado no dia 9 de outubro de 1957, Evo, que tinha nascido no dia 26 desse mesmo mês no ano 1959, ainda não completara os 8 anos. Aprendeu a ler e a escrever em espanhol, caminhando até uma escolinha pública a cinco quilômetros da choça onde num rústico quarto viviam seus irmãos e seus pais.

Durante sua azarenta infância, onde quer que houvesse um professor, ali estava Evo. De sua raça adquiriu três princípios éticos: não mentir, não roubar, não ser débil.

Aos 13 anos o pai autorizou-o para que se mudasse para San Pedro de Oruro e estudar o bacharelado. Um de seus biógrafos conta que era melhor em Geografia, História e Filosofia do que em Física e Matemática. O mais importante é que Evo, para custear seus estudos, acordava às 02h00 para trabalhar como padeiro, construtor ou noutra atividade física. Freqüentava as aulas à tarde. Era admirado por seus companheiros os quais o ajudavam. Desde o primário aprendeu a tocar instrumentos de vento e foi trompete de uma prestigiosa banda de Oruro.

Ainda adolescente, organizou a equipe de futebol de sua comunidade, da qual foi o capitão.

O acesso à universidade não estava a seu alcance por ser indígena aimara e pobre.

Após ter concluído seu último ano de bacharelado, cumpriu o serviço militar e regressou a sua comunidade, localizada na altura da cordilheira. A pobreza e os desastres naturais obrigaram a sua família a emigrar para a zona subtropical de El Chapare, onde a mesma conseguiu obter um pequeno lote de terra. Seu pai morre em 1993 quando ele tinha 23 anos. Trabalhou duramente a terra, mas era um lutador nato, organizou todos os trabalhadores, criou sindicatos e com eles encheu vazios aos quais o Estado não prestava atenção.

As condições para uma revolução social na Bolívia foram criadas nos últimos 50 anos. No dia 9 de abril de 1952, antes do início de nossa luta armada, estalou a revolução nesse país com o Movimento Nacionalista Revolucionário de Victor Paz Estenssoro. Os mineiros revolucionários derrotaram as forças repressivas e o MNR tomou o poder.

Os objetivos revolucionários na Bolívia estavam longe de serem cumpridos. Em 1956, segundo as pessoas bem informadas, começou o declínio desse processo. Em 1 de janeiro de 1959 triunfa a Revolução em Cuba. Três anos depois, em janeiro de 1962, nossa Pátria foi expulsa da OEA. A Bolívia absteve-se. Mais tarde todos os governos, exceto o México, interromperam relações com Cuba.

As divisões do movimento revolucionário internacional fizeram-se sentir na Bolívia. Eram necessários ainda mais de 40 anos de bloqueio a Cuba, o neoliberalismo e suas desastrosas conseqüências, a Revolução Bolivariana na Venezuela e a ALBA; a Bolívia precisava de Evo e do MAS.

Seria longo sintetizar em poucas folhas sua rica história.

Apenas direi que Evo foi capaz de vencer terríveis e caluniosas campanhas do imperialismo, seus golpes de Estado e ingerência nos assuntos internos, defender a soberania da Bolívia e o direito de seu povo milenar a que sejam respeitadas seus costumes. “Coca não é cocaína”, disse ao maior produtor de maconha e o maior consumidor de drogas no mundo, cujo mercado tem sustentado o crime organizado que no México e custa anualmente milhares de vidas. Os maiores produtores de drogas do planeta são dois dos países onde estão as tropas ianques e suas bases militares.

Na armadilha mortal do comércio de drogas não caem a Bolívia, a Venezuela e o Equador, países revolucionários que, igual a Cuba, são membros da ALBA, sabem o que podem e devem fazer para levar a saúde, a educação e o bem-estar a seus povos. Não precisam de tropas estrangeiras para combater o narcotráfico.

A Bolívia leva adiante um programa de sonho sob a direção de um Presidente aimara que conta com o apoio do povo.

Em menos de três anos erradicou o analfabetismo: 824 mil 101 bolivianos aprenderam a ler e a escrever; 24 mil 699 fizeram-no em aimara e 13 mil 599 em quíchua; é o terceiro país livre de analfabetismo, depois de Cuba e da Venezuela.

Presta atendimento medico gratuito a milhões de pessoas que jamais o tinham recebido; é um dos sete países do mundo que nos últimos cinco anos conseguiu reduzir mais a mortalidade infantil, com possibilidades de cumprir as Metas do Milênio antes de 2015, e em uma proporção similar às mortes maternas; operou da visão 454 mil 161 pessoas, delas 75 mil 974 brasileiros, argentinos, peruanos e paraguaios.

Na Bolívia foi estabelecido um ambicioso programa social: todas as crianças das escolas públicas da primeira à oitava série, recebem uma doação anual para sufragar o material escolar que beneficia a quase dois milhões de alunos.

 Mais de 700 mil pessoas maiores de 60 anos recebem um bônus equivalente a 342 dólares anuais.

Todas as mulheres grávidas e as crianças menores de dois anos recebem uma ajuda de aproximadamente 257 dólares.

Na Bolívia, um dos três países mais pobres do hemisfério, o Estado controla os principais recursos energéticos e minerais do país, respeitando e compensando cada um dos interesses afetados. Marcha com cuidado porque não deseja retroceder um passo. Suas reservas em divisas vão crescendo. Evo dispõe de não menos de três vezes mais do que dispunha ao início de seu governo. É dos países que melhor fazem uso da cooperação externa e defende com firmeza o meio ambiente.

Em muito pouco tempo se conseguiu estabelecer o Padrão Eleitoral Biométrico e já estão registrados aproximadamente 4,8 milhões de eleitores, quase um milhão mais do que o último padrão eleitoral, que em janeiro de 2009 totalizava os 3,8 milhões.

Em 6 de dezembro serão as eleições. Com certeza o apoio do povo a seu Presidente aumentará. Nada tem podido deter seu crescente prestígio e popularidade.

Por que não lhe é conferido o Prêmio Nobel da Paz?

Entendo sua grande desvantagem: ele não é presidente dos Estados Unidos,

Fidel Castro Ruz

Outubro 15 de 2009

4h25

Agência Cubana de Notícias
www.cubanoticias.ain.cu
ainportugues@ain.cu

terça-feira, 3 de novembro de 2009

TRANSPORTE COLETIVO: SEGURA ESSA ONDA E DÁ UM TEMPO!

TRANSPORTE COLETIVO:

SEGURA ESSA ONDA E DÁ UM TEMPO!

Sugere-se uma ficção a carta enviada pela empresa Piracicabana negando as críticas ao sistema de transporte coletivo, sequer a existência de queixas a respeito do sistema. As pessoas desistiram sim que reclamar após milhares de cartas. A retirada do cobrador é ilegal diante da farta legislação do país e sobrevive por mistério. Não há fiscais do CET e a pesquisa anunciada é duvidosa.

Motoristas de carros são multados por fumar ou dirigir. Isso enquanto motoristas de ônibus dirigem com os cotovelos para cobrar, 100% dos quais andando para não perder a hora. Todos eles se queixam, podem conferir estes fatos, inclusive os usuários.

A superlotação dos ônibus da maneira que existe não é permitida, maltrata o usuário. Inviabiliza a única forma de redução do transporte individual necessária. Escrever que 80% dos usuários usam a bilhetagem eletrônica desmente os fatos. Não há transporte noturno, os veículos atrasam e andam em linhas repetidas. Atrapalha o turismo e os negócios, o custo é caro. Segura essa onda e dá um tempo.

(*) Paulo Matos
Jornalista, Historiador pós-graduado e Bacharel em Direito
E-mail: jornalistapaulomatos@yahoo.com.br
Blog: http://jornalsantoshistoriapaulomatos.blogspot.com
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