domingo, 27 de setembro de 2009

O HERÓI RIPASARTI

O HERÓI RIPASARTI

Paulo Matos (*)


Santos registra com glória os 88 anos do nascimento de Aldo Ripasarti neste 21 de dezembro. Aldo foi presidente do Centro de Estudos e Defesa do Petróleo, alçado ao cargo depois de sucessivas debandadas dos que ocupavam cargos de direção acima dele, em face da intensa repressão, dispondo-se a enfrentar as forças que queriam impor o silêncio dos brasileiros na questão.


Loquaz e perseverante na pregação revolucionária e na necessidade de transformação econômica da sociedade, fala rápida e incisiva, o filho de Adelino e Maria Aldo Ripasarti foi aprendiz de barbeiro desde os nove anos lá pelas bandas do bairro do Campo Grande. Onde, dizia, ter conhecido meu avô paterno e ter feito sua última barba, morador que era da Rua Duque de Caxias, autodidata, ingressou na Agência Marítima Martinelli aos 17 anos, só saindo para as lutas da Itália, de onde voltou engajado nas lutas sociais.

Nascido a 12 de dezembro de 1921, paulistano de berço, Aldo ia fazer 14 anos quando seu pai Adelino morreu na Itália. Sua mãe Maria era espanhola e foi ao consulado italiano local receber o que tinha direito.


“Diante de um funcionário ríspido e prepotente que tinha atrás de si um retrato do `Dulce´ fascista Benito Mussolini, explodi de ódio sobre aquele que maltratava minha mãe e que naquele momento era a representação do fascismo”, contou ele. Dali em diante esteve na luta contra todas as formas de opressão.


Casado com dona Benedita Santos Ripasarti desde 20 de dezembro de 1960, sua vida foi uma seqüência de lutas contra a opressão, o que lhe custou dezenas de prisões, torturas que narrou, demissões e opressões diversas. Liderança popular, alto, esguio, falante, de olhos azuis, esteve no porto desde 22 de janeiro de 1954, nas vagas de conferente garantidas pelo Governo aos ex-combatentes da FEB na Itália, para onde foi e ganhou uma medalha de heroísmo na luta antifascista, que recebeu em 30 de julho de 1954.


Preso no Carandiru de 1947 a 1950, lhe foi negada a liberdade condicional mesmo sendo um ex-combatente valoroso. A série de apelos feitos em sua defesa, mesmo das mais expressivas personalidades e entidades, não funcionavam. Eram, ao contrário, demonstrações para os verdugos da sua importância social, implicando em denegar sua libertação.

Ele nos “contratou” para escrever sua longa história de participação no movimento social e de defesa do petróleo. Isso ocorreu há cerca de 20 anos, quando gravamos e colhemos dados sobre ele em seu apartamento que ele utilizava para tal, na galeria AD Moreira, na Avenida Floriano Peixoto. O trabalho, interrompido, resultou na coleta de depoimentos que escrevemos e aqui apresentamos. Integrante da direção do Sindicato dos Conferentes por diversas vezes, foi ativo militante das lutas sociais.


Militante ativo das lutas dos trabalhadores do cais foi preso por 92 dias no “Raul Soares” – o navio-prisão que encarcerou e torturou centenas de cidadãos santistas na época do Golpe Militar de 1964, tendo recebido o titulo de Cidadão Santista das mãos do então vereador Fábio Mesquita em 1996, aliás, por indicação deste autor.


Aldo foi presidente do Centro de Estudos e Defesa do Petróleo, alçado ao cargo depois de sucessivas debandadas dos que ocupavam cargos de direção acima dele, em face da intensa repressão, dispondo-se a enfrentar as forças que queriam impor o silêncio dos brasileiros na questão do petróleo.



(*) PAULO MATOS
Jornalista, Historiador pós-graduado e bacharel em Direito
Email: jornalistapaulomatos@yahoo.com.br
Blog: http://jornalsantoshistoriapaulomatos.blogspot.com
F.13-38771292 – 97014788

Maurice e Paicará – Luiz Garcia Jorge

Maurice e Paicará – Luiz Garcia Jorge

O "amigo em comum" era eu



Fomos varias vezes para filmar um documentário, quem sabe um filme: Rubens Ewald Filho, Maurice Legeard e um fotografo que agora me foge o nome, que tinha um estúdio na Rua: João Pessoa. Com uma câmera filmadora. Segundo Maurice, o roteiro estava em sua cabeça. Foram poucos dias, mais eu presenciei imagens chocantes, homens, mulheres e crianças morando em uma montanha de lixo, assisti até a uma refeição que uma família estava fazendo, moscas e urubus para todos os lados, e um lagarto de estimação amarrado com uma corda, comendo ou tentando comer no prato de uma criança. Cercas de arame farpado separando não me lembro o que, mas dando um aspecto ainda mais deprimente.


Gente muito perto da montanha de lixo, comercializando um porco esquartejado, do que tinham destacado a cabeça, que me lembro eu levantei a altura da minha e pedi a Maurice filmar, enquanto eu pulava segurando ela como se fosse uma mascara. Maurice, claro não deu a mínima importância - porque ele tinha roteiro em sua cabeça. Também não ligou quando eu sugeri fazer um desfile de moda, sobe as tabuas podres que unindo algumas palafitas formavam uma passarela, que terminava em um pequeno cubículo com uma privada onde defecavam em cima de mangue, os moradores das palafitas do entorno. Não me lembro mais quanto e o que foi filmado.


Será que Rubens e o fotografo sabem do destino do filme? Lembro que muitos anos depois, quando eu ainda fazia a decoração do baile do Havaí durante uma festa, num rápido encontro com Rubens me lembrou com certo ar de ironia da historia da filmagem do Paicará.


Na ponderosa um restaurante do Espanhol Demetrio se dava as grandes noitadas, só que fatalmente no decorrer das horas já sobre a influencia de muitas cervejas regadas a conhaque a conversa ia ficando surrealista e muitas vezes agressiva a ponto de uma noite me engalfinhar com ele na porrada, mais logo esquecíamos e ficávamos de novo amigos.


Até que uma noite jantando no Almeida numa pequena mesa um na frente do outro sem mais nem menos começou a me insultar chamando me de vira lata, adjetivo que usava muito, e outras agressões verbais que realmente me ofenderam desta vez revidei com palavras que eu sabia que o machucariam e assim foi, ficamos alguns tempos ( anos ) sem nós falarmos.


Isso até que um amigo em comum me falou que ele estava doente e que deveria me reconciliar, para o que primeiro teria que convencer Maurice a me receber, reatamos nossa amizade a primeira visita que lhe fiz e ai tive a oportunidade de conhecer o Maurice que se escondia de trás de toda essa agressividade e os últimos (muitos)meses o visitei uma ou duas vezes por semana, quando me entregava filmes que tinha selecionado para eu ver , na próxima visita sofria uma sabatina.

Deixou muitas saudades.



Paulo Matos
Jornalista, Historiador pós-graduado e Bacharel em Direito
E-mail: jornalistapaulomatos@yahoo.com.br
Twitter: http://twitter.com/jorpaulomatos
Fone 13-38771292 - 97014788

terça-feira, 22 de setembro de 2009

O PETRÓLEO DA BACIA E A CORAGEM DO DIOCLÉCIO

O PETRÓLEO DA BACIA
E A CORAGEM DO DIOCLÉCIO
Setembro 2009

Paulo Matos (*)



A descoberta do petróleo do pré-sal de excelente qualidade e maior valor na bacia de Santos, com baixo enxofre, é um sinal de justiça e de resgate da memória do militante comunista Dioclécio Santana há 60 anos, registrados 60 anos neste 29 de setembro. Ele foi vítima de assassinato, ocorrido nas lutas do “Petróleo é nosso” de 1949, no comício santista na bacia do Macuco nessa data - um dos primeiros do país na campanha, durante o governo Dutra, que esteve aqui em 15 de outubro de 1959 e que proibiu a existência do petróleo brasileiro, inexplorado a pedido dos norte-americanos.


Recentemente, a Petrobras foi acusada de propaganda enganosa por escrever que foi a primeira empresa do mundo a encontrar e produzir petróleo e gás abaixo da camada de sal na costa brasileira, o que é verdadeiro. Desde 1º de setembro de 2008 a Petrobras extrai petróleo de reservatório localizado no pré-sal da Bacia de Campos, no campo de Jubarte, litoral sul do Espírito Santo.


Em 1º de maio deste ano, a Companhia começou a produzir petróleo em Tupi, no pré-sal da Bacia de Santos, em profundidade de água de 2.140 metros. Ao longo de 15 meses, o teste de longa-duração (TLD) de Tupi recolherá informações técnicas para o desenvolvimento dos reservatórios descobertos pela empresa na Bacia de Santos. O FPSO BW Cidade de São Vicente, que opera no TLD, tem capacidade de produção de 30 mil barris de petróleo por dia.


As reservas da bacia de Santos são previstas em 80 a 100 milhões de barris e esse patrimônio não existiria não fosse a atuação e uns valentes do povo para os quais o petróleo viscoso e rendoso sempre foi uma imagem distante e ideal. Desde 1979 o pré-sal é encontrado em águas rasas e havia ausência de tecnologia para exploração profunda, causando pífios resultados agora revertidos. Permitindo que o petróleo seja vendido com maior valor agregado, evitando-se a venda de óleo cru. Cerca de 80% do petróleo brasileiro está no mar e o valor do barril é de 73.89 dólares na média dos últimos dez meses, com mais de 50% abaixo do valor real.

Seria confortável para Lula elevar as receitas do petróleo imediatamente prosseguindo com os leilões iniciados por FHC, mas a visão do futuro o fez modificar a legislação para em médio e longo prazo reverter o processo econômico brasileiro. Na atual lei de FHC, ganha o leilão quem pagar mais, n novo marco regulatório – que traz implicações econômicas, mercadológicas, tecnológicas e ecológicas, possíveis desdobramentos para a Petrobras e o Brasil - ganha quem, der mais para a União em petróleo, que só vão produzir efetivamente recursos em 2015, mas vão produzir pra o Brasil.


A reorganização agora da Quarta Armada da Marinha norte- americana, fundada em 1943 e desfeita em 1950 traz ameaças, impondo uma reestruturação da defesa nacional. Lula quer distribuir os royalties para todos e não apenas para os estados e municípios produtores.


São 114 mil Km2, 25,5% concedidos para exploração, restando 75,5% para a Petrobras, 84.917 Km2, 26.294 para Petrobras e parceiras. Vai dobrar a produção nacional e o fato é decisivo na alteração do mercado energético mundial, quando o Brasil vai subir do 14º lugar para o quarto com os 5 a 8 bilhões de barris previstos para a área.


O novo marco prevê uma estatal do petróleo, fundo educacional, combate á pobreza e inovação tecnológica e foi lançado no último dia 31 de agosto, após um ano de debate, sob forte oposição das empresas estrangeiras e da oposição. Nele, a Petrobras é a única operadora e é dona de um mínimo de 30% do petróleo, embora possa participar de todos os leilões e fazer 40, 50% ou tudo.


As operações são gerenciadas por um antigo, ascendente e jovem funcionário de carreira, José Luiz Marcusso, gerente da Unidade de Negócios local desde sua instalação em 2006, que deveria ter seu nome na bacia que criará 59 mil postos de trabalho até 2020. A primeira plataforma de petróleo deve chegar logo em Ilhabela e haverá um terminal alfandegado na Alemoa, construído pela Petrobras. Santos também terá um laboratório de Geologia, na memória de um dos grandes geólogos da história que foi o santista José Bonifácio.


O petróleo está de cinco quilômetros de profundidade, três na água e dois na rocha e tem 28,5 de IPI, índice do American Petroleum Institute. O setor hoteleiro vai investir 83 milhões de dólares em 2011, 99 até 2020, diz A Tribuna em 2/7 deste ano e já utiliza 150 fornecedores. Os royalties para Santos foram de 1.334.432.79 reais, em 2005. E em 2006 4.619. 965,60 reais, 321.608,98 reais em 2007 e 2.494.894,83 em 2008.


Santos terá em breve uma sonda para capacitação de pessoal. A bacia descoberta vai de Cabo Frio no Rio de Janeiro a Florianópolis em Santa Catarina. A bacia de Tupi está nesta área e dos dez poços explorados lá a Petrobrás tem sócios em nove. A produção de dois milhões de barris dia será de quatro milhões em 2020.


A Petrobras vai construir na cidade três torres onde atuarão seis mil funcionários e terá geólogos, geofísicos, técnicos de manutenção, eletricistas, perfuração, soldagem e pintura. Serão três torres com 17 andares cada e entrega marcada para 2012, primeiro semestre. A área de 25 mil m2 fica na Rua São Bento, Marquês de Herval, Christiano Otoni e Augusto Barata, no histórico bairro do Valongo. Já foi inaugurado o laboratório de petróleo pela Unisantos para 200 alunos.


Seis sondas já operam em Tupi e a meta de produção da Petrobras é 2,05 milhões e barris dia em média anual, como declarou o diretor da Petrobras Almir Barbassa. Um bilhão de barris diários em 2018 fará a arrecadação do Estado chegar a um bilhão de reais. A bacia de Santos receberá 40 bilhões de dólares de investimento em cinco anos, 80 bilhões de reais. O trabalho de extração deverá durar 16 anos, segundo Marcusso e a Petrobras – que tem a melhor tecnologia do mundo no setor – vai explorar petróleo nos EU e na Venezuela


A Lei dos Royalties, 7.990/89, reserva 5% da receita para estados, distrito federal e municípios, destes sete décimos para estados, 20% para cidades produtivas e 10%$ para as cidades que tem portos marítimos ou terrestres. Os municípios receberam 5,85 bilhões de reais em “participação especial” – 40% da receita líquida do campo dependendo da renda e da localização e tempo da exploração.


E de onde vem esse petróleo? É a união de sedimentos em torno dos continentes separados. Há mais de cem milhões de anos se formou um antigo lago de 800 km2, após a separação da Pangéia – o continente único - e o surgimento dos continentes do Brasil e África. Há 97 milhões de anos as águas salgadas do oceano invadiram as lagoas doces surgidas da separação e colocaram sal sobre o material orgânico, que ficou lá até agora. Era a visão de D. Bosco.


(*) Paulo Matos
Jornalista, Historiador pós-graduado e Bacharel em Direito
E-mail: jornalistapaulomatos@yahoo.com.br
 Fone 13-38771292 – 97014788

sábado, 12 de setembro de 2009

O NECESSÁRIO DEBATE SANTISTA DO PETRÓLEO

O NECESSÁRIO DEBATE
SANTISTA DO PETRÓLEO
Paulo Matos (*)



Foi oportuna a promoção em Santos do debate “Pré-sal e Brasil”, na Associação Comercial, incorporando setores, na data marcante por todos os motivos de 11 de setembro. Há poucos dias da edição pelo Governo Lula da proposta do novo marco regulatório do setor, embora forçado a retroagir na urgência necessária. A iniciativa foi do grupo Ação Socialista do PSB, com apoio da OAB, às vésperas de outra data histórica.

Essa data é 29 de setembro de 1949, quando em uma manifestação do movimento “O petróleo é nosso”, então proibido pelo governo e realizado na bacia do Macuco, em Santos, ocorreu o assassinato pela polícia do ensacador e membro do PCB Dioclécio Santana. Que veio a se somar aos que tombaram pelo país inclusive misteriosamente, lembra Monteiro Lobato, por dizer que existia sim esta riqueza subterrânea redentora – um dos primeiros mártires do país.

Foi aqui, na terra do Centro de Defesa do Petróleo, fundado localmente em 21 de fevereiro de 1949 - na data da conquista de Monte Castelo -, presidido pelo Expedicionário e revolucionário Aldo Ripasarti após forte repressão, obrigando a desistências.

Ao contrário, foi a atitude de coragem de muitos militantes ideológicos anônimos que possibilitou a grandeza da descoberta da expansão do petróleo no mar e, agora, da camada de pré-sal. Multiplicando várias vezes a capacidade de produção brasileira desde a descoberta em 1939, em Lobato, na Bahia - homenagem casual.

Esta é uma descoberta que embora tenha sido feita como antevisão de um padre italiano décadas antes da sua descoberta, a milhares de quilômetros, nada tem de metafísica, senão no aspecto simbólico. O primeiro homem que viu - da Itália - as tremendas reservas de petróleo do Mato Grosso, escreve um artigo na página dois do número inicial do “Jornal do Petróleo” de 1937, foi o fundador da Congregação Salesiana, D. Bosco, hoje São João Bosco, em 1883, em um sonho 56 anos antes da descoberta.

A ausência no debate santista do ex-presidente do BNDES Carlos Lessa, que teria valiosa contribuição, foi compensada pela do engenheiro Osires Silva, ex-ministro e presidente da Petrobras e da Embraer, mais o presidente da Associação dos Engenheiros a Petrobras, Fernando Siqueira. Que fez um retorno aos tempos do que chamou o maior movimento social do país, nos anos 40, chamado “O petróleo é nosso”, aliás, criado por integrantes do PSB.

Santos, que de cidade portuária será cidade petroleira, como afirmou Osires Silva, observamos nós perdeu uma década por apenas ironizar, durante muito tempo, a descoberta do petróleo em sua bacia marítima - não estimulando a formação de mão-de-obra. No país, já não haverá tempo para formação dos técnicos necessários, cerca de 40 mil, para esta imensa operação, muito menos em Santos. A falta foi de visão e compromisso e não de verbas, repetindo nossa tragédia histórica.

O país viveu a mesma situação há 60 anos, perdendo por este motivo a corrida com os Estados Unidos, que antecipou a sua descoberta do petróleo em 1859 por George Bissel, que já o pesquisava desde 1853. E que um ano depois já tinha 174 poços abertos. A Venezuela entra no mercado em 1922. O Brasil iniciou esta história um ano antes dos Estados Unidos, em 1858, quando o Marquês de Olinda concedeu a José de Barros Pimentel o direito de extrair betume em terrenos situados ao lado do rio Maraú, na Bahia. Todos os países a América do Sul já o exploravam, mas aqui a ordem era que ele não existia.

Descoberto finalmente em 1939, a prospecção foi atrasada ao máximo, como descreve seu maior incentivador Monteiro Lobato - o que antecipou sua existência em seus personagens infantis, como no livro “O poço do Visconde”. Denunciando a lerdeza proposital, imposta por interesses norte-americanos, dos dirigentes do antecessor da Petrobras no setor.

Era o Conselho Nacional de Petróleo, dirigido por Fleury da Rocha, de triste memória, no livro “O escândalo do petróleo e do ferro” – preso por isso. Em 1938, durante o Estado Novo, o Estado Maior das Forças Armadas elaborou um depoimento levantando a necessidade de uma política para o petróleo e propondo o monopólio estatal – que só viria em 1954, com a Lei 2004 criando a Petrobras.

A questão que se apresenta é quantos anos serão precisos para alcançarmos os níveis de progresso popular e avanço social decorrentes desta conjuntura – e sua necessária alternância dos níveis de progresso alcançados pelos centros do capitalismo mundial em função dessa apropriação energética. Que não poderá ser de uns poucos e nem de desperdício deletério dos bens naturais.

Não há espaços no planeta para uma China igual aos Estados Unidos com seus automóveis e tecnologias. Precisaríamos de dois planetas, 2,5 se o Brasil igualar-se. Essa visão catastrófica é, entretanto, redentora: ou promovemos o progresso popular ou outro não nos servirá, apenas de túmulo da história.

As ideologias chamadas utópicas outrora tomam forma concreta, mesmo porque os processos de consumo exigem-se modificados, com sua incorporação igualitária pelas camadas populares. Inclusive para disciplinar a ocupação dos espaços e seu usufruto, tornando-os possíveis em termos sustentáveis - na instauração de um sistema econômico impregnado de sentido de justiça, que atenda a cada um segundo sua necessidade, na contribuição segundo sua capacidade.


(*) Paulo Matos
Jornalista, Historiador pós-graduado e Bacharel em Direito
E-mail: jornalistapaulomatos@yahoo.com.br
Blog: http://jornalsantoshistoriapaulomatos.blogspot.com. É autor do livro ainda inédito “Verão Vermelho – 0s 60 anos da luta O petróleo é nosso, que inclui exemplares originais do “Jornal do Petróleo”, de Monteiro Lobato, de 1937 - em posse do autor.
Twitter: http://twitter.com/jorpaulomatos
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terça-feira, 8 de setembro de 2009

ENCRUZILHADA: MUDAR A HISTÓRIA?

ENCRUZILHADA: MUDAR A HISTÓRIA?
Paulo Matos (*)


Equivocam-se os que julgam que o questionamento da legitimidade da votação da proposta de mudança de nome do bairro Encruzilhada o seja apenas documental. Se verdadeira quanto aos nomes apostos entre os que assinaram a opção.

É pública e antiga a tradição do nome de João Otávio e de suas posses, menos que o destino diverso ao seu testamento dado ao Escolástica que construiu e Julio Conceição inaugurou em 1907 - mas esta é outra história, que não pode esquecer a encruzilhada entre o “Caminho Velho” e o “Caminho Novo” – origem do nome.

Desconhecem estas pessoas, por exemplo, a existência de leis que disciplinam o assunto, assim como desconhecem a história. A se seguir nesta toada vamos tirar as barbas e bigodes de nossos personagens históricos, de Brás Cubas a Martim Afonso.

Desconhecem, também, que a mudança do nome de um logradouro exige um abaixo-assinado de parcelas representativas de seus moradores – até mesmo de uma rua ou praça -, de acordo com a Lei Complementar 390 / 2000, de 18/05/2000 que regulamentam os Incisos V e VII do Artigo 20 da Lei Orgânica do Município.

É falaciosa a tentativa vã de alterar o nome do histórico bairro da Encruzilhada, assim chamado desde meados do século XIX, na falácia da associação do nome com religiões ligadas as origens escravocratas que nossa sociedade manteve e que tenta esconder.

As origens do repúdio ao nome tradicional - adotado como oficial a partir de 1968 com o Novo Plano Diretor, no mandato do prefeito Silvio Fernandes Lopes -, remontam ao conflito religioso como o que ocorre na Bahia, em Salvador. Lá, sempre que há mortes de peixes no Dique do Tororó querem atribuir o fato às estátuas de matiz africano presentes no local, do escultor Tati Moreno.

Se lembrarmos que foi uma disputa religiosa que causou o genocídio judaico, originada na disputa entre católicos e judeus pelo predomínio da fé desde a época de seu surgimento, ficaremos mais alertas a este tipo de perseguição. A Encruzilhada dos antigos campos do XV de Novembro e do Praia, onde está o Conjunto Residencial Ana Costa, das praças Almirante Tamandaré e Champagnat vai seguir assim.

MAURICE, POR PAULO MATOS, EM DEPOIMENTO AO MUSEU DE IMAGEM E SOM DE SANTOS - MISS

MAURICE, POR PAULO MATOS, EM DEPOIMENTO AO MUSEU DE IMAGEM E SOM DE SANTOS - MISS
Paula Matos (*)

1997 – 2009: 12 ANOS SEM MAURICE. Quem pode esquecer?



Na nossa intenção de resgatar a memória recente desta cidade , assim como sua relação com o cinema não poderia estar ausente o nome do mais santista do que francês Maurice Armand Legeard, desaparecido em 25 de Maio de 1997. Personagem das libações alcoólicas, mas de extrema lucidez, com quem tantos conviveram nas sessões de arte do Clube de Cinema e da Cinemateca de Santos por mais de meio século. Ídolo da esquerda, questionava até os dogmas que acreditávamos, como os do socialismo autoritário.


“Pensar dói?”, perguntava Maurice, ácido e provocador. Nas suas sessões, não era preciso saber o filme para ir assistir. Na fila, Paulo distribuía muito discretamente o clandestino jornal “Resistência”, da ALN. Dia destes, presenciei o depoimento de Paulo Matos ao Museu de Imagem e Som de Santos sobre o período histórico de 1968. E ao falar de Maurice e dos heróis de 68 que morreram torturados, Paulo chorou. Não acreditava na sua finitude e na dos heróis, coisas de juventude. Era Paulo Matos, Paulinho, hoje jornalista, historiador pós-graduado e bacharel em Direito.


No cinema, Malle, Truffaut, Polansky, Resnais e Milos Forman retiram seus filmes do Festival de Cannes, em apoio ao movimento estudantil que toma Paris. Jean Luc Godard, Sartre, Gravas e Russel, Cohn Bendit e Bertolucci, entre outros, ajudaram a luta armada no Brasil, em sua fase de organização, doando fundos. Cantávamos a Marselheise após a vitória no grêmio do Colégio Canadá. Era 1968. (do conto de Paulo Matos, “1968 em flashback”)


Cinéfilo inveterado, alcoolista de profundas tosses freqüentes e que o levaram, habitante da Ponderosa e subversivo tolerado na época repressiva do final dos anos 60 e início dos anos 70, Maurice, intelectual da esquerda,era genial. São suas as citações: “Não tem velho e não tem novo, não tem homem ou mulher nem gordo nem magro, nem colorido ou preto e branco. Só tem dois tipos de gente o burro e o inteligente, filme bom e filme ruim”. No Dia do Trabalho em plena Ditadura trazia “Spartacus”, o filme da rebelião dos escravos na Roma antiga.


Maurice foi júri do Festival do Cinema Brasileiro em Santos em 1970, 99% de chanchadas eróticas financiadas pela EMBRAFILME. Tinha também o genial Sérgio Ricardo com “Juliana do amor perdido”, que ele brigou para fazer ganhar. Nesta época a vida era na Ponderosa, um restaurante do Gonzaga do Demétrio em que habitava a esquerda e onde iam espionar os discretos agentes do DOPS, a polícia política. “De lá saiamos para as ações”, diz Matos, personagem dosa tempos do “Chapinha” Maurice, de seus conhaques e “canjibrinas” da madrugada, “mas sempre inteligente“.


1968: barricadas fecham as ruas, mas abrem o caminho.É maio, é Paris.


Maurice convivia na Ponderosa junto com um monte de gente interessante da dança, do teatro, da música, da poesia, do jornalismo, da música erudita e popular, mas, principalmente, da contestação e da ação revolucionária para quem, recorda, tudo o mais era meio para atingir o socialismo. “Foi um período histórico marcante e inesquecível de sonhos de revolução e solidariedade”, lembra. “Na Ponderosa começava e terminava o mundo”, sugere Matos. No sábado a meia-noite, depois da sexta-feira santa, o anticlerical Maurice trazia o filme de Pasolini, o “Evangelho segundo São Mateus”.


POR UMA PRAÇA PARA MAURICE


“Agora, diz o biógrafo, buscamos o apoio para perpetuar Maurice no Gonzaga. Pensamos na esquina da Avenida Marechal Deodoro com a Rua Euclides da Cunha, mas não deu certo. “Iríamos fazer lá a Praça Maurice Legeard e, na inauguração, uma sessão ao ar livre - como no filme que conta uma história semelhante a de Maurice, “Cinema Paradiso” - uma homenagem ao cinema a este iluminista da linguagem da arte dos fotogramas”, depõe Matos. Foi Matos que escreveu a matéria do final de Maurice, que ele pediu para ler antes de morrer. “E aprovou”, testemunha o autor.


Matos e amigos de Maurice como sua filha Patrícia Legeard, Argemiro Antunes, o escultor Luiz Garcia Jorge, o pintor Juraci Silveira, Carlos Brizola (que mantém uma banca-sebo na Rua Bahia com cenários de Maurice, em arte de Miro), Julio Bittencourt, o pai, Narciso de Andrade (já falecido), Helver Savietto e Francisco Teles Barreto, o Teles dos Festivais Musicais dos anos 70, formaram em 2007 uma comissão para criar a Praça para Maurice. “O escultor Luiz Garcia Jorge, companheiro de época, já ofereceu a placa de aço com a imagem deste intelectual polêmico do cinema para que se instale uma Praça com o nome de Maurice”.


Na Ponderosa estavam, segundo Matos, desde os comunistas aos católicos progressistas, fizemos aqui o movimento “Ação, Justiça e Paz” de D. Helder Câmara, o arcebispo socialista e benemérito de Olinda e Recife chamado de “Bispo de Passeata” nas crônicas de Nelson Rodrigues. Chamavam este francês de “Morrice”, o filho de Morricette e Emíle, figura magistral, bebedor diário. E Paulinho foi seu tiete, admirador, companheiro, biógrafo e aliado incondicional, funcionário do Clube de Cinema e aprendiz na sétima arte e em todas as artes.


“Introdutor da linguagem maior da sétima arte, parte da ressurreição intelectual do pós-guerra, contemporâneo das maiores expressões da cidade na atividade cultural, nós pedimos uma Praça para Maurice – no Gonzaga”, diz o jornalista, “ele que formou gerações com seus filmes políticos e históricos”, comentou o entrevistado. Que foi um inseparável companheiro diário das noites e madrugadas da esquerda santista de Maurice, reunida no mesmo Gonzaga que fora do “Lanches Regina”, na Praça Independência, como Plínio Marcos e tantos artistas e políticos locais – nesta fase na Ponderosa. Maurice foi fundador em Santos de um dos primeiros cines-clube brasileiros em 1948, como se registra no histórico destas entidades no Brasil de Lunardelli - então importante pólo disseminador de educação, cultura e informação.


Matos encontrou, em 1968 este Paulo Francis local, o intelectual questionador e polêmico Maurice Armand Marius Legeard anarquista e questionador da “verdade” dos comunistas de então. Mas ele esteve à frente da passeata de cinco de julho de 1968, em repúdio a assassinato do estudante de 16 anos Edson Luiz de Lima Souto no Rio de janeiro, no restaurante “Calabouço”.

MAURICE MILITANTE DE 48. E DE 68.

Paris, 68: Amai-vos uns em cima dos outros Maurice, contestado da direita e da esquerda a qual se alinhava, estava na histórica primeira passeata pós-64 junto com Gastone Righi, Francisco Prado, Antonio Francisco Campos, Corte Real, Nelson Mattos e outros intelectuais, políticos e artistas da cidade. Foi organizada pelo Centro dos Estudantes de Santos e entidades estudantis. Na manchete dos jornais no dia: “Costa (o então ditador militar Costa e Silva) proíbe as passeatas em todo o país”. Mas Santos fez.

Argemiro Antunes, o Miro, desenhista e sucessor de Maurice que o acompanhou por toda a vida e fez os cartazes dos filmes das “sessões vampiro”, apelido de mau-gosto para as sessões da meia-noite, escreveu uma história em quadrinhos sobre o francês genial. Antonio Francisco Campos, o dono da rede de cinemas, sabia da importância da cultura cinematográfica e cedia a sala para sua expansão, que se fez por muito tempo. Foi Maurice o criador da “sessão da meia-noite”, que se expandiu pelo país em época de grande sucesso.

“Rapazote, funcionário do Expresso Luxo, Maurice se integrou ao grupo que, em 16 de outubro de 1948, havia fundado o Clube de Cinema de Santos. Segundo Maurice, uma das primeiras expressões do movimento cineclubista brasileiro, logo após o surgimento de entidade similar no Rio de Janeiro - integrado pelo poeta e diplomata Vinícius de Moraes. Secretário do cônsul francês e funcionário da Associação Franco-Brasileira, amante e profissional da fotografia, no entrosamento com a intelectualidade que renascia, resultaria o introdutor cultural da nova linguagem”, lembra Matos.

“A memória de Maurice está nas sessões de arte do Cine Posto 4 criado em 1991, instalado quando ainda era vivo, cultivando o cinema de arte mas que levaria o nome de um crítico de cinema formado em suas sessões, Rubens Ewald Filho. Mas Maurice achava modesto demais o cinema, pequeno e menor do que a onda do Cinema de Arte que ele criara desde a fundação do Clube de Cinema de Santos, diz Paulo, em 16 de outubro de 1948”.

PAULO CONTA MAURICE


“Maurice, que durante quase meio século promoveu a cultura cinematográfica na cidade – para a que trouxe o que de melhor a sétima arte construiu desde os irmãos Lumiére -, nasceu nos arredores de Paris em nove de abril de 1925 e veio ainda pequeno para Santos, com seis anos. Amigo e companheiro de Patrícia Galvão e da intelectualidade que renascia no pós-guerra, foi um dos motores desse renascimento intelectual – livre-pensador e combatente social”.


O filho de Mauricette e Emile era, como Patrícia Galvão, o militante do ideal, como era chamada a atriz e revolucionária dos anos 40 – sobre quem ele debruçou-se ao caixão e o fez desabar. Maurice educou gerações com o melhor cinema, colocado à margem pela estrutura comercial da área – o chamado cinema de arte – tendo sido o criador no Brasil da sessão da meia-noite, no cine Roxy.


Campos, o cap dos cinemas, dono da rede, sabia da importância da cultura cinematográfica. Maurice era o rei da intelectualidade nascente de então, referencial libertário.


“Maurice, o Gurú dos Gurís, como foi chamado no curta-metragem rodado nos anos 80, foi companheiro de Roldão Mendes Rosa (o sócio número 1 do CCS), na equipe de Rubens de Ulhoa Cintra, Gastão Frazão, Nelson e Armando Sá, entre outros. Contemporâneo de Plínio Marcos e do compositor Gilberto Mendes, a partir de 1954 passaria a dirigir o Clube de Cinema sozinho, morando junto, o que fez até os anos 80 – quando os planos de abertura não deram certo e Maurice se afastaria para fundar a Cinemateca de Santos – em janeiro de 1981”, relata Matos.


O Clube em breve desapareceria; restaria, ativa, a Cinemateca. Tempos de mudanças múltiplas, tempos difíceis, do apartamento na Ana Costa ao SESC, uma sede na Rua Pará – em que ele exibia filmes para as crianças, como o Sinfonia Amazônica -, e Cadeia Velha, até a sede no bairro do Mercado, na Rua Paulo Gonçalves 22 – dirigida por sua filha Patrícia Legeard, a Zuzuca - mantida pela Prefeitura, em uma rua sem saída. Hoje existe uma sede da Cinemateca no bairro do Campo Grande, mantida pela Prefeitura e (bem preservada por Patrícia e Renato. E Tiago, o neto de Maurice.


CLUBE DE CINEMA DE SANTOS, 20 ANOS EM 1968.SOU MARXISTA DA TENDÊNCIA GROUXO, ESCREVE PARIS.


Diz ainda o biógrafo de Maurice que “nos tempos que estive no Clube, eram até cinco sessões semanais em cinemas e entidades, com sua máquina de 16 milímetros que ele mesmo operava. Uma de suas últimas grandes realizações foi a antologia do cinema no Sindipetro, inaugurada massiva e festivamente com “Os Companheiros”, de Monicceli, que terminava ao som da “Internacional Socialista”. Depois, as pessoas desapareceram. Eram outros os tempos, que achei possível repetir. Mas como escreveu Marx...”


“Na sede do Clube de Cinema, hoje na Cinemateca, ilustra o jornalista, um acervo de quase mil filmes de arte em vídeo, livros, arquivos jornalísticos de atores, diretores, técnicos, coletados diariamente durante décadas e cuidadosamente fichados. Hoje acrescidos de milhares de CDs com os filmes mais importantes da história do cinema. Tem também e desenhos do artista-irmão da caminhada cinematográfica nas últimas quatro décadas, Miro – quem elaborava os cartazes dos filmes apresentados nas sessões em obras marcantes”, depõe o amigo.


Tempo do Clube de Arte, cronista do jornal “Hora Santista”, recorda Matos que Maurice recebeu mensagem de Charles Chaplin no final dos anos 60, através do cartunista Dino de “A Tribuna”, que fora visitar o mestre do cinema. “Era um fio condutor de concepções libertárias, que abriu novas etapas no pensamento de tantas gerações, agente do progresso e da civilização do amanhã, era o chapinha das madrugadas - que nunca mais serão as mesmas sem a força de sua contradição, lançada sempre em busca da lucidez”, recompõe emocionado o jornalista.


Paris, 68: Dormindo se trabalha melhor. Formem comitês de sonhos.


“Nessas madrugadas, diz Matos, ele ridicularizou solenes personalidades, irritando os que assumiam sua mediocridade. Que Maurice descobria com seu olhar felino, azul e multicor, como o personagem de Um dia um gato, o filme checo da Primavera de Praga. Estação que, ainda que sem ele, continuaremos a buscar, apesar deste outono sombrio da informação massificada e desqualificada.


Maurice recebeu o título de Cidadão Santista da então vereadora Telma de Souza, que seria prefeita da cidade (1989-1992). Ilustra ainda o biógrafo mauriceano que “sua mensagem não se incendeia como a película de Persona, o filme de Bergmann, lembra o então menino que ingressava na esquerda, mas permanece nas sínteses devassáveis, frondosas e acessíveis e sensíveis deste menestrel dos celulóides”. Seja jovem, cale a boca. 1968 disse não.


“Ousado e luminoso como Weles, lembra Matos, Maurice não tergiversou como Kane, perenizando seu `rosebud´. E nos traz o poema que o amigo e poeta Narciso de Andrade fez em sua homenagem. Esse tigre feroz das madrugadas – como o descreveu o poeta, não briga mais, com diz seu poema:


Tigre feroz das madrugadas, Maurice não briga mais. Podeis passar levianos, com vossos passos melífluos, Maurice não briga mais.
A cidade está tranqüila, na Conde D’Eu e no Outeiro, nas catacumbas do Itararé, nos antros podres do Gonzaga. Maurice não briga mais. Podeis acordar mais tarde, habitantes da grande noite, damas das vielas e das esquinas, frágeis infantes das calçadas, Maurice não briga mais.


Este é o recado que traz o vento frio da madrugada, da madrugada rubra do cais - Maurice não briga mais. Catraieiros do mercado, que levais vossas catraias, ao outro lado do estuário, sem temor da cerração, Maurice não briga mais. Proprietários dos botecos, deixais vossas portas abertas, servi vosso conhaque nas mesas, liberai o papo franco pelas manobras do álcool, Maurice não briga mais. Kurosawa, Bergmann, Fellini, que tristeza, que tristeza, Maurice não briga mais...


A inteligência caminha mais do que o coração, mas não vai tão longe. (Paris, 68)

CEM ANOS DE EUCLIDES DA CUNHA, 112 ANOS DA REVOLUÇÃO DE CANUDOS - I E II

CEM ANOS DE EUCLIDES,
112 DA REVOLUÇÃO DE CANUDOS -I

Paulo Matos (*)


O contato com a terra e o homem na visão da Guerra de Canudos (1893-1897), conflito secular ente sertanejos ocupantes da Fazenda Velha e o Exército. A relatou, em dez milhões de palavras, o jornalista Euclides Rodrigues Pimenta da Cunha. Este livro transformou o jornalista e criou o escritor de “Os sertões”. Que se tornou mundial por sua linguagem e sua história, publicado em dez países e disseminou a idéia do sucesso da organização popular autônoma na comunidade livre do interior da Bahia, ocupada dia cinco de janeiro de 1893 por três mil pessoas. Euclides tombou em um duelo a 15 de agosto de 1909, morto pelo amante de sua mulher, há cem anos.

A manifestação popular dos futuros canudenses, um grupo que seguia Antonio Conselheiro há 20 anos por sete estados nordestinos, havia rasgado os impostos recém-instituídos enviados pelo Governo. E foram atacados pelas as tropas federais em Cumbe, cidade ao lado. A quem derrotaram pela primeira vez com paus, pedras e coragem, levando suas armas. Derrotaram outras duas vezes, até o massacre. Esta comunidade exemplar não propagou seu exemplo. Quando Canudos foi destruído por canhões Krupp, em cinco de outubro de 1897, o núcleo tinha 30 mil almas, extirpada e eliminada a tiros e bombas.

O evento de Canudos superou as revoluções populares brasileiras, provando ser possível, pela auto-organização, o avanço social e a superação da miséria em pleno sertão nordestino explorado pelos coronéis. O local dessa comunidade antevia os ataques militares e, por isso, era estrategicamente de difícil acesso, cercado pelo Morro da Favela. Vem daí o nome do tipo de residência.

Euclides nasceu em Cantagalo, cidade do Rio de Janeiro, em 20 de janeiro de 1866. Foi escritor, sociólogo, repórter jornalístico, historiador e engenheiro. Órfão de mãe desde os três anos de idade, foi educado pelas tias. Freqüentou conceituados colégios fluminenses e, quando precisou prosseguir seus estudos, ingressou na Escola Politécnica e, um ano depois, na Escola Militar da Praia Vermelha.

Em cinco de outubro foram 112 anos do massacre final de Canudos, que exterminou a rica experiência de organização social. As tropas paulistas passaram por Santos e desfilaram em meio a aplausos aos 481 praças e vinte oficiais. Eles iam “defender a República” e destruir com tiros, bombas e degolas – em moda na época, imitava a guilhotina - cinco mil casas, plantações e uma comunidade feliz e produtiva, Belmonte ou Bom Jesus.

Euclides escreveu que "Canudos não se rendeu. Exemplo único em toda a história, resistiu até ao esgotamento completo. Expugnado palmo a palmo, na precisão integral do termo, caiu no dia 5, ao entardecer, quando caíram os seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente 5 mil soldados”.

Era a grande lição de Canudos, a ocupação da Fazenda Velha as margens do rio Vaza-barrís no sertão baiano, em área desenhada para a resistência em meio a um vale, ocupada em julho de 1893 com 300 pessoas que seriam 30 mil em quatro anos. Seria “misticismo religioso” o que os atraia ou o desejo de bem-estar?

O livro “Os sertões” foi publicada em 1902. O relato é sobre o episódio que a recente República quis usar o fato ideologicamente para afirmar-se, tratando o evento como uma suposta rebeldia monarquista, que seria apoiada pelo Conde D Eu em pleno sertão. Euclides inicialmente comparou Canudos à Vendéa, a vila francesa que se opôs à Revolução republicana francesa, ideal republicano que não correspondeu. Os textos são do período em que foi repórter local em Canudos do jornal O Estado de São Paulo.

A realização de Canudos era a reprodução do sonho de Thomas More no livro “Utopia”, que Conselheiro conhecia. Foi a extraordinária experiência comunitária de 30 mil pessoas que alcançaram o progresso social em pleno sertão, cercado pela miséria e que se tornou farta na propriedade comum.


CEM ANOS DE EUCLIDES,
112 DA REVOLUÇÃO DE CANUDOS - II

Paulo Matos (*)


No seu valor e mérito pessoais Euclides absorveu as lições do meio na sua expressão social de que o positivismo a - histórico lhe afastava, engajando-se e projetando o futuro. De conservador positivista que casou com a filha do general Sólon e desafiou o Império, com fé na falaciosa República que tentava imitar a Revolução Francesa sem a sua modernidade, Euclides se tornaria progressista e contestador, denunciador da violência que testemunhou e militante socialista acadêmico em São José do Rio Pardo, contando a Guerra de Canudos ao mundo.

Na primeira fase do livro “Os Sertões”, Euclides expõe sua visão da natureza na forma positivista, para quem o nordestino é um ser deformado pela mestiçagem índia, negra e européia. Mas na segunda parte, depois do massacre, designa o sertanejo como “um forte” que construiu um oásis sertanejo economicamente democrático. Na vivência de uma nova redenção popular da alma, neste caso da vida de milhares.

Este episódio tem sido relacionado a diferentes processos, como o de Maria Araújo e Padre Cícero, que se alinham com Conselheiro ente as lideranças místicas do Nordeste dominado pela religião. A linguagem de Conselheiro é, obrigatoriamente neste meio, simbólica e religiosa, mas rebelde e progressista do Conselheiro organizando percorrendo sete estados e lutando por terra, trabalho e liberdade.

A resistência quatro batalhas em que os guerrilheiros comandados por Pajeú e Macambira venceram milhares de soldados do Exército tomando-lhes as armas, só perdendo na quinta e última batalha para cinco mil soldados de onze estados, é heróica como a história de Maria das Cobras que as criava para lançar sobre os inimigos que defendiam o atraso e o passado. O massacre de 30 mil índios, ex-escravos e sertanejos, marginalizados e reunidos por Antonio Vicente Mendes Maciel, o Conselheiro, por bombardeios de canhões Krupp, é um episódio magistral e expressivo da estrutura social assentada sobre o país semi-feudal do trabalho explorado e oprimido.

A caminhada de vinte anos por sete estados do líder da Igreja Popular Antonio Conselheiro traduz um trabalho de construção social. Não era louco como desavisados historiadores analisam, ao revés de Rui Facó, que enxerga a Revolução em curso no processo ao lado do de Contestado, do beato José Maria e mesmo de Lampião – reconhecendo-lhes origens sociais na contradição com o poder.

A história das cinco batalhas, em que Euclides não presenciou – chegou depois da terceira e antes da quarta - são enfáticas e significativas que se iguala às revoluções européias. Canudos não poderia existir e graças a Euclides irradiou-se como exemplo possível, que aos 112 anos devemos recordar.


(*) Paulo Matos é autor do livro inédito “Santos retoma Canudos”, escrito a pedido do então prefeito David Capistrano no centenário da ocupação em 1993.
É Jornalista, Historiador pós-graduado e Bacharel em Direito.
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NOVO MARCO REGULATÓRIO DO PETRÓLEO, CONQUISTA HISTÓRICA I

NOVO MARCO REGULATÓRIO
DO PETRÓLEO, CONQUISTA HISTÓRICA - I
Paulo Matos (*)



Em 29 de setembro de 2009 se registram os 60 anos do assassinato, em Santos, de Deoclécio Santana - na luta “O petróleo é nosso”, em meio à primeira manifestação santista em 1949. Aos mais de setenta anos do “Jornal do Petróleo” de 1937 e dos sessenta da campanha popular “O petróleo é nosso”, em que Santos teve importante papel, o novo marco regulatório do setor é um ato histórico. Temos agora em nome do povo um dos maiores patrimônios do mundo, que vai dobrar a produção do país, abrindo cenários para a incorporação popular do estado.

Em Santos, foi vital nesta história a presença do principal líder político dos veteranos da Segunda Guerra, Aldo Ripasarti, à frente dos movimentos populares do “O Petróleo é nosso”. Ripassarti foi presidente da Frente de Estudos e Defesa do Petróleo local, que em 21 de fevereiro fez 60 anos da fundação no cine Bandeirantes. Em 1937, Monteiro Lobato escrevia e publicava “O Poço do Visconde”, uma de suas obras infantis, em que seu personagem encontrava o “ouro negro” que fazia fortuna nos Estados Unidos e nos países em redor do Brasil há quase um século.

A campanha pela autonomia brasileira no campo do petróleo foi intensa, uma das mais polêmicas da história do Brasil republicano. De 1947 a 1953 o país dividiu-se entre aqueles que achavam que o petróleo deveria ser explorado exclusivamente por uma empresa estatal brasileira e aqueles que defendiam que a prospecção, refino e distribuição deveriam ser atividades exploradas por empresas privadas, estrangeiras ou brasileiras. A briga não é nova.

Os nacionalistas argumentavam que se o Brasil não criasse uma empresa estatal, fatalmente aquele produto estratégico para o desenvolvimento econômico, seria oligopolizado pelas grandes corporações internacionais, pela Standard Oil, Shell, Texaco, Móbil Oil, Esso, entre outras - e que desta forma o país se veria refém daquelas grandes companhias.

A mobilização da campanha “O petróleo é nosso”, favorável ao monopólio estatal, foi um dos movimentos de opinião pública mais vigorosa da história brasileira. A Constituição de 1946 havia permitido o ingresso dos exploradores estrangeiros na atividade mineral, inclusive na petrolífera, exigindo apenas que a concessionária fosse organizada no Brasil.

Era tempo do Governo Dutra (1946-1951) e de uma economia liberal e pró-americana, inversa à anterior de Vargas. Em meio ao movimento, indiferente a ele, Dutra envia ao Congresso um Projeto de Lei liberal chamado de “O Estatuto do Petróleo”, permitindo a participação do capital estrangeiro até o limite de 40%. Mas em dezembro de 1951, Getúlio Vargas enviou ao Congresso o projeto 1.516, que previa a criação de uma empresa mista, com controle majoritário da União.

Este projeto sofreu um substituto que afirmava um rígido monopólio estatal, excluindo qualquer participação privada nele. Pelo país afora os debates se ascenderam. Finalmente, depois de uma batalha parlamentar de 23 meses, o Senado terminou por aprovar a criação da Petrobrás, sancionada por Vargas - Lei 2.004 - em 03 de outubro de 1953.

Escreveu Lobato que “ninguém acreditava na existência do petróleo nesta enorme área de 8,5 milhões de metros quadrados, toda ela circundada de petróleo nos países vizinhos”. Acaba preso de 1941.
O Brasil só passou a explorar intensamente seu subsolo, igualmente as nações do mundo que o possuíam, após a vitória do movimento “O petróleo é nosso” e a criação da Petrobras em 1953 - com um século de atraso em relação a outros países que enriqueciam com o ouro negro.

O Brasil tinha lentas e modestas atitudes na prospecção do petróleo, em ações movimentadas a partir dos anos 30, retardadas pelos grupos que não desejavam que o país o tivesse – o que era evidente em seu amplo território, em face da existência do óleo nos países em redor. Para descobrir o poço de Lobato em 1939 se levou anos. No final do século XIX, dez países no mundo já exploravam petróleo. Aqui, Monteiro Lobato denunciava o atraso proposital, preso pelo tom de suas denúncias – que fariam o futuro.



(*) Paulo Matos
Jornalista, Historiador pós-graduado e Bacharel em Direito
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NOVO MARCO REGULATÓRIO DO PETRÓLEO, CONQUISTA HISTÓRICA II

NOVO MARCO REGULATÓRIO
DO PETRÓLEO, CONQUISTA HISTÓRICA - II
Paulo Matos (*)



O movimento “O petróleo é nosso” de 1947 formou uma entidade com sedes em todo o país denominada, inicialmente, Centro de Estudos e Defesa do Petróleo e da Economia Nacional, cuja fundação em Santos fez 60 anos em 21 de fevereiro. É desse esforço nasceu a Petrobras e a efetiva exploração do petróleo nacional, na luta de Monteiro Lobato que criou três companhias do ramo e passou a ser obstado pela criação do Conselho Nacional de Petróleo em 1938, que para ele fazia a política da Standard Oil americana.


É que as coisas por aqui andavam devagar: os Estados Unidos iniciaram a exploração do petróleo em 1859 e um ano depois já tinham 174 poços e dezenas de companhias novas. Isso enquanto o Brasil abriu o primeiro poço em 1938 e, escreve Lobato no livro “O escândalo do petróleo e do ferro”, “um ano depois estava com três poços a menos e três companhias feridas de morte pelo Conselho (Nacional de Petróleo, criado neste ano)”.


Foram 89 anos entre o primeiro poço e a criação da Petrobrás, que inicia de fato a exploração do subsolo. Até sua fundação o país importava 93% dos derivados que consumia, apesar dos 52 poços aqui prospectados. Para se ter uma idéia, em novembro de 1860 havia 75 poços de petróleo funcionando em Oil Creek, nos Estados Unidos, quinze meses depois da descoberta em 1859 pela Pensylvânia Rock Oil Company.


Nesta época e por muito tempo o Brasil andava em passos de tartaruga na questão, desprezando seu mel. A marcha para exploração era lenta e restringida. Lá eles saltavam de 450 mil barris em 1860 para três milhões em 1862, com preços se multiplicando dia a dia. Os pioneiros acumulavam imensas fortunas, tempo da Standard Oil e de Jonh David Rockfeller, que controlavam 90% da refinação em 1890.


Aqui, o movimento “O petróleo é nosso” foi integrado por amplos setores sociais, de estudantes e intelectuais ao movimento operário, militares e toda a sociedade civil. Defendia que o Brasil tivesse uma atitude em relação ao seu “ouro negro”, cobiçado pelos Estados Unidos, para quem não era interessante que o Brasil extraísse petróleo de seu subsolo – que iria precisar no futuro.


Assim como o ouro retirado do Brasil pelos portugueses durante a época de colonização serviu à Revolução Industrial e à formação das potências mundiais, o petróleo explorado pelas chamadas “Sete Irmãs”, as grandes empresas petrolíferas mundiais, açambarcavam todo o mundo de 1908 a 1950 – e foram vitais para a construção do poder capitalista.


Em 1951 ocorre a primeira crise mundial do imperialismo na questão, com a nacionalização pelo o primeiro-ministro iraniano, Mosadegh, da British Petroleum. Mas por isso ele seria derrubado em 1953 pela CIA e pelo Serviço Secreto Inglês. Embora derrotada, esta experiência do Irã foi a partida para que se impusessem relações mais justas ou nem tanto na questão do petróleo, na base de meio a meio.


A posição brasileira assumida nesse ano de 1953 com a fundação da Petrobras, o mesmo em que o poder capitalista internacional mostrava sua força no Irã, foi um ato de coragem e ousadia e serviu à construção de uma infra-estrutura que serviu para instalação de novos paradigmas nacionais e internacionais. Esta de 2009 lhe faz reflexo e dá o sentido da retomada popular.


(*) Paulo Matos
Jornalista, Historiador pós-graduado e Bacharel em Direito
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INDEPENDÊNCIA, O RETRATO DO PETRÓLEO NO BRASIL – I

INDEPENDÊNCIA, O RETRATO DO PETRÓLEO NO BRASIL – I
- As origens do atraso
(*) Paulo Matos
7-9-2009


A história da Independência Brasileira, acordada e consentida na continuidade da família Bragança, da monarquia absolutista, da escravidão e dos privilégios, tem episódios que, por si, explicam a nossa tradição conservadora que a impossibilitou. E a impediu de realizar sem avançar. Mas o processo teve exceções como este atual do petróleo, instantes de autonomia nacional difíceis de rejeitar.

Mas diante de argumentos tão lógicos que apenas a esquerda teria inteligência, debaixo de uma chuva de pregos da oposição lacerdista, mesmo assim avançaríamos no processo. Mostrando que sem a principal das reformas, a política, o avanço social será sempre lento. Esta gênese constitui o retrato atual da estrutura de poder do país, mantenedora da tradição oligárquica, parte da qual hoje insiste em uma renúncia da uma posição soberana em relação ao ouro negro.

Repetem-se os argumentos do final da década de 40 e meados dos 50, da luta popular “O petróleo é nosso”, que veio reagir aos adversários do petróleo nacional. Atuaram intensamente, mas tendo revertido a própria opinião de Vargas que mantinha no Conselho Nacional de Petróleo Fleury da Rocha. Uma postura nacionalista que leva o presidente Vargas ao suicídio em agosto de 1954, ano de fundação da Petrobras que escapou de ser “Petrobras” com FHC.

O cenário às vésperas da criação da Petrobras foi o período de luta entre os setores que negavam o petróleo e defendiam sua entrega aos louros de olhos azuis. Mas ocorreu a vitória popular, com a aprovação da norma que a criou, a Lei 2004, em outubro de 1953. O bombardeio ideológico se seguiria, na tentativa de golpe abortada com o suicídio de Vargas. Outros viriam.

Aliás, a vitória da criação da Petrobras veio por unanimidade no Congresso e teve o voto até da antiga oposição. É isso que poderá acontecer no atual debate, diante do argumento imbatível da necessidade de se defender a Independência real como elemento da constituição nacional de infra-estrutura.

O mundo foi modificado e inoculado pelo sonho das independências pelas revoluções democráticas dos iluministas de Crowel na Inglaterra, de Marat da grande Revolução Francesa – a de 1893 e não a de 1789. Mas antes pela Independência dos Estados Unidos, de 1776, no projeto de Jefferson e Adams, na revolta contra a guerra entre a França e a Inglaterra por territórios na nova nação.

No petróleo, essa luta contra a dominação mundial das empresas americanas é em 1932, com a revolta no Irã contra o domínio das “Sete Irmãs” americanas, que se ampliou para outros países. A República brasileira de 1889, que herdou o atraso do escravismo e do sistema de dominação medieval, quis a todo custo imitar a plástica da Revolução Francesa, mas só ela, sem ação transformadora.

A vitória foi sempre a do atraso, no embate entre republicanos monarquistas absolutistas e monarquistas Constitucionais. Eis nosso retrato: decorre da existência nos movimentos políticos brasileiros sempre de duas correntes ideológicas, com vitória das mais atrasadas, comprometidas com o passado obscuro.

Esta é uma realidade que nem as revoluções regionais conseguiram derrubar e uma das mais cruéis tradições malditas que arrastamos que. A elas reagiu a França na sua Revolução ano II de 1793, completando a de 1789. Foi essa Revolução que designou a invenção de Guillotin para os reis presos na torre, assim como todo o avanço decorrente retratado na analise do anarquista Potr Kropotkin no livro “A Grande Revolução” dos jacobinos.

A Grande Revolução implantou desde a Reforma Agrária, com a tomada das terras dos imigrados, assim como a fixação do máximo para os preços. Tudo para construir um grande país quem se formou, mas que se nos dominasse nos faria pequenos. Daí a necessidade da Independência.



(*) Paulo Matos é Jornalista, Historiador pós-graduado e Bacharel em Direito. E-mail: jornalistapaulomatos@yahoo.com.br
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INDEPENDÊNCIA, O RETRATO DO PETRÓLEO NO BRASIL – II

INDEPENDÊNCIA, O RETRATO DO PETRÓLEO NO BRASIL – II
- sem reformular a República não tem jeito

(*) Paulo Matos
7-9-2009

A República aqui, na tradição da Independência, na verdade não tem nada a ver com a francesa frutificada da Revolução de 1789. Ela afirmou-se nos mesmos acordos do Império, como a Independência. Nascemos atrelados e seguimos a toada, sem rompimento.

A República era sim produto da rebeldia dos poderosos com o Imperador. Sua origem era divorciada de qualquer sentido progressista e libertário ocorreu em um mero golpe militar, sem nenhum compromisso com as transformações sociais. A guerra da Independência nos Estados Unidos foi real e renhida, aqui apenas resistências de uns poucos portugueses aquartelados.

A clausula secreta do acordo de Independência era a do pagamento de indenização de dois milhões de libras a Portugal, assumindo uma dívida deste país com a Inglaterra de empréstimo – pasmem - para a mesma Guerra, início do nosso endividamento que levou mais de um século para ser paga. Nosso primeiro passo foi de submissão.

A Independência foi uma idéia construída nas salas da maçonaria que, sabe-se, tinha também internamente estas duas visões – monarquistas absolutistas e constitucionalistas. Existiam os “republicanos legítimos” e os “faz de conta”, que venceram. Eles reagiam com a República ao ataques do Imperador às instituições militares.

O Império foi condenado também por ter abolido a escravatura e a República não se fez na meta do avanço político e social. Em todos os episódios, incluindo 1930, logo foi feito um rearranjo institucional com as classes anteriormente dominantes.

D. Pedro I, fraco, prefere desterrar o principal aliado (José Bonifácio) do que ceder aos seus impulsos republicanos da Maçonaria idem e contrariar os barões. O mesmo D. Pedro I, que tinha baixado porrete na Constituinte de 1824, faz voar o aliado – claro, obedecendo aos constituintes poderosos da mandioca e seu poder. Tanto que irá, quando da renúncia deixando o Reino para seu filho em 1831, indo ser rei em Portugal, chamá-lo de volta para ser o tutor e ocupar o seu lugar, no reconhecimento do erro.

O episódio dos Andradas curvando-se ao canhão na promulgação pelo Imperador da Constituição de 1824, ao invés de se curvar ao imperador presente - razão alegada de sua deportação. Era o reconhecimento da rota equivocada no transcurso que operou neste processo que impuseram a manutenção do poder vertical.

Os “aventureiros” a que se referia D. João quando prevendo a Independência disse “antes tu, Pedro, do que um aventureiro qualquer” eram senão os revolucionários da América como Marti e Bolívar. Estes países optaram pelas independências com república e rompimento com as tradições de atraso e opressão, na senha francesa de Rousseau e Montesquieu.

O Brasil fugiu desse processo e foi para o freezer dos poderosos, conservando suas fórmulas como esta que dá um caráter meramente financeiro à questão agrícola. Por ter essa origem, nosso processo político é o que é. E ponto. Sem reformular esta República não tem jeito.

Paulo Matos
Jornalista, Historiador pós-graduado e Bacharel em Direito
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domingo, 6 de setembro de 2009

ALUNOS DA UNISANTOS PELO DIREITO À REMATRÍCULA

ALUNOS DA UNISANTOS PELO DIREITO À REMATRÍCULA – III
SÁBADO, 5/9/2009
SOME, MULTIPLIQUE, REENVIE – SEJA SOLIDÁRIO!


VIMOS BUSCAR VOSSO APOIO PARA A CAUSA NOBRE DA MANUTENÇÃO NO ESTUDO DE JORNALISMO DE DIVERSOS ALUNOS DA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SANTOS QUE ESTÃO TENDO SUAS REMATRÍCULAS RECUSADAS.


NÃO VAMOS PERMITIR QUE A VIOLÊNCIA DA DITADURA MILITAR SE REPRODUZA NA UNIVERSIDADE. DOS QUE SÓ SABEM CONSTRUIR PRÉDIOS SUNTUOSOS QUEREMOS EDUCAÇÃO!


ONDE ESTÃO OS PRINCÍPIOS CATÓLICOS E CRISTÃOS?


Seja solidário! Se faça presente nesta luta de diversos jovens que querem estudar na sua primeira experiência contra a violência! O Curso de Jornalismo agora diante da não-exigência do diploma deveria facilitar a presença dos alunos e reduzir custos, mas expulsa!


NÃO IMITEM O TACAPE DOS QUE DESPROFISSIONALIZANDO OS JORNALISTAS RASGARAM AS TRADIÇÕES DA ANTIGA ESCOLA DE JORNALISMO DA FAFI QUE SE TORNOU A FACULDADE DE COMUNICAÇÃO


PARA SE TER UMA IDÉIA DO ABSURDO, O DESCONTO VIGENTE PARA IRMÃOS ALUNOS NA UNIVERSIDADE DESAPARECE QUANDO SE FAZ ACORDO PARA PAGAMENTO DOS ATRASADOS.


É CRISTÃO OU CATÓLICO ELIMINÁ-LO NA PIOR HORA?


O advogado responsável pelas negociações de débito sem o que é impossível a rematrícula aceita e depois nega a possibilidade de acordo parcelado, na meta da expulsão dos alunos. Isto pode? E o caráter filantrópico da Unisantos? Como vão as bolsas dos carentes? Continuam indo para os que não precisam?


FOI A COMUNIDADE SANTISTA QUE CONSTRUIU A FUNDAÇÃO SÃO LEOPOLDO E A UNISANTOS, PARA TODOS E NÃO PARA POUCOS

SR. PAPA, SENHOR BISPO, SENHORA REITORA E VICE-REITORA, VEREADORES, DEPUTADOS ESTADUAIS E FEDERAIS, MEC, SEDUC, SECRETARIA DA EDUCAÇÃO DO ESTADO: VAMOS EXIGIR EDUCAÇÃO!


Estes alunos não faltaram a um só dia de aulas neste semestre, cumprindo com todos os encargos com todos os professores, conforme existem registros. A recusa da rematrícula é ilegal e frustra e oprime, o que não deve ser papel da educação católica.


Assim, solicitamos que sejam enviados emails à Universidade Católica de Santos apelando para que seja feita a rematrícula com negociação dos débitos.


Paulo Matos – pai dos alunos

Jornalista, Historiador pós-graduado e Bacharel em Direito

E-mail: jornalistapaulomatos@yahoo.com.br

Fone 13-38771292 – 97014788


ENVIAR AOS EMAILS DOS COORDENADORES E DIRETORES DOS CURSOS

reitoria@unisantos.br,vicereitoria@unisantos.br,dir.com-artes@unisantos.br, coord.econ@unisantos.br, coord.dir@unisantos.br, coord.enfer@unisantos.br, dir.saude@unisantos.br, dir.exatec@unisantos.br, dir.educacao@unisantos.br, dir.jurisocial@unisantos.br, coord.adm@unisantos.br, coord.arq@unisantos.br, coord.bio@unisantos.br, coord.compusis@unisantos.br, coord.contab@unisantos.br, coord.geo@unisantos.br, coord.his@unisantos.br, coord.jor@unisantos.br, coord.letra@unisantos.br, coord.mat@unisantos.br, coord.nutri@unisantos.br, coord.pp@unisantos.br, coord.ss@unisantos.br, coord.rp@unisantos.br, coord.psico@unisantos.br, coord.ped@unisantos.br,coord.computele@unisantos.br,coord.engprod@unisantos.br,coord.farmabio@unisantos.br,coord.nutri@unisantos.br,coord.gestamb@unisantos.br,coord.petrogas@unisantos.br,coord.comext@unisantos.br,coord.logemp@unisantos.br,coord.designint@unisantos.br,coord.compusis@unisantos.br,coord.termport@unisantos.br,coord.civil@unisantos.br, copop@unisantos.br,poseducacao@unisantos.br,posdireito@unisantos.br,ppgn@unisantos.br,saudecoletiva@unisantos.br,coeal@unisantos.br,terceiraidade@unisantos.br,coord.filo@unisantos.br,coord.fisio@unisantos.br


Reitoria

Chanceler - Dom Jacyr Francisco Braido, CS

Reitora - Profª Maria Helena de Almeida Lambert

Pró-Reitora Acadêmica - Profa. Ms. Ermelinda Maura Chezzi

Pró-Reitor Comunitário - Prof. Cláudio José dos Santos

Pró-Reitor Administrativo - Prof. Marcos Medina Leite

Pró-Reitor de Pastoral - Dom David Picão

Secretário Geral Executivo - Prof. Henrique Noé de Almeida

Secretária Geral de Registros Acadêmicos - Profª Maria Salgado Paz

Diretores de Centros Ciências da Comunicação e Artes Arquitetura e Urbanismo; Jornalismo; Publicidade e Propaganda; Relações Públicas; e Tecnológico em Design de Interioresv -Diretor: Prof. Dr. Ouhydes João Augusto da Fonseca

Ciências Jurídicas e Sociais Aplicadas Administração; Ciências Contábeis; Ciências Econômicas; Direito; Psicologia - Formação Psicólogo; Serviço Social; Tecnológico em Logística Empresarial; e Seqüencial de Formação Específica em Gestão de Terminais Portuários - Diretor: Prof. José de Oliveira Silva

Ciências Exatas e Tecnológicas Ciências da Computação; Engenharia Civil; Engenharia Elétrica (Computação e Telecomunicações); Sistemas de Informação; Química Tecnológica; Seqüencial de Formação Específica em Tecnologia e Gestão em Redes de Computadores; Tecnológico em Petróleo e Gás; e Tecnológico em Gestão Ambiental. Diretor: Prof. Me. Sérgio Novita Fortis

Ciências da Saúde Enfermagem e Obstetrícia; Farmácia; Fisioterapia; Nutrição; Seqüencial de Formação Específica em Gastronomia - Diretor: Prof. Dr. Paulo Ângelo Lorandi

Ciências da Educação Licenciaturas: Ciências Biológicas; Filosofia; Geografia; História; Letras; Matemática; Pedagogia; Psicologia; e Química. Bacharelados: Ciências Biológicas - ênfase em Meio Ambiente e ênfase em Biotecnologia; Filosofia; Geografia - ênfase em Análise Ambiental, História; e Tradução e Interpretação. Diretor: Prof. Me. Dráuzio Costa Pires de Campos


BUSCAMOS SEU APOIO

FONE 38-77-12-92


BRUTALIDADE ILEGAL


UNIVERSIDADE CATÓLICA QUER IMPEDIR ALUNOS DE ESTUDAR

PAULA MATOS E PAULO MATOS JR. ESTÃO SENDO IMPEDIDOS DE SE REMATRICULAREM NO CURSO DE JORNALISMO DA UNISANTOS

DEPOIS DE ENROLADOS E A 3 DIAS DO FIM DO PRAZO LEGAL, UNIVERSIDADE RECUSA-SE A ACEITAR A MATRÍCULA

ELES NÃO PERDERAM UM DIA SEQUER DE AULA, FIZERAM TRABALHOS E ATENDERAM REQUISITOS EM TODAS AS MATÉRIAS. É ILEGAL INTERROMPER ESTE ESTUDO!

MATRÍCULA JÁ!


ALUNOS DA UNISANTOS NA LUTA PELO

DIREITO À REMATRÍCULA – II

04/09/2009

VEM BUSCAR SEU APOIO!


FACULDADE SOLIDÁRIA - NÃO A ALUNOS NA RUA - FILANTROPIA DE VERDADE


PELA VIOLÊNCIA NOSSO AMOR NÃO VAI MORRER


ONDE ESTÃO AS BOLSAS DA FILANTROPIA DA UNISANTOS OBRIGADAS POR LEI?


Senhores:


PAULO E PAULA MATOS QUEREM FAZER A REMATRÍCULA NO CURSO DE JORNALISMO DA UNISANTOS, A UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SANTOS.

PARA ISSO VÃO PEDIR JUSTIÇA AO MEC, AO BISPO E À SECRETARIA DA EDUCAÇÃO E ATÉ O VATICANO - AOS DEPUTADOS FEDERAIS E ESTADUAIS E À COMUNIDADE QUE COM SUAS DOAÇÕES CONSTRUIU A UNISANTOS, HOJE MOVIDA POR INTERESSES PRÓPRIOS.


ESSE DIREITO DE REMATRÍCULA ESTÁ SENDO NEGADO ILEGALMENTE, POIS OS ALUNOS ESTÃO FREQUENTANDO E PARTICIPANDO DAS AULAS DESDE O INÍCIO, O QUE PROVAM. POR ISTO, VAMOS AO MEC E À SECRETARIA DE EDUCAÇÃO DISCUTIR ESTE ENTRE OUTROS FATOS.


SEUS NOMES ESTÃO NAS LISTAS DE PRESENÇA E EM TRABALHOS EM TODAS AS MATÉRIAS, NÃO FALTARAM UM SÓ DIA – MESMO OS QUE AS AULAS FORAM SUSPENSAS. APESAR DISSO NEM REITORA – QUE ESTÁ NO CHILE - NEM A VICE ATENDEM PARA O DIÁLOGO.


O PROCESSO É TÃO OBSCURO QUE A ALEGAÇÃO DA NEGATIVA FOI O ATRASO PROVOCADO PELAS NEGOCIAÇÕES COM O ADVOGADO, QUE DEU RESPOSTAS CONTRADITÓRIAS E DIAMETRALMENTE OPOSTAS SOBRE A POSSIBILIDADE DE PARCELAMENTO DO DÉBITO.


OS DOIS ALUNOS SÃO, RESPECTIVAMENTE, ALUNOS DO TERCEIRO E PRIMEIRO ANO NOTURNOS DO CURSO DE JORNALISMO DA UNISANTOS. SERÁ ESTA A “EDUCAÇÃO CATÓLICA”?


ASSIM, SOLICITAMOS QUE SEJAM ENVIADOS EMAILS À UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SANTOS APELANDO PARA QUE SEJA FEITA A REMATRÍCULA COM NEGOCIAÇÃO DOS DÉBITOS.


Paulo Matos – pai dos alunos

Jornalista, Historiador pós-graduado e Bacharel em Direito

E-mail: jornalistapaulomatos@yahoo.com.br

Fone 13-38771292 – 97014788


MOSTRE SEU APOIO ENVIANDO ESTE AOS EMAILS DOS DIRIGENTES DA UNISANTOS

reitoria@unisantos.br,vicereitoria@unisantos.br,dir.com-artes@unisantos.br, coord.econ@unisantos.br, coord.dir@unisantos.br, coord.enfer@unisantos.br, dir.saude@unisantos.br, dir.exatec@unisantos.br, dir.educacao@unisantos.br, dir.jurisocial@unisantos.br, coord.adm@unisantos.br, coord.arq@unisantos.br, coord.bio@unisantos.br, coord.compusis@unisantos.br, coord.contab@unisantos.br, coord.geo@unisantos.br, coord.his@unisantos.br, coord.jor@unisantos.br, coord.letra@unisantos.br, coord.mat@unisantos.br, coord.nutri@unisantos.br, coord.pp@unisantos.br, coord.ss@unisantos.br, coord.rp@unisantos.br, coord.psico@unisantos.br, coord.ped@unisantos.br,coord.computele@unisantos.br,coord.engprod@unisantos.br,coord.farmabio@unisantos.br,coord.nutri@unisantos.br,coord.gestamb@unisantos.br,coord.petrogas@unisantos.br,coord.comext@unisantos.br,coord.logemp@unisantos.br,coord.designint@unisantos.br,coord.compusis@unisantos.br,coord.termport@unisantos.br,coord.civil@unisantos.br, copop@unisantos.br,poseducacao@unisantos.br,posdireito@unisantos.br,ppgn@unisantos.br,saudecoletiva@unisantos.br,coeal@unisantos.br,terceiraidade@unisantos.br,coord.filo@unisantos.br,coord.fisio@unisantos.br


Reitoria

Chanceler – Bispo Dom Jacyr Francisco Braido, CS

Reitora - Profª Maria Helena de Almeida Lambert

Pró-Reitora Acadêmica - Profa. Ms. Ermelinda Maura Chezzi

Pró-Reitor Comunitário - Prof. Cláudio José dos Santos

Pró-Reitor Administrativo - Prof. Marcos Medina Leite

Pró-Reitor de Pastoral - Dom David Picão

Secretário Geral Executivo - Prof. Henrique Noé de Almeida

Secretária Geral de Registros Acadêmicos - Profª Maria Salgado Paz

Diretores de Centros Ciências da Comunicação e Artes: Arquitetura e Urbanismo; Jornalismo; Publicidade e Propaganda; Relações Públicas; e Tecnológico em Design de Interiores - Diretor: Prof. Dr. Ouhydes João Augusto da Fonseca

Ciências Jurídicas e Sociais Aplicadas; Administração; Ciências Contábeis; Ciências Econômicas; Direito; Psicologia - Formação Psicólogo; Serviço Social; Tecnológico em Logística Empresarial; e Seqüencial de Formação Específica em Gestão de Terminais Portuários - Diretor: Prof. José de Oliveira Silva

Ciências Exatas e Tecnológicas Ciências da Computação; Engenharia Civil; Engenharia Elétrica (Computação e Telecomunicações); Sistemas de Informação; Química Tecnológica; Seqüencial de Formação Específica em Tecnologia e Gestão em Redes de Computadores; Tecnológico em Petróleo e Gás; e Tecnológico em Gestão Ambiental. - Diretor: Prof. Me. Sérgio Novita Fortis

Ciências da Saúde: Enfermagem e Obstetrícia; Farmácia; Fisioterapia; Nutrição; Seqüencial de Formação Específica em Gastronomia. - Diretor: Prof. Dr. Paulo Ângelo Lorandi

Ciências da Educação: Licenciaturas: Ciências Biológicas; Filosofia; Geografia; História; Letras; Matemática; Pedagogia; Psicologia; e Química. Bacharelados: Ciências Biológicas - ênfase em Meio Ambiente e ênfase em Biotecnologia; Filosofia; Geografia - ênfase em Análise Ambiental, História; e Tradução e Interpretação. Diretor: Professor Me. Dráuzio Costa Pires de Campos


ALUNOS DA UNISANTOS PELO DIREITO À REMATRÍCULA - I

03/09/2009

Senhores:


Vimos buscar vosso apoio para a causa nobre da manutenção no estudo de Jornalismo de dois alunos da Universidade Católica de Santos que estão tendo suas rematrículas recusadas. Seus nomes são Paula Natália Teixeira Pinto de Oliveira Matos e José Paulo de Oliveira Matos Júnior, respectivamente alunos do terceiro e primeiro ano noturnos do curso de Jornalismo da UNISANTOS.


O ensino é uma delegação do Estado e como tal exige comportamentos consoantes com sua finalidade de rígido papel social, sem espaço para outros fins de retaliação.

A exigência da rematrícula semestral é um arrocho sobre os alunos e sua recusa é ainda mais absurda, após retardamento da negociação buscada junto a um escritório terceirizado e esgotamento do prazo final há poucos dias – constituindo-se em absurda e totalitária norma este impedimento.


Estes alunos não faltaram a um só dia de aulas neste semestre, cumprindo com todos os encargos com todos os professores, conforme existem registros. A recusa da rematrícula é ilegal e frustra e oprime, o que não deve ser papel da educação católica.

Assim, solicitamos que sejam enviados emails à Universidade Católica de Santos apelando para que seja feita a rematrícula com negociação dos débitos.


Paulo Matos – pai dos alunos

Jornalista, Historiador pós-graduado e Bacharel em Direito

E-mail: jornalistapaulomatos@yahoo.com.br

Fone 13-38771292 – 97014788



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Pró-Reitor Administrativo - Prof. Marcos Medina Leite

Pró-Reitor de Pastoral - Dom David Picão

Secretário Geral Executivo - Prof. Henrique Noé de Almeida

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Diretores de Centros Ciências da Comunicação e Artes Arquitetura e Urbanismo; Jornalismo; Publicidade e Propaganda; Relações Públicas; e Tecnológico em Design de InterioresDiretor: Prof. Dr. Ouhydes João Augusto da Fonseca

Ciências Jurídicas e Sociais Aplicadas Administração; Ciências Contábeis; Ciências Econômicas; Direito; Psicologia - Formação Psicólogo; Serviço Social; Tecnológico em Logística Empresarial; e Seqüencial de Formação Específica em Gestão de Terminais Portuários.Diretor: Prof. José de Oliveira Silva

Ciências Exatas e Tecnológicas Ciências da Computação; Engenharia Civil; Engenharia Elétrica (Computação e Telecomunicações); Sistemas de Informação; Química Tecnológica; Seqüencial de Formação Específica em Tecnologia e Gestão em Redes de Computadores; Tecnológico em Petróleo e Gás; e Tecnológico em Gestão Ambiental. Diretor: Prof. Me. Sérgio Novita Fortis

Ciências da Saúde Enfermagem e Obstetrícia; Farmácia; Fisioterapia; Nutrição; Seqüencial de Formação Específica em Gastronomia.Diretor: Prof. Dr. Paulo Ângelo Lorandi

Ciências da Educação Licenciaturas: Ciências Biológicas; Filosofia; Geografia; História; Letras; Matemática; Pedagogia; Psicologia; e Química. Bacharelados: Ciências Biológicas - ênfase em Meio Ambiente e ênfase em Biotecnologia; Filosofia; Geografia - ênfase em Análise Ambiental, História; e Tradução e Interpretação. Diretor: Prof. Me. Dráuzio Costa Pires de Campos