domingo, 1 de fevereiro de 2009

SENHORES, EM CENA O MUSEU DO PETRÓLEO

SENHORES, EM CENA O MUSEU DO PETRÓLEO

Paulo Matos (*)

Faz parte do show esta oportunidade que, como um cavalo alado, é rara. E é ela que se mansamente se instala na freqüência do dirigente, digamos tatuado, como modernamente se expressa, na referência às pessoas delineadas para permanecerem na história – sem o temor de cair no lombrosianismo ainda presente em conceitos atrasados. Ele tem marca, é Marcusso, ele é o cara que quer fazê-lo, que chega na hora marcada.

Templo ou morada das musas, origem da expressão museóloga - credenciada pelo culto às coisas humanas e às suas descobertas que permite a expansão dos seres nas suas exigências de multiplicação das forças –, o que se mostrou capaz este ouro negro gerando potências enquanto se trotava lento em certos lugares resultando nos estágios continentais diferenciados.

Assim, ecoa como gesto secular a criação do Museu do Petróleo em Santos, uma proposta do gerente da Unidade de Negócios da Petrobras em Santos, envolta em um sentido de sublime modernidade pelo aspecto cultural que releva e promove com o valor permanente que lhe é inerente. O calor é seu endereço, que pede se reconheça.

A memória histórica das lutas vitais da nacionalidade aqui sediadas responde por uma parcela deste imenso arco de ofertas na pesquisa estudo desta que será um das maiores bacias petroÍíferas do mundo, com chances amplas de ser a maior sem precisar dançar tango no teto – com auxílio de Frejat.

A correção da proposta da Petrobras, então contestada nos anos 40 até por colunistas sociais expressivos no país, fincou-se estável e indubitável. Mormente nestes tempos em orgulho de Lobato e na necessária requalificação histórica – para que se torne exemplar – do nome de Dioclécio Santana, que se registrou símbolo da batalha “O petróleo é nosso” há mais de 60.

O Museu do Marcusso é ilustrativo desta caminhada quixotesca e sonhadora, além dos moinhos de vento, do escritor, inovador e empresário que corajoso contestou a consagrada Semana de Arte Moderna por não adotar os personagens brasileiros que criava ou trazia para suas histórias do Sítio.

Mais, o Museu do Petróleo cumprirá com sua tarefa didática e forjadora de princípio sólida de nacionalidade e erudição necessária no impulso aos valores eméritos e uma sociedade, substituindo aqueles introjetados pelos que não nos queriam petroleiros e miram a Amazônia.

Nossas idéias correspondem aos fatos, nossa piscina não está cheia de ratos, mas de ouro humano potencial da expansão de direitos por tanto tempo negados e carentes de equalização horizontal para tornarem-se resistentes como nações exemplares de paz e igualdade na relação maior e mais multiétnica do planeta, exemplar.

O futuro já se aponta como promissor na produção de energia limpa, que se fará e desenvolverá aqui pela Petrobras, potencialmente para as regiões tropicais - historicamente deserdadas e maltratadas como humilhadas e ofendidas -, favorecidas pelo sol, pelos ventos, pelo verde e pelo mar produzindo energia.

A poesia do petróleo se instala em óleo grosso e viscoso desenhado no céu e decorado pelo gás que emana das profundezas oceânicas como um suspiro do sangue, derramado nos atos de submissão por sublimá-lo sem somá-lo como multiplicador do esforço das massas para sua efetiva tarefa de direção da sociedade na síntese de nossa caminhada.

sábado, 24 de janeiro de 2009

O ASILO A CESARE BATTISTI E A HISTÓRIA REVERSA

O ASILO A CESARE BATTISTI E A HISTÓRIA REVERSA
Paulo Matos (*)

As reações italianas à soberania diplomática brasileira já tiveram momentos semelhantes, só que reversos: foi quando a Itália protestava contra os maltratos e deportações dos seus nacionais, no início do século XX. Agora, querem nortear a diplomacia brasileira, chamando seu embaixador e contestando nossa decisão.

Era quando o Brasil impunha duras condições aos trabalhadores imigrantes, semelhantes às do escravagismo recente e os deportava em massa, provocando protestos da Itália que, inclusive, elegeu deputado um destes, chamado Antonio Vacirca. A Itália chegou a proibir a imigração para o Brasil em face desse tratamento.

É o que consta do livro deste autor, “Santos Libertária!”, Prêmio estadual da Fundação Faria Lima de 1986, o que ilustra eficazmente o episódio da concessão de asilo ao militante comunista Cesare Battisti, cujos prolongamentos estremeceram as relações do Brasil com a nação governada por Berlusconi.

A retomada de fatos pretéritos, ocorridos no início do século passado, deve servir à reflexão desta decisão da diplomacia brasileira. Na época do maior período de imigração de trabalhadores italianos para o Brasil, 3.500 entre 1871 e 1920. Na época, um jornal denominado “A Vanguarda” chega a propor a criação de uma “sociedade protetora de seres humanos”, em resposta a uma carta pedindo-a para os animais de carga.

Em 1891, o jornal O Estado de São Paulo publicava um artigo de Zózimo Barbosa em 20 de fevereiro chamando os imigrantes de “...gente vadia e desordeira”, criticando o sistema de incentivo às imigrações que substituíam a mão-de-obra escrava.Em 1907 foram expulsos do Brasil 132 trabalhadores, sendo 25 italianos, 18 em 1913. Até 1920, 550 trabalhadores foram deportados.

Tempo de castigos físicos e desvio dos salários, os italianos eram majoritários na imigração brasileira e também paulistana, onde ocupavam 61% dos 82% das lideranças imigrantes estrangeiras, em Santos 88% do total. Carestia, doenças, ausência de garantias sociais, torturas e invasões de domicílios eram comuns nessa época, além da violência nas ruas e surras no trabalho até para crianças de oito anos. Os tempos mudaram como os ritos diplomáticos da nação de Mussolini e Berlusconi.

(*) Paulo Matos é jornalista, historiador pós-graduado e bacharel em Direito, 1º lugar do concurso estadual da Fundação Faria Lima / CEPAM / Secretaria de Estado do Interior de 1986.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

MAÇONARIA, UMA MISSÃO

MAÇONARIA, UMA MISSÃO

(*)Paulo Matos

As associações de pedreiros-livres, dos pedreiros medievais, estão na raiz da maçonaria, como os construtores da catedral de Notre-Dame de Paris, que detinham e reservavam seus segredos de ofício. Estes não eram os da maçonaria, como se chegou a pensar, mas do ofício.

A partir do século XVII, tais segredos eram apenas simbólicos – o martelo, o colherão, o avental, o esquadro e o compasso. São os símbolos da Maçonaria, inclusive a designação de Deus como supremo arquiteto do universo.

A Maçonaria, ao contrário do que muitos pensam, não é uma religião, nem sociedade secreta. Não tem poderes mágicos nem lida com bruxarias, demônios ou coisas do gênero. Apenas faz o bem. É uma sociedade apenas discreta de existência notoriamente pública, com estatutos registrados em cartório e publicados na imprensa oficial.

A Maçonaria pode ser definida como uma entidade de caráter especulativo-filosófico, que pretende, antes de tudo, orientar os homens e as nações no sentido de uma determinada filosofia de vida, uma filosofia existencial que pratica a filantropia sem ostentação.

Extremamente tradicional, ritualística e hierarquizada, a maçonaria tem seus rituais e ensinamentos próprios, em que alguns são mantidos em segredo. Não é a Maçonaria inimiga das religiões, não sendo sectária.

Os pedreiros medievais, origem da maçonaria, estavam isentos da jurisdição dos bispos, eram livres, portanto. Daí a expressão pedreiros-livres, em inglês free-masons, em francês franc-mason. A partir do século XII, as associações de pedreiros-livres assumiram outras categorias como membros honorários, gente da nobreza, do clero, jurisconsultos e outros profissionais liberais que chegaram a constituir a maioria de seus membros – dando início a assim chamada Maçonaria especulativa, de caráter filosófico.

Em 1717 foi fundada a Grande Loja de Londres, reunindo, sob a jurisdição de um grão-mestre, as 4 associações deste gênero (lojas) em funcionamento naquele país, que se irradiaram rapidamente para o mundo.

SANTOS E SUAS AUTONOMIAS

SANTOS E SUAS AUTONOMIAS

Paulo Matos (*)

É notado por todos os que nos visitam que a Prefeitura não tem, como a Câmara, sua galeria de ex-prefeitos da cidade, fato de importância histórica que enriqueceria o patrimônio do prédio da Prefeitura. Desde o primeiro prefeito eleito há 107 anos – e esta é a idade do município de Santos, conforme norma da Lei Orgânica estadual então implantada -, a cidade elegeu 17 prefeitos. Em boa parte deste tempo, cerca de quatro décadas, a cidade esteve tutelada, sem poder eleger seus dirigentes. Reconquistamos a autonomia em 1936, 1953 e 1983, desta feita arrancando uma lei só para Santos, libertando-a.

Foi em três de outubro de 1834 que foi criado o cargo de intendente municipal, Carlos Augusto Vasconcelos Tavares, escolhido pela Câmara. A partir daí pudemos escolher o prefeito, que seria ele mesmo. Iniciada há mais de um século, nossa democracia foi interrompida cinco vezes, duas como em todo o país ( 1930 e 1937) e três só Santos, em 1947 (junto com algumas outras cidades “rebeldes”), 1964 e 1969 – completando 38 anos de tutela e 56 de prefeitos eleitos, até hoje.

Sete prefeitos foram escolhidos pelo voto popular de 1908 a 1930 e em 1936 escolheríamos para prefeito o mesmo interventor anterior. Substituído pelo vice, ficaria treze meses no cargo, pois em 1937 viria o “Estado Novo” e extinguiria todos os mandatos eletivos.

Em 22 de outubro de 1947, pela Lei 121, o município, então com 108 anos pela Lei 122 perdia, pela terceira vez, a sua autonomia – quando ia eleger o líder operário do porto, Leonardo Roitman, prefeito. Ele que seria, nas eleições seguintes, o vereador mais votado da cidade até os nossos tempos, com 6%de todos os votos válidos, 18 mil votos hoje. Era interventor Francisco Luiz Ribeiro e o irmão de Feliciano, Lincoln, fora interventor por dois meses, em 1945.

Em 1953, Santos elegeria prefeito o deputado federal Antonio Ezequiel Feliciano da Silva, vereador desde 1926, deputado estadual em 1928 e federal em 1945, professor da Faculdade Católica de Direito de Santos, que ajudou a fundar. Era o mesmo interventor de 23 anos antes, em 1930, quando fez parte da Junta Interventora junto com seus colegas do escritório de advocacia, Waldemar Leão e Leopoldo de Oliveira – que ficariam pouco mais de um ano no cargo, de outubro de 1930 a novembro de 1931.

Feliciano era o autor do projeto da autonomia santista, conquistada em 26 de novembro de 1952 pela Lei 1.743. Eleito em 1953, governando até 1957, seria sucedido por Silvio Fernandes Lopes, o notável engenheiro eleito pela “Frente Popular”. Este tomou posse em 14 de abril desse ano, com apenas 32 primaveras: vereador desde os 23 anos, faria o sucessor, derrotando nomes como o de Mário Covas, que tinha sido seu diretor de obras.

Mas o continuador de sua obra, o engenheiro Luiz La Scala Júnior, filho do sindicalista anarquista e vereador Luiz La Scala, desapareceria no dia da posse, vitimado por um acidente de automóvel. Era a grande tragédia santista. Tomaria posse o vice José Gomes, radialista, que seria cassado pela Ditadura Militar em 1964, quando ocupou o cargo o interventor e oficial da Marinha, Fernando Ridel. Silvio voltaria à Prefeitura de 1965 a 1969. E ganharia um busto do funcionalismo aos 35 anos de idade, em dois de abril de 1960.

Em 1968 ocorreria a eleição de Esmeraldo Tarquínio, cassado em 1969 junto com a autonomia, recuperada em 1983. Ele teria voltado ao cargo pela vontade do povo, mas faleceria em 10 de novembro do ano anterior. Em 10 de abril de 1970 seria nomeado o primeiro interventor, que nunca estivera antes na cidade, o General-de-Brigada Clóvis Bandeira Brasil, inaugurando uma série de quatro interventores e prefeitos nomeados.

Viriam Antonio Manoel de Carvalho, Carlos Caldeira Filho e, finalmente, Paulo Gomes Barbosa. Até que em dois de agosto de 1983, a Lei 2050 é assinada e vem a autonomia de Santos pelo vice-presidente Aureliano Chaves.

O Prefeito Oswaldo Justo, empossado em nove de julho de 1984, é o primeiro eleito após a retomada da autonomia. Vereador e líder das oposições (e depois do MDB) na Câmara Municipal, escolhido a três de junho desse ano, traz como vice o filho de Esmeraldo Soares Tarquínio de Campos Filho, Esmeraldo Tarquínio Neto. Sucedido pela ex-vereadora Telma Sandra Augusto de Souza e pelo médico David Capistrano da Costa Filho, elegemos em 1996 e 2000 o prefeito Paulo Roberto Mansur, o primeiro a ser reeleito conforme permitiu a legislação eleitoral, seguido pelo prefeito João Paulo Papa, também reeleito.

Santos, que não é só história política, mas da civilização brasileira, de José Bonifácio ao Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão, o primeiro no mundo a subir ao ar em um balão, de seu irmão e embaixador Alexandre de Gusmão, que fez o tratado de Madrid e garantiu o Brasil de hoje, de tantos outros nomes forjadores desta nação, merece ter sua história contada.

CARTA ABERTA AOS AMIGOS DO PLANETA EM DEFESA DA PRAIA DE SANTOS

TEXTO PRESENTE NO PROCESSO DA PROCURADORIA FEDERAL PELA RETIRADA DA PLATAFORMA A PEDIDO DO PROCURADOR FEDERALJOSÉ DONIZETTI MOLINA DALOIA

CARTA ABERTA AOS AMIGOS DO PLANETA EM DEFESA DA PRAIA DE SANTOS:

PELA RETIRADA DA PLATAFORMA DO EMISSÁRIO SUBMARINO

“É mais fácil matar o dragão do que remover a carcaça” (Goethe)

Neste momento em que se ameaça (ameaçava, já está feito) construir um parque sobre a plataforma do Emissário Submarino de esgotos, elaborado pelo arquiteto Ruy Othake, é preciso atenção. Essa plataforma é um monturo de pedra e terra de 43 mil metros quadrados, que divide arbitrariamente a praia do José Menino em Santos, São Paulo. Inaugurado em 21 de julho de 1978 pelo General-presidente Geisel, fará (fez) 30 anos.

O custo do parque seria de oito milhões de reais, oferecidos pelo DADE - Departamento de Apoio e Desenvolvimento das Estâncias. Um dinheiro público que pode ser jogados no lixo. Esta plataforma é um monumento à Ditadura, que pode ter uma “arte” de 16 metros de altura e 62 de extensão. Vamos deixar?

A plataforma foi implantada nos anos 70 para ser um canteiro de obras do equipamento, um entulho de pedra e terra transitório. E não um território conquistado ao mar, como querem fazer crer impondo-lhe obeliscos, antes lojinhas, bares e museus futebolísticos (o Museu Pelé), todos vetados pela Justiça.

Querem fazer permanente a tragédia arquitetônica, quando existem tecnologias que fazem subterrâneos estes equipamentos. Mas esta está acima, por deficiência da construção, inclusive mais curto – o que faz voltar os excrementos.

Uma Ação Popular para sua retirada já foi movida pelo advogado Sérgio Sérvulo da Cunha, ex-vice-prefeito de Santos e ex-chefe de gabinete do ministro Márcio Thomaz Bastos, há mais de um quarto de século, paralisada por falta de perícia. Agora, volta a se falar de sua ocupação, quando existe processo para sua retirada e se fala em verbas do Japão para a SABESP, responsável por sua construção, “melhorá-lo”. Talvez reduza o volume de esgoto devolvido pelo mar para a praia...

A Justiça Federal, através da juíza da Quarta Vara Alessandra Nuyens Aguiar Aranha, autorizou a construção do parque em 18/9/2006. Mas não excluiu a possibilidade da plataforma ser removida no futuro, conforme pleiteia o Ministério Público Federal em abril de 2005, pelos procuradores da República José Donizzeti Molina Daloia e Luiz Antonio Palácio Filho. Oito milhões no lixo são “detalhe”.

É preciso concluir o que foi planejado, a retirada da plataforma, criminosamente mantida após a construção em um obscuro processo que cogitava garantir o equipamento e até um caminho para “anexar” a ilha Urubuqueçaba em frente, patrimônio ecológico, mascarando a defeituosa construção do emissário submarino acima da areia e mais curto do que o necessário. Tempos escuros da Ditadura Militar, quando foi feito.

O equipamento tem uma instalação menor do que a projetada e mais frágil do que deveria ser – exigindo que a plataforma fosse mantida para “segurar” o emissário. Que hoje faz retornar de tempos em tempos toneladas de dejetos para a areia – volumes fecais que só são “melhorados” na estação de tratamento, completando a tragédia da intervenção brutal sobre a área mais brilhante da cidade, sua praia. É muro divisor da areia, danoso à Santoso brutal sobre a nar os seus dejetos para a areia, completando a trage pedra e terra transit.

Imposta com a violência da intervenção não-estudada em seus impactos, a plataforma está causando a modificação da geografia praiana, alterando suas linhas e ameaçando os prédios da orla com as modificações na hidrologia marinha que causa.

Ocorre o assoreamento semanal dos canais que pontuam a praia de Santos cheios de areia (e o esvaziamento de praias contíguas, como as do vizinho município conurbado de São Vicente) são resultados de sua presença, produto de uma ação obscura da ditadura em tempos igualmente obscuros – a manutenção do canteiro de obras do Emissário, a plataforma.

O jornalista Rubens Fortes já mandou ao arquiteto seu irônico projeto de um “obeliscocô” para o local, um gigantesco trôço, melhor retrato da plataforma do emissário de esgotos que traz este “presente” para a cidade.

A plataforma é uma invasão sobre o mar que, a exemplo de diversas outras espalhadas pelo país, está causando devastação na natureza. Os surfistas aproveitam o lugar por causa de suas ondas mais fortes (e fazem campanha pela sua manutenção), prova da modificação do comportamento hidrológico e da devastação provocada. As marés altas levam a água a dez metros do jardim, nas cheias. Logo chegarão nele e nos prédios, que são antigos, de estruturas frágeis e não resistirão a estes tempos de aquecimento global.

As fotos anunciando o obelisco do arquiteto Ruy Othake na plataforma (já planejado para ser de Oscar Niemayer) para o local mostram claramente o avanço da areia em direção à ilha Urubuqueçaba, em frente, de um lado. E o recuo da areia em outro, aproximando o mar dos jardins. É uma irresponsabilidade absoluta a autorização de permanência deste entulho em tempos de aquecimento global.

Queriam fazer, na época, com sua permanência após a conclusão do emissário submarino, uma ligação “natural” de areia com a ilha Urubuqueçaba, na divisa da cidade com São Vicente. Uma ligação como aquela nesta vizinha cidade conurbada, entre a Ilha Porchat e o Continente que acabou com a praia do Gonzaguinha – de um lado e o recuo de areia de outro em cerca de 50 metros. Fazendo facilmente prever, aqui, a invasão de areia em poucos anos do jardim e dos prédios a seguir, causando sua derrubada.

Recentemente duas ressacas em duas semanas destruíram de forma inédita a murada e a Avenida Saldanha da Gama, na Ponta da Praia, em Santos, a cerca de cinco quilômetros da plataforma. Mostrando a ameaça do crescimento do volume do mar com o derretimento das geleiras do pólo norte causada pelo aquecimento global. E o risco de promover intervenções no mar que não causem respostas da natureza imediatas ou demoradas, mas inevitáveis.

As ocorrências recentes na capital São Paulo, com prejuízos econômicos e sociais, demonstram o que pode ocorrer como resultado da intervenção humana desavisada no regime de águas, com o aterramento de rios e ocupação das várzeas, delineando a tragédia que não podemos deixar ocorrer. Estamos vendo a resposta da natureza, é tempo de aprender.

Seis anos após a publicação do primeiro tomo de “O Capital”, em 1876, esse Friedrich Engels produziu um texto sobre as conseqüências remotas das ações do homem contra a natureza. “Nada ocorre na natureza de forma isolada, cada fenômeno afeta o outro e é, por seu turno, influenciado por este”, escreveu.

“O homem modifica a natureza e obriga a servir-lhe, domina-a (...). Contudo, não nos deixemos dominar pelo entusiasmo em face de nossas vitórias sobre a natureza: após cada uma destas vitórias ela adota sua vingança”, disse Engels há mais de 130 anos.

Pouco tempo depois de Engels escrever sobre os efeitos das intervenções humanas na terra, em 1876, o chefe indígena Seattle respondia de maneira similar aos que queriam comprar as terras dos índios na América, que terminaram mortos e devastados: “Como poderemos vender o que não é nosso? Esta terra é de nossos filhos e de nossos antepassados...”.

Em respeito a Santos e a todos os que amam nossa natureza brasileira, este maior litoral do mundo, vítima de enrocamentos marítimos impensados e não estudados, devemos exigir a retirada desta intervenção brutal e insana sobre a areia e sobre o mar, mantida para segurar escândalos de uma construção mal-feita.

“Vamos aprendendo pouco a pouco a conhecer as conseqüências sociais mais indiretas e mais remotas de nossos atos na produção, o que permite estudar também a estas conseqüências nosso domínio e nosso controle”. (Engels)

PAULO MATOS
Jornalista

P.S.: AS FOTOS DA PLATAFORMA ESTÃO NO SITE “NOVO MILÊNIO”.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

ARMENIO, A POSSIBILIDADE DA ALEGRIA

ARMENIO, A POSSIBILIDADE DA ALEGRIA
(*) Paulo Matos
O fato é que as notícias circularam baixinho, em tom temeroso, entre interlocutores sempre inseguros: o líder estaria fora de campo, sabe-se lá por quanto tempo. A rede em torno dele não é grande, restrita, até. Mas envolve gente de todas as classes, anônimos e famosos, diferentes.

É gente com quem ele opera e modo humano, atento, preocupado, intenso. E as notícias não eram boas, preocupantes, o nosso Mendes estaria contundido e a beira do gramado, sendo atendido. O futuro sem este papo era vazio e impreciso.

A preocupação rolava solta, as informações eram insuficientes, enfim, era a voz rouca das ruas que falava nele. Mas o som de sua voz alegre fez uma catarse, me ligou - no momento dos boatos intensos -, provocou o efeito salutar.

Era a conscientização de uma lembrança fortemente emocional, que tinha marcado espaço por sua fora e energia, até então reprimida e não refletida, que explodia como um grito de gol agora na certeza da continuidade daquele papo experto que aponta o futuro insistente.

Para nossas vidas trouxemos um homem que, vindo do mar, Santos recebia há 46 anos, carregando uma pasta de marceneiro. Se originava de lugar humilde e antigo como ao tempo de seu surgimento no Império Romano, uma vila lusitana.

Armenio vinha disposto e seu segredo não exigia guarda na viagem, chaves ou cofres, pois pois que vinha dentro dele de braço dado com a coragem: era a criatividade que, para o Físico Albert Einstein, em determinadas situações vale mais que o conhecimento - o que se provou aqui.

Sua história é exemplar, curiosa e atraente, é uma notícia por seus detalhes atípicos, que se pode aferir, que ele conta, satisfeito. São raros os eventos semelhantes protagonizados por imigrantes portugueses como ele.

Armenio difere-se da de pessoas que vemos todo dia por sua garra – chamaríamos libido, vontade, obstinação no sentido original alemão. Quem explica esse sentido é o escritor Herman Hesse, descrevendo a construção da palavra naquele idioma no livro "Narciso e Goldmund”: obstinação, a vontade ("des eigenenn") do próprio ser ("sinn").

Frio, dizem-no quase todos que não o conhecem, ao contrário seu jeito discreto de ser agregou muita gente produtivamente. E em muito maior número do que em meras relações formais, ou seja, dialeticamente, ao avesso do pressuposto inicial. Sem fazer festa, é mais amigo do que os outros.

As pessoas, ao receberem a notícia de sua vitalidade retomada, foram tomadas por uma irradiação coletiva e eficaz de expressão otimista. E ficaram em festa. É fácil vê-las manifestas: difícil aquilatá-las na natureza social de sua existência, como fenômeno ao som de um fado destes que faz dançar o próprio coração. Dançarino, que o diga sua parceira predileta dos céus.

Ele vencera outra vez e a esta altura sua torcida avassalava como em um côro de crianças cantando em Villa-Lobos no estádio. Reconquistava o palácio principal de seu império, seu próprio ser promotor de emoções com que lida (aparentemente) sem transmitir emoções. Porque é sério e preciso e, repete ele, alguém tem que sê-lo.

Seu prazer mais caro no sentido de querença, do sítio preferido dos animais, ato de querer sem querelar, é o charuto, o vinho e a conversa franca que rola na mesa, que habita leal e lépido com seu raciocínio rápido e conclusões assertivas por trás das camisas bordadas em seu “A.M.” por sua Celeste.

Na verdade sensível, forçado a disfarçar, Armenio comanda com cara de durão um universo de Atividade em que se coloca e se traduz em meio a milhares de beneficiados, ele responsável por eles, indutor.

É bom dizer logo que o problema que teve Armenio era genético e poderia acontecer a qualquer hora, não significou esgotamento. Portanto, paira distante qualquer outra hipótese para este Mauá, feito como ele, senão a de continuar com a gente na velocidade máxima de sua obra magna.

Magna de compromissos “prime”, primordial, primeiro, principal – no compromisso do fio de bigode que um dia tirou, sério e sempre no prazo, há mais de 30 anos.

A referência ao Barão e depois Visconde de Mauá, que tinha mais dinheiro que o governo, não é gratuita porque de origem e formação idênticas em áreas pobres - o Arroio Grande gaúcho e Chão-de-Couce português de Leiria.

Armenio e Mauá tiveram nos números e letras o mistério de sua multiplicação agregadora de almas e aventuras de tanta gente. Armenio não esquece a mestra Esmeralda quem, na verdade, lhe deu o amor pelos números.

Não é outro o sentido de Armenio e sua rota experimentada nos monumentos deslumbrantes, que ele propicia faz desfilar em espetáculo universal das essências pessoais dele para todos - sua forma de transmitir amor -, que envolve em ligação superior de alma e de pele.

A forma dele é esta, sem sentido para quem prefere o recolhimento da reflexão oca, momento este que para ele promove aos saltos de qualidade de vida para cada vez mais gente.

Armenio Mendes é esse sujeito que no espírito de sua comunidade, que gestiona, produz e permite multiplicar agregando mais e mais gente, vive essa alegria do coletivo de pessoas engajadas em sonhos de crescimento e progresso.

Estes sonhos tem nele Armeno o guia dedicado e simples, sem gostar de fotos nem floreios como quem tem a noção das dimensões da vida que ele procria como ninguém na sua azáfama, no seu empenho que também é prazer, este que ele gera.

Disseram-me outro dia na praia que era preciso “... que alguém segurasse esse português” avassalador do concreto colorido e luminoso com que enche as cidades e recupera socialmente núcleos urbanos, em nobre tarefa para a qual o retorno que usufrui é pífio e insignificante.

Diante de tal "levantada de bola", as coisas para o que temos respostas prontas e bombásticas, respondi como ficariam os que mudam para cá, se estabelecem aqui, se alguém “segurar” Armenio - como se sugeria?

“Onde eles vão ficar” foi minha indagação, ó raios, porque ele só tem a sua família e sua casinha em Chão-de-Couce, Distrito de Leiria, perto da casa da mãe de 87 anos e com palmeiras no jardim. E seus vinhos e charutos e amigos, nada mais.

Pergunte por ele lá em Portugal e logo vão te apontar a residência do “Brasileiro das Palmeiras”, estas plantas perenes e altas, soberbas, que ele trouxe para a terrinha por que lembram Santos e o Brasil - que em sua casa lusitana em que vai uma vez por ano é cenário desta sua irmandade de 46 anos.

O trabalho é nossa matéria e nossa história, a precisão seu detalhe. E a precisão exigida por Fernando Pessoa para os navegantes – “navegar é preciso, viver não é preciso....” - define exato de um homem que nos passos de sua profissão se desenvolveu medindo e alinhando objetos materiais.

Eram cenários que Armenio amplificou tornando oníricos, sonhos concretos. Filho e neto de pedreiro, ele nasceu e viveu na pobreza e simplicidade, o que não lhe impediu de projetar na mente e depois no papel e no suor palácios urbanos.

Um painel na parede da sua casa em Portugal mostra Santos e Coimbra, que traz grandes dentro de si, junto com a humanidade que cultua como valor essencial. Valeu o susto, mas agora chega:

Ansiamos por longa vida ao timoneiro das formas ousadas da descoberta ao futuro, as que desenha nas telas que constrói! Agora, nada será como antes, porque navegar é preciso, viver não é preciso, é incerto na Voz de Pessoa. Armenio está conosco: comemoremos!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

CHAMEM A POLÍCIA, EM DEFESA DA VIDA

CHAMEM A POLÍCIA, EM DEFESA DA VIDA
DENÚNCIA FEITA EM 2002 E PUBLICADA NO JORNAL DA ORLA

Paulo Matos (*)

A eliminação de mais uma frondosa árvore da cidade, iniciada nas primeiras horas da manhã desta quinta-feira/16, na rua Vahia de Abreu esquina com a Alberto Bacaratt, no Boqueirão, mereceu nossa providência, chamando a Polícia e registrando a ocorrência de crime ambiental. Foi um ato simbólico, vislumbrando efetivos resultados legais, de um cidadão preocupado também com a dengue e com o despejo dos predadores do mosquito - os milhares de pássaros que moravam nas centenas de árvores destruídas.

Foram centenas arrancadas, na Avenida Ana Costa e em toda a cidade, justamente aquelas que não tinham pragas, que dominam 70% das 30 mil árvores de Santos, um terço que está sendo destruído pelas podas criminosas. Mas sobre esta, também saudável, chamamos a Polícia e registramos uma ocorrência. É o início de uma postura, todos devem agir assim, pois é crime ambiental previsto na Lei 9.605, pela qual responderão os responsáveis.

Quem sabe atos como este despertem o Governo Municipal para as leis ambientais e a proteção à vida. Quem sabe ao invés de devastar, passem a respeitar o ar e as pessoas, o ambiente que não lhes pertence e a cidade que usurparam e que é de todos. É mais uma devastação vegetal na cidade, promovida pela Prefeitura - feita de um espécime de grande porte e sem nenhuma praga ou fio envoltório que pedisse sua poda, realizado a um simples pedido do morador que ocupou o imóvel recentemente. É crime ambiental.

O quadro de aquecimento do clima no mundo, no país e especialmente na cidade exige um mínimo de racionalidade nas políticas vegetais. Árvores adultas, com grandes copas, não podem ser simplesmente substituídas, como se fossem números – por maior que sejam os interesses. Levam décadas para alimentar o ar, umedecer, refrescar, sombrear as pessoas, absorver a água.

É preciso contar com técnicos do EMPRAPA para eliminar as pragas e não simplesmente eliminar as árvores. Os vegetais com pragas do Canal 1 levaram mais de década e meia para serem substituídos, paulatinamente. Jamais uma palmeira imperial ou uma muda irá substituir, em seu papel ambiental, uma árvore de copas formadas em 50 anos, como pensam alguns ser possível. É preciso um mínimo de lucidez ou vamos destruir o ambiente como estão destruindo a sociedade.

O Boletim de Ocorrência da Polícia Militar tem a data de 16/5/2002, às 8.54 horas, feito pela RP 06144 (Soldado PM Antonio e Rogério). É a defesa da vida. Encaminharei as providências junto à Comissão de Meio Ambiente da OAB, para fazer cessar esta política vegetal míope que se impõe sobre a cidade. Basta!

(*) Paulo Matos é jornalista, historiador pós-graduado e quintanista de Direito. É diretor jurídico do Diretório Central dos Estudantes da Unisantos, assessor parlamentar do vereador Ademir Pestana (PPS).

DANO MORAL E SEGURANÇA JURÍDICA

DANO MORAL E SEGURANÇA JURÍDICA

Paulo Matos (*)

Pode-se dizer, com segurança, que o interesse maior do homem sobre a terra é a Justiça, base do agrupamento coletivo. A violação da agressão moral não é apenas ao direito do indivíduo, mas à norma protetora do direito de todos os indivíduos sociais e seus bens. Cada cidadão deve considerar sua própria proteção no caso de agressão física ou moral, na imputação de atos que não cometeram e pelos quais são obrigados a responder. É ela, pois, a base de nossa convivência, impossível prescindir.

O direito moderno busca sempre ajustar as garantias sociais às suas decisões, porquanto dessa proteção depende a própria manutenção da sociedade como instituto de defesa mútua. O que se vislumbrou necessário, face ao domínio da inteligência sobre a força. Tivéssemos vivido noutros tempos e sobreviveria apenas o mais forte; superamos essa darwinista condição primitiva na constituição de direitos sociais, evoluindo como, por exemplo, com Pierre-Joseph Rousseau, em idéias que acompanharam o princípio da colaboração pela sobrevivência.

O dano moral, o que menoscaba a integridade do patrimônio maior das pessoas, que diminui para quase nada (minos) a cabeça, a existência (caput) no sentido de capacidade, viola o direito subjetivo que cada um constrói em sua trajetória de vida. É uma agressão ao direito tutelado, um dano jurídico à pessoa, irreparável, mas que se busca quantificar para efeito de castigo e reparação, buscando dissuadi-lo como prática nas relações humanas, grave que é.

O sistema jurídico que protege a propriedade de bens materiais, de autoria, de patrimônio, caracteriza como direito subjetivo o da imagem, do conceito desfrutado por quem se dedicou a construí-lo com zelo. Sua evidência é a prova do prejuízo, infere-se aos direitos adquiridos inscritos na proteção constitucional do Artigo quinto da Constituição Federal, Incisos V e X, que de tão fundamentais se repetem.

Atacando e vitimando a capacidade construtiva da vítima, através da demolição programada de códigos externos erigidos por toda a vida, no desrespeito à dignidade pessoal, à honra, ao nome, à imagem, inibe a atividade produtiva, econômica e socialmente. Viola, inclusive, a integridade bio-psíquica - depreendendo-se destes aspectos sua conotação pecuniária, que se exige ressarcida pelos agressores, sob pena de alastrar seu conteúdo e fazer retroagir conquistas sociais.

O estado psíquico anterior à agressão, o “status-quo-ante”, é irreparável, tem caráter de reversão irreparável – e sua pena, se houver que se aplica ao agressor na supremacia da consciência ausente no ato, é o remorso. Como nos ensina Emile Zola, o notável defensor do Direito no “Caso Dreyfus”, na majestosa obra de 1868 - “Therése Raquin”, lição exemplar.

O papel da sociedade organizada é o de impor a coerção – o remorso externo - sobre tais atos, para que não sobrevivam enquanto instituto de ação, na busca da manutenção e evolução do quadro social estável e desejável por todos, os que usufruem dos bens coletivos e denotam sua importância.

Têm lugar, então, as sanções penais e pecuniárias, reparações legais complementares a que cabe ao Judiciário arbitrar, no amplo respeito à moral atingida e a capacidade econômica do agressor. A honra tem valor determinante na capacidade produtiva do empresário, do político, do lojista, do profissional liberal, como uma perna para o futebolista ou o dedo para o pianista, de natureza relevante e fundamental.

Assim, o comportamento de pessoas que reagem com ataques pessoais às correções legais de suas atitudes, quando aplicadas ao coletivo e responsáveis por suas instituições, exige-se claramente advertida e ressarcida: é a sociedade que está em risco, não apenas o ofendido.

AMOR E PLATAFORMA

AMOR E PLATAFORMA
RESUMINDO A ÓPERA. E EXPLICANDO A NOVELA DE AMOR PLATAFORMA X MP
Paulo Matos (*)

A relação do Ministério Público com a Plataforma do Emissário Submarino é de amor. E este é a defesa do patrimônio coletivo e inalienável das pessoas – a praia, como Vicente de Carvalho em 1921 ,- fundamentação da existência do instituto MPF. É o o Ministério Público Federal, um poder separado do da defesa da União em 1988, este de defesa popular. Assim, a recente solicitação de interrupção das obras do parque frutificou do rompimento, por parte da Prefeitura, do acordo que permitiu a instalação do parque no local. Tudo dentro da Lei, se nenhuma “marcação” arbitrária, apenas proteção da paisagem.

Esclareça-se, esse pedido foi motivado pela instalação de OBRAS PERMANENTES como o heliponto, ao invés do ajustado que as determinam TEMPORÁRIAS (desmontáveis, tipo lego). Isto por motivos legais e por a plataforma estar SUB-JUDICE, podendo ser removida a qualquer hora. Isto desde a iniciativa secular do brilhante Dr. Sérgio Sérvulo da Cunha, um eminente jurista, professor, autor de livros que foi vice-prefeito e secretário de Assuntos Jurídicos, ex-chefe de gabinete do Ministro da Justiça.

Sérvulo pediu sua remoção há 30 anos. Aquele entulho causa prejuízos à praia e à hidrologia marinha interrompendo o rumo de correntes marítimas e provocando a desaparição ou a acumulação de areia em locais diversos. Para isto está alerta o MPF – que quer cumprido o contrato que obrigava a retirada. Há uma ação em curso há décadas movida pelo Ministério Público Federal – através do Procurador Federal Antonio Donizzeti Daloia e outros.

Agora, ainda bem que o MPF não julga O ABSURDO - que não se consegue alinhar em um processo - que é o gasto de 8,5 milhões em um parque desmontável e sem outro espaço para acolhê-lo caso seja determinada a remoção da plataforma. Devem esta brincando os que dizem que “custará milhões de dólares” para removê-lo: isto pode ser de graça. E não esqueçam: a praia do Gonzaguinha desapareceu assim, em função de um pontão ligando a Ilha Porchat ao continente. Há dezenas de exemplos no Brasil, saíram até no Jornal Nacional.

Para remover o entulho bastam cinco ou seis tratores. Como os que retiram, na madrugada, por vezes, as toneladas de lama negra trazidas pelo ma em função do retorno do Emissário, cobrindo quase totalmente a areia da praia junto a Canal 1. Mês passado, esta lama no mar chegou quase ao Gonzaga, aniquilando o turismo, exigindo que as verbas do Japão que vem ai façam seu prolongamento, realinhamento e rebaixamento abaixo da linha da praia - como todos os interceptores modernos pelo mundo. Que se faça isso por Santos e suas mágicas praias, que pedem amor, permaneçam intocáveis e glamorosas.

VILA PARISI - um livro e uma história

VILA PARISI
- um livro e uma história

“VILA PARISI, CUBATÃO, A VILA MAIS POLUÍDA DO MUNDO” É UMA PESQUISA HISTÓRICA DO JORNALISTA PAULO MATOS QUE REMONTA AOS FATOS DA COLONIZAÇÃO BRASILEIRA, DAS ORIGENS DO SÍTIO DE BANANAIS SOBRE O QUAL SE IMPLANTOU UMA VILA. QUE MACIÇAMENTE OCUPADA, SE TORNOU A MAIS POLUIDA DO PLANETA, EXIGINDO UM ÁRDUO TRABALHO POLÍTICO E ADMINISTRATIVO PARA QUE ESTA REALIDADE FOSSE REVERTIDA EM FATOR DE DESENVOLVIMENTO.

O livro descreve o episódio do trágico núcleo cubatense que, então chamado pelo jornalista Randáu Marques, do Jornal da Tarde, de Vale da Morte – à época da explosão do caso na imprensa, em 1980. Surgido em 1956 entre antigos bananais já improdutivos, o núcleo chegou a reunir 25 mil moradores nos anos 80 e teve repercussão mundial, com seus habitantes fixados precariamente em seus 475 metros quadrados de água, lama, sujeira, caramujos...

Com moradores vindos majoritariamente do nordeste, emigrantes em busca dos então nascentes empregos da Cosipa, instalando-se ao lado dela em condições que se degradariam mais no acúmulo populacional que se sucedeu, gerando um dos maiores dramas sociais já vividos em nosso país e em nosso planeta.

Com a vinda dos migrantes, Vila Parisi se tornou o inferno das enchentes, valas fétidas, caramujos da esquistossomose e fossas, sem água, esgoto, pavimentação ou qualquer serviço público – ainda bombardeada pela poluição industrial que se instalou em redor do vale entre montanhas. Foi aprovada no papel - e legalizada pelo Prefeito Luiz Camargo da Fonseca e Silva em 18 de janeiro de 1957.

O antigo bananal de Vila Parisi nasceu com o português de Coimbra Antonio Mendes da Costa, que trabalhou até quase 100 anos plantando e embarcando bananas. E ficou para seu genro, o espanhol de Ponterubias, Província de Pontevedras, Silvestre Perez Esteves, que chegara em 1922 com 24 anos, dividindo o trabalho com o sogro. Ele, depois de muito plantar bananas, venderia a área , em 1956, aos irmãos Celso e Heládio Parisi – que "fizeram" a Vila.

Palco de histórias e disputas dramáticas, em que se envolveram personalidades nacionais e estaduais, Vila Parisi provocou grande movimentação social em Cubatão, na organização popular que rejeitava a tragédia. E foi a partir dela que se buscou a solução dos problemas de poluição da cidade, no momento do início da democratização brasileiro com a eleição, em São Paulo, em 1982, do Governador Franco Montoro.

O livro remonta as origens da área na época da colonização, desde a posse dos jesuítas. Faz o trajeto da industrialização cubatense, narrando o dia a dia dos fatos da tragédia na imprensa. Foram utilizadas como fontes centenas de publicações jornalísticas, livros e teses e o livro faz um mergulho desde a pré-história.

COLISEU, UMA HISTÓRIA SANTISTA DE 80 ANOS, QUE EXIGE RESGATE

COLISEU, UMA HISTÓRIA SANTISTA DE 80 ANOS, QUE EXIGE RESGATE
Paulo Matos (*)

Construído pela Companhia Coliseu Santista e inaugurado em 21 de junho de 1924, o Teatro Coliseu Santista, em restauração há quase uma década, fará nesta data 80 anos. No local, a esquina das ruas Brás Cubas e Amador Bueno, de frente para a Praça José Bonifácio, ao lado da Catedral inaugurada em 1910, foi instalado um velódromo em 1887 e, em 1909, uma construção de madeira - que sediava manifestações políticas e culturais. Nossa Comissão Especial de Vereadores quer legitimar e valorizar esta história.

O Coliseu foi o primeiro teatro da cidade com a modernidade e o conforto que o Guarany, na Praça dos Andradas – inaugurado em oito de dezembro de 1882 -, não oferecia. O local fora ocupado por uma unidade da cavalaria da Força Pública e antes existira, desde 19 de julho de 1997, o primeiro Coliseu Santista, na esquina da Rua General Câmara e Conselheiro Nébias, em vasto terreno de quase cinco mil metros quadrados, da empresa que faliu em 1899.

Em 1909, o empresário carioca Francisco Serrador fez ali um cine-teatro com 800 lugares. O Coliseu atual foi construído pela Companhia Cinematográfica Brasileira, ampliando a antiga construção, na empresa que tinha como associado em Santos o Comendador Manoel Fins Freixo.

O teatro foi inaugurado com a apresentação de um conto lírico que tinha a partitura do Dr. Carlos de Campos, então Presidente do Estado, que esteve presente à inauguração. É o que informa o livro “Memórias do Teatro de Santos, da jornalista Carmelinda Guimarães, editado na gestão do prefeito David Capistrano nos 450 anos da cidade, em 1996.

Com 2.300 lugares, contando o salão de festas e o “foyer”, o Teatro Coliseu Santista tinha 600 poltronas, 225 poltronas de foyer, 27 frisas, 27 camarotes de primeira classe, 25 de segunda classe, 220 balcões, 110 galerias numeradas e 600 gerais. Seus soberbos cortinados tinham sido confeccionados especialmente pela Casa Alemã e que foi considerado uma maravilha da arte arquitetônica.

Construído em estilo neo-clássico eclético, possui também elementos art-decô como escadarias e sanitários, e art-noveau, luminárias, porta e poltronas. Com boa acústica graçs a um espelho d’água sob o palco, um ousado recurso técnico, ampliando a voz dos atores no palco, atuou nele o empresário Ciríaco Gonzalez, que mandou vir mão-de-obra especializada de Portugal e Espanha. O ferro da estrutura veio da Inglaterra, o cimento e o mármore de carrara da Itália e as telhas de Marselha, na França.

O Coliseu começou a perder sua grandeza em 1967 com a demolição de uma parte de sua estrutura, camarins e oficinas, em 1967. Quase virou um shopping em 1977. Virou cinema pornô. Em 31 de julho de 1982, foi objeto de um abaixo-assinado pela sua preservação, enviado ao CONDEPHAAT, no processo de tombamento que então se inicia, concluido em 1989. Foi desapropriado pela prefeita Telma de Souza, que o declara de Utilidade Pública em setembro de 1992, pelo Decreto 1734 - desapropriado pelo prefeito David Capistrano, em 1º de fevereiro de 1993.

A empresa Akio iniciou as obras de recuperação em 15 de agosto de 1996 e demorou 16 anos. Cerca de dezessete milhões de reais foram gastos, segundo anunciou o jornal A Tribuna, na restauração do imponente teatro e, às vésperas de sua prometida, como tantas outras vezes, inauguração, temos o dever de conferir – pois as verbas estaduais, afinal, são do Município e foram arrecadadas aqui. Doações do Banco Real (1998, 1 milhão) e verbas do DADE foram generosas.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

O VERDADEIRO HINO DE SANTOS

O VERDADEIRO HINO DE SANTOS
(o que foi, hino do povo que é, sem nunca ter oficialmente sido)

No blog http://jornalsantoshistoriapaulomatos.blogspot.com/ você pode ver o item O VERDADEIRO HINO DE SANTOS. É um artigo de Paulo Matos, em que ele traz o texto e o comentário sobre o Hino de Santos que criou em 1998 e que pelas armadilhas do destino não é o Hino Oficial da cidade.

Ele o inscreveu no concurso público, há dez anos atrás, que iria escolher o hino. Um concurso que foi instituído pela Prefeitura, que aceitou inscrições e depois e que foi cancelado - por motivos que agora se revelariam. Foi um Projeto de Lei do atual vereador Manoel Constantino que deu origem ao concurso e, agora, surgem os fatos.
O comentário à época, em que se cancelou o concurso, era de que esta letra teria sido escolhida e houve rejeição do então prefeito, que não tem exatamente relações amistosas com o autor – decidindo-se pela absurda inédita, juridicamente inexistente, da sua medida – uma “abdução” da iniciativa.

Agora, com a opção da compra de um hino – aprovado na sessão da Câmara de ontem, quinta 11 de dezembro de 2008 - um hino que mais se sugere um jingle, belo, mas sem nenhum conteúdo -, o autor cumpre o papel obrigatório de divulgar a letra inscrita junto com a música, cujos originais permanecem com a Prefeitura.

É a seguinte a letra:

SANTOS, CIDADE CARIDADE E LIBERDADE SANTOS, PRAIAS E CAMPOS, NOSSO SONHO VIVE AQUI. PATRIAM CHARITATEM, LIBERTATEM DOCUI. À PÁTRIA ENSINASTE CARIDADE, A LIBERDADE É FRUTO DE TI.
TENS CINCO SÉCULOS DE PLENA PAIXÃO SEREIA. JUNTO À SANTA CASA OFERTAMOS A TEIA, ASA ABERTA AOS POVOS DO MAR.AOS QUE VEM COM PLANOS VIDAS INTEIRAS DE AREIA A CHEGAR,NA PRAIA OU DEFRONTE AOS JERÔNIMOS SEMEIA
TUA HISTÓRIA SÃO MARCOS DE GLÓRIA, DESDE OS TEMPOS DO BACHAREL NA BASE DESTA CAMINHADA GÊMEA NA HISTÓRIA,AQUI SE FEZ MAR, SOL E MEL.QUE POR SER ÍNDIA E HETEREOGÊNEA, GUAIBA, GUAIAÓ, TUA MEMÓRIA, AO COLONIZADOR SE FEZ REVEL.
LIBERTÁRIA DESDE O EXTRATO, AO MUNDO MOSTRASTE O BALÃO. CONQUISTASTE O AR, DE FATO, TE ELEVASTE NO AEROSTATO, COM BARTOLOMEU DE GUSMÃO.PADRE SANTISTA E VOADOR PERSEGUIDO PELA INQUISIÇÃO
O TRATADO DE MADRI SIM, SE FEZ AQUI FOI OBRA DE ALEXANDRE, O IRMÃO DESTE MÁRTIRES E DIPLOMATAS À REVOLUÇÃO VIVESTE QUILOMBOS E PATRÍCIAS TARQUÍNIOS E CONQUISTAS FIZESTE INDEPENDÊNCIA INATAS A REPÚBLICA E ANTES, A ABOLIÇÃO
DOS PIRATAS AOS ENGENHOS, NA LUTA E NO TRABALHO DO ENGUAGUASSÚ AO GUARAPISSUMÃ NA POESIA DE VICENTE DE CARVALHO VIESTE DO OUTEIRO, TE FIZESTE IRMÃ
SANTOS DESDE SEMPRE LIBERTÁRIA, TENS DOIS LADOS, TRABALHO E PRAZER PORTO E PRAIA SÃO FACES, OPERÁRIA DO PRINCÍPIO DA AÇÃO SOLIDÁRIA IGUALDADE É TUA PROPOSTA DE VIVER
ANTES DA LEI ÁUREA LIBERTASTE O CATIVO PELA EMANCIPAÇÃO LUTASTE COM TEU PROLETÁRIO AFIRMASTE EM ATA ESTE PRINCÍPIO ATIVO FOSTE A BARCELONA DO TEU OPERÁRIO LUSO, HISPANO, DISSEMINANDO O PRINCÍPIO SOLIDÁRIO NAVIO ILUMINADO DE PRATA CENTRO LIBERTÁRIO
ANTES DE ISABEL, PROJETASTE SERES VIVOS NATUREZA INATA INTERNACIONAL FIZESTE HERÓIS REDIVIVOS PARA A INDEPENDÊNCIA DESTE BONIFÁCIO ELEMENTO PARA A NAÇÃO VITAL
LIBERTÁRIA
TERRA DOS ANDRADAS E DOS FONTES, TEMERÁRIA MOSTRASTE AO MUNDO TEUS ENCANTOS BIFRONTES ILHA REVOLUCIONÁRIA SEMEANDO TRANSFORMAÇÃO
ILHA PLENA DE ÁGUA, TERRA E LUAR, MARCA LUMINÁRIA PORTA ABERTA AOS POVOS DO MAR OS CANAIS QUE VIERAM TE MOLDAR, TEUS NAVIOS TUA PRAIA, TUA BOLSA, TEU CAFÉ, TERRA SOLIDÁRIA CHEGARAM SIM PARA MOSTRAR DO MESTRE COSME A SATURNINO TUA FÉ -SECULAR
CUBAS TE FEZ ETERNA A NAVEGAR DE TEUS MORROS VIESTE DO MAR A PÉ TEUS HERÓIS FORAM FUNDO, TE FIZERAM PROJETAR A CONSTRUÇÃO DE UM NOVO MUNDO, A MISSÃO DE DEDICAR
NA CIDADE LIBERTÁRIA, NO PERMANENTE REIVINDICAR A VIDA CORRE EM VERSO, PELOS MAIS BELOS JARDINS DO UNIVERSO FLORES E ÁRVORES, RETORNANDO NO ALÍSIO AR
NO VIGOR DE TEUS GUINDASTES,O PODER DE MULTIPLICAR A FORÇA DAS ARTES, CAPAZES DE IDEALIZAR TEMPOS NOVOS , APONTANDO O LIBERTAR DOS POVOS VINDO DA TERRA E DO AR
TIVESTE A AÇÃO PRISIONEIRA DE UM NAVIO SOBRE O MAR SOBRE TI, A BARBÁRIE SORRATEIRA QUE SOUBESTE REJEITAR TENS AGORA A VIDA INTEIRA LIBERDADE PARA PROPAGAR POIS NÃO HÁ FORÇA A TE EMBOTAR,
QUE TE DOMINE PORTO - PARTEIRA DO AR SEMPRE E SEMPRE, UMA VEZ MAIS SEMPRE, PELO EMANCIPAR
SANTOS DE TODOS OS SANTOS TENS O SOL E O SAL A TE FAZER PLENA UNINDO SUA GENTE EM TEUS RECANTOS, COM AMOR VIGENTE, CIDADE SERENA GENTE CHEGADA DO MAR E DA SERRA DO MUNDO E DA GUERRA GRÁVIDA DO TEU TEMA QUE FAZ SORRIR AOS QUE ADOTAM O TEU LEMA:

PATRIAM CHARITATEM LIBERTATEM DOCUI À PÁTRIA ENSINASTE A CARIDADE A LIBERDADE É FRUTO DE TI
À PÁTRIA ENSINASTE A CARIDADE A LIBERDADE É FRUTO DE TI!

domingo, 30 de novembro de 2008

EURICO DO TRANSPORTE COLETIVO GALATRO

Paulo Matos (*)
É simples a concepção de uma empresa pública de transporte coletivo, que não exige investimento prévio e cujos ônibus locados se pagam e a viabilizam, dentro de técnicas de racionalização e estrutura de gestão eficientes. Que permitem custos reduzidos na tarifa, na consagração do ideal coletivo e não individual, evitando sua entrega para interesses outros que não o das pessoas.

E isto é o que repetia e praticava Eurico, o ex-diretor da CSTC de Justo, que nos deixou recente. Seria desrespeitoso não saudar esta memória, no serviço responsável por boa parte da vida de milhares de oprimidos escravos modernos, usuários do sistema em ônibus lotados. E cada vez mais submetidos à precarização desta forma de serviço público, a que se aplicou em todo país a tese da terceirização, com grandes lucros em poderosas organizações – cujo progresso não contribui com as cidades e sua gente.

Esta questão é atual, pois a necessidade de serviços eficientes e confortáveis de transporte é hoje uma exigência das cidades para sua viabilização, não apenas relativa aos direitos populares, mas à sua logística operacional inevitável. De nada adiantam as anunciadas estratégias para evoluir o sistema se o objetivo é atividade empresarial e não serviço público, poucos e ruins veículos impróprios que degradam a condição dos motoristas, retirando os cobradores, inclusive.

A notícia da partida de Eurico, o caminhante aplicado de praia, rápido e diário, adepto da técnica tailandesa de movimentação concomitante dos braços, surpreendeu. Jovem, pela casa dos “enta”, Eurico Del Carmine Galatro foi um administrador daqueles buscados por Justo na COSIPA, para desenvolver o projeto de regeneração da CSTC – a Companhia Municipal de Transporte Coletivo – em seu governo de 1984 a 1988 em que saneou a empresa CSTC então em crise.

Nos filmes do diretor japonês Akira Kurosawa é mostrado, nas cerimônias fúnebres, o culto à memória do desaparecido - uma prática deste povo sábio, que tanto inspirou Justo com seu banchá e o culto que fazia ao Japão e à cidade-irmã de Shimonoseky. Aos mestres de karatê como Yoshide Shinzato, da técnica marcial milenar que tinha salvado sua vida com a macrobiótica e que valorizava na prática e no discurso, no valor da disciplina.

Seria traição à memória do amigo Eurico não falar de seu trabalho, de sua técnica, de suas idéias e comportamento ético, para ele obrigatório no perfil do administrador popular. Eurico, com o também caminhante de praia, administrador Marco Alonso Duarte - que ocupou a presidência da CSTC naqueles tempos de um intenso programa de regeneração que a tornou lucrativa.

Eles eram autores da idéia original de tornar possível e viável uma empresa pública de transporte coletivo, no projeto apresentado em 1985. O que fez na companhia do administrador Marco, junto com o engenheiro Armenio Russo e Vicente di Gregório, os advogados José Coelho e Lupércio Mussi, entre outros que vieram depois.

A memória do lançamento na Prefeitura do livro encomendado por Justo e editado em 1987, que escrevi – “Transporte Coletivo em Santos, história e Regeneração”, em companhia de Ricardo Evaristo dos Santos -, refaz o cenário dessa vitória rara em uma área em que nenhum prefeito consegue sucesso senão cedendo a interesses privados.

Na crise do sistema, em 1985, Justo chamou a todos para contribuir, indo buscar esta eficiência na COSIPA, entre seus técnicos. Para começar, ele plantou flores e transformou a empresa. Quando Justo convidou-me a descrever a tarefa, notou minha atração pelo tema - o que vinha do movimento popular e me fez produzir um TCC na Universidade, na fé da essencialidade do sistema para a população.

Foram coisas simples que tornaram a CSTC pública eficiente e lucrativa, nada complexo, mas sincero. – nos procedimentos que ele fiscalizava pessoalmente na tarefa que era o orgulho de Justo. Foi esta a mensagem popular que eles incorporaram e hoje discutem na logística do céu. Saudações, Eurico. Continuamos a cumprir a tarefa.
“Transporte Coletivo em Santos, história e regeneração” – email: jornalistapaulomatos@yahoo.com.br

domingo, 23 de novembro de 2008

A REVOLUÇÃO SOCIAL EXEMPLAR DE ANTONIETA - A certeza na frente e a história na mão

A REVOLUÇÃO SOCIAL EXEMPLAR DE ANTONIETA
(*) Paulo Matos
Em tempos que mesmo após o sacrifício de milhões de seres, há no evento da crise o reconhecimento da análise antiga de Karl Marx, vamos beber na gênese de seu projeto político de Justiça Social. E buscar os exemplos das moradias coletivas nos planos habitacionais. Nos falanstérios de Fourier e Saint Simon, na utopia da igualdade de More concretizando cooperativas e espaços de transformação da produção, como quis Proudhon transposto para o clima da favela.

A oportunidade de uma Revolução Social Exemplar em Guarujá, com a eleição da prefeita Maria Antonieta de Brito no pleito recente, só depende de um desenho, de uma idéia afirmada coletivamente. O que é preciso organizar, discutir, ensaiar e escrever em bloco em busca de apoio federal e estadual para um projeto revolucionário. Que é possível como foi aqui a quarta revolução mundial da psiquiatria ou nossa luta secular no transporte coletivo, que vai vencer. Ou na ação avassaladora das massas na luta da legalização dos ambulantes de praia, que fizemos em atitude revolucionária e redentora.

Guarujá oferece a oportunidade de uma experimentação nos níveis aplicados nacionalmente em Santo André pelo que seria o ideólogo da gestão Lula e seu chefe de programa de governo – Celso Daniel, titular do maior processo de desfavelamento do país. Abre-se a perspectiva da transformação e retomada das ações que ocuparam nossas mentes, nossos corações e desejos tombados na violência dos insanos, que não lograram apagar os palimpsestos - as gravações em rocha impostas pela consciência.

Conheci a experiência de construção de casas em Santo André em Comissão da Câmara de Santos. E lá pude vislumbrar a riqueza das experimentações levadas a efeito na transformação social operada em formas diversificadas de construção, no mais fantástico processo de reversão social que já pude contemplar.

A violência e a venalidade dos insensíveis - ou seja, qual for o fato - cuidou de afastar desta obra seu intérprete principal. Que é, aqui e agora, Maria Antonieta - atriz principal de outra cena que não da desigualdade histórica, mas no desenho e na proposta de uma nova era da humanidade. Porque nascemos em todos os cantos, na terra dura e seca, na parede e na bala, no manifesto, no grito, na história em que derrotamos a tortura.

Desde quando fundamos o PT e na caminhada atravessamos o mar que nos separa de Guarujá com Lula, rumo à cidade que ele crescera e que tinha, então, 58 favelas - em barquinhos ali chamados de catraias -, desde então jamais se despregou de minhas utopias esta imagem gregária das moradias coletivas engajadas a projetos de auto-gestão.

Seria a regeneração de pessoas em processos gigantescos no país-continente, engajando atitudes sociais a partir da construção, reforma, melhoria e urbanização de núcleos habitacionais. A visualização da estendida carência proclamada e a presença do coletivo engajado na mudança era, sim, motivo de esperança e alegria – na concretização dos projetos acadêmicos juvenis.

Guarujá, agora gravada por sucessivas chegadas de gente e abandonos, neste período teve empilhados seres sob os solos às margens de rios e mares com lixo e restos de floresta. Mas há possibilidade de futuro a partir da compreensão ideológica da ação direta como instrumento não de mudanças centralizadas, mas nuclearizadas. Pensar globalmente e agir localmente, eis a regra.

Lula foi parte da primeira ocupação vinda do Norte, do sonho de bairros planejados que viraram favelas como a Vila mais poluída do mundo, Parisi a que um dia escrevemos sua história. Quando na faculdade, gravamos em filme Super Oito as cenas da Vila Socó, antes de ser incendiada em 25 de fevereiro de 1983 - quando andamos por suas pinguelas estreitas e perigosas cheias de crianças, lodo, lixo. Era assim.

Não demorou para que centenas de vidas fossem carbonizadas ali como em um crematório de massas que um dia algum tecnocrata malthusiano sugerisse como eliminador das massas excluídas do processo. No reverso, em Santo André, o envolvimento comunitário nessa tarefa de auto-geração oferecia um clima quente à cidade, ainda que no inverno. Entusiasmo contagiante em gerações de envolvidos e sobre os que Miriam Belchior discorria descrevendo fórmulas, estatísticas, modelos, mapas, índices – mas nada tão imagético e sensorial como aquela possibilidade que se sugeria impossível nos velhos receituários arbitrários. Que fazia ver imagens do amanhã amplo, farto e igual, colorido e comum, revolucionário.

È esta a oportunidade de um desenho mágico que equalize Guarujá, marco frontal da diferença social, pois que abrigo de milionários desde fins do século XIX e ponto de chegada de migrantes na Itapema que seria Vicente de Carvalho, o poeta do mar, sem sequer lembrar sua poesia. O mar, agora, não é belo. Era um líquido verde-escuro que assustava com suas ondas batendo nas palafitas ainda mais nas noites de vento e de frio, de crianças assustadas e chorosas, de medo. Mas nada será como antes: com Antonieta, a implantação do maior programa social do país, amigo Lula, ali, no lugar na vida que você conhece e esteve e que não será mais do que justiça, virá pelas mãos do trabalho.

Nossa esperança só pode vir dos sem-esperança, diria a Paris de 68. As moradias são vitais porque as condições de dignidade pessoal porque são essenciais para o livre desenvolvimento de cada um, diria Lênin. Para quem é preciso sonhar, mas com a condição de crer no sonho. E observar com atenção a vida real realizando escrupulosamente nossas fantasias, avisou. A Revolução Exemplar de Guarujá é possível, a poesia está na rua. É este o espírito que deve comandar uma gestão que só faça concessões à necessidade e à geografia humana multicor de Guarujá. É hora de fazer a hora por quem sabe, com a certeza na frente e a história na mão.

SANTOS - CAFÉ, PETRÓLEO E CONQUISTA POPULAR

(*)Paulo Matos
A (última) nova descoberta de uma super-reserva de petróleo no Parque das Baleias, equivalente ao maior campo do país, mas que apesar do nome fica no Espírito Santo, reforça o convite: o Brasil pode entrar no grupo dos sete maiores exportadores mundiais de petróleo e gás. Foi a intrepidez tecnológica e em permanente evolução da Petrobras que nos garantiu o pré-sal e a mudança da história para o país que a criou, no movimento popular “O Petróleo é nosso”, iniciado em 1947. É uma das maiores empresas do mundo do setor, fundada em 1954 e cujo projeto de criação chegou ao Congresso por Vargas em 1951 – vivendo no vigor da sua maturidade aos 55 anos.

Hoje, este evento popular do pré-sal pode trazer soluções para nossos problemas sociais, educação, saúde, infra-estrutura, meio-ambiente, erradicação da miséria – e Santos ocupa lugar de destaque neste cenário. Devemos somar para incorporação dos royalties ao progresso popular, assim como alterar todo o marco regulatório em função das novas condições de preço e reservas, o único país que não mudou e o que tem os melhores motivos para fazê-lo – na exploração que se exige apressada para aliviar a crise mundial, objetivo do diretor de exploração e produção Guilherme Estrella.

O movimento “O petróleo é nosso” foi integrado por amplos setores sociais, de estudantes e intelectuais ao movimento operário, militares e toda a sociedade civil, em ação organizada pelo Partido Comunista Brasileiro, demonstrativa de sua capacidade de organização e mobilização. Defendia que o Brasil tivesse uma atitude em relação ao seu “ouro negro”, cobiçado pelos Estados Unidos, para quem não era interessante que o Brasil extraísse petróleo de seu subsolo – que iria precisar no futuro, realidade que se revela hoje.

O petróleo transformaria o mundo, pois multiplicaria a força humana. Com ele o mundo chegou ao que é e embora hoje se tenha elementos para duvidar da conveniência de seu uso em face dos prejuízos ambientais que acarreta, impossível descartar seu papel ainda neste momento e por alguns anos. Nesta previsão, como Assessor Parlamentar do vereador santista Ademir Pestana, trouxemos do Rio de Janeiro para uma explanação sobre este potencial, em março de 2005, o engenheiro da Petrobras Henio Barreto, Assessor da Presidência da estatal.

Henio era um dos que em 2000 anunciavam esta formação geológica no ingresso do sistema exploratório - isto na luta pela instalação aqui da Unidade de Negócios da Petrobras, hipótese desprezada por alguns, mas que se concretizou. Agora, com a Unidade de Negócios da Petrobras tem o comando local de um expressivo técnico de carreira da Petrobras, que concretiza a meta enunciada e desacreditada - o engenheiro José Luiz Marcusso, filho do petroleiro que saiu e voltou do Marapé na cidade que já produziu heróis na luta do petróleo.

Não está distante o sonho de uma cidade e de um país saneados em suas carências sociais, com mais uma explosão de atividades econômicas alternativas a ausência endógena de meios de geração de renda. Depois do café, o petróleo - cuja história desde seus primeiros eventos tem tons fantásticos, como as modificações sociais que trouxe o café e trará o “ouro negro”. No sonho do modelo norueguês de apropriação popular, que devolve 78% para um Fundo de Previdência.

“Petróleo, “por um Brasil rico e culto”, diz Monteiro Lobato no “Jornal do Petróleo” de 1937, que possuímos os originais. Assim como o Visconde de Sabugosa foi o Anjo Gabriel do petróleo que anunciou em 1937 e que chegou em 1939, na cidade de Lobato, por coincidência, na Bahia – ampliando os horizontes nacionais porque foi militante. Heróis santistas como Dioclécio e Ripasarti também se contam entre milhares de militantes anônimos e ideológicos da causa do país e de sua gente. Por eles se exige a reversão popular do patrimônio.

Conta o livro de Lobato que os Estados Unidos descobriram o petróleo 80 anos antes de nós, em 1859. Em 1927 tinham quase um milhão de poços. Em 15 anos, abrimos 65 poços, eles 380 mil. Foram 70 por dia, nós quatro por ano. A aceleração da exploração da notória presença do subsolo petrolífero no Brasil era uma lógica continental, apesar da negação de sua existência pelos técnicos especializados dos Estados Unidos a serviço dos monopólios de Rockfeller e quetais.

Formada há 100 milhões de anos, no período de separação do supercontinente Gondwana criando o continente sul-americano e africano em intenso vulcanismo, todos os campos do país se originaram do material que se depositou e se converteu, com tempo e pressão, em petróleo. Lagos estabeleceram-se nas fendas da crosta, depois o mar penetrou entre as placas formando o que seria o Oceano Atlântico. Os sedimentos orgânicos acumularam-se nos lagos e sobre eles sedimentou-se o sal – é esta sua (breve) história.

São volumes que previstos em 80 bilhões de barris de petróleo e gás podem chegar a 110 bilhões e nos igualar ao Iraque nessa produção – o que é considerado possível pelo diretor da Agência Nacional de Petróleo Haroldo Lima -, reservas que hoje somam 14 bilhões de Barris de Óleo Equivalente (BOE - petróleo e gás). Segundo o presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli, esse potencial ampliará e modernizará a indústria local de equipamentos – para quem a capacidade mundial instalada mundial não atenderá à demanda do pré-sal santista – 112 mil KM2 é a província do pré-sal. No momento em que as descobertas rareiam no mundo, o Brasil – Santos – salta.

Para Santos, sempre um destino – primeiro o café e agora o petróleo. Café que aperfeiçoou seu porto, o maior da AL, na cidade também interconectada pelas vias rodo-ferroviárias e próxima a uma das maiores capitais do hemisfério, aperfeiçoando toda sua estrutura logística. O que será agora, quando ela é sede de uma das maiores bacias do mundo, que pode levar o país aos maiores produtores mundiais de petróleo e gás?

O Brasil se tornou um grande produtor de café. O que trouxe as divisas para o País enriqueceu muita gente e o próprio governo brasileiro, principalmente na região Sul. A própria São Paulo Railway, depois Santos/Jundiaí, uma das primeiras iniciativas ferroviárias no Brasil feitas por seu introdutor, Irineu Evangelista de Souza – o Barão e depois Visconde de Mauá – é o empreendimento que capacitou e equipou esta vocação do porto do café, originário.

Este porto se tornou o maior do mundo na matéria, graças a inauguração em 1867 da SP Railway, o que tornou inexorável o início as obras do cais para ampliação de sua capacidade, em 1889. Foi a Estrada de Ferro do Irineu que congestionou Santos de café e de navios que exigiam um porto organizado, motivo do seu monopólio pela Companhia Docas, com intervenção nos portos locais privados existentes, em um dos empreendimentos de maior taxa mundial de lucro na época, inaugurado em sua primeira fase de 200 metros em 1892.

O café formou mais de 90% das cidades paulistas, da terra vermelha e favorável, mas sua importância para Santos transcende a destes lugares em que fomos os maiores do mundo nos anos 20. Foi aonde chegou no século XIX – 100 anos antes no Brasil. O porto que canalizou em um tronco toda a produção do Estado foi Santos.

O café foi responsável pela própria viabilização da cidade, inóspita geograficamente em nível do mar, na sua origem aquosa e epidêmica devastadora. Foi a moeda que compensou o investimento em tecnologia urbana, na genial concepção do engenheiro Francisco Rodrigues Saturnino de Brito, os canais. Agora, a retomada do ciclo de crescimento com a descoberta de uma das maiores bacias de petróleo do mundo, na sua costa, obriga a reflexão para avanço popular e elevação popular horizontal de seus níveis de vida – como quiseram os militantes do “Petróleo é nosso”.