domingo, 30 de novembro de 2008

EURICO DO TRANSPORTE COLETIVO GALATRO

Paulo Matos (*)
É simples a concepção de uma empresa pública de transporte coletivo, que não exige investimento prévio e cujos ônibus locados se pagam e a viabilizam, dentro de técnicas de racionalização e estrutura de gestão eficientes. Que permitem custos reduzidos na tarifa, na consagração do ideal coletivo e não individual, evitando sua entrega para interesses outros que não o das pessoas.

E isto é o que repetia e praticava Eurico, o ex-diretor da CSTC de Justo, que nos deixou recente. Seria desrespeitoso não saudar esta memória, no serviço responsável por boa parte da vida de milhares de oprimidos escravos modernos, usuários do sistema em ônibus lotados. E cada vez mais submetidos à precarização desta forma de serviço público, a que se aplicou em todo país a tese da terceirização, com grandes lucros em poderosas organizações – cujo progresso não contribui com as cidades e sua gente.

Esta questão é atual, pois a necessidade de serviços eficientes e confortáveis de transporte é hoje uma exigência das cidades para sua viabilização, não apenas relativa aos direitos populares, mas à sua logística operacional inevitável. De nada adiantam as anunciadas estratégias para evoluir o sistema se o objetivo é atividade empresarial e não serviço público, poucos e ruins veículos impróprios que degradam a condição dos motoristas, retirando os cobradores, inclusive.

A notícia da partida de Eurico, o caminhante aplicado de praia, rápido e diário, adepto da técnica tailandesa de movimentação concomitante dos braços, surpreendeu. Jovem, pela casa dos “enta”, Eurico Del Carmine Galatro foi um administrador daqueles buscados por Justo na COSIPA, para desenvolver o projeto de regeneração da CSTC – a Companhia Municipal de Transporte Coletivo – em seu governo de 1984 a 1988 em que saneou a empresa CSTC então em crise.

Nos filmes do diretor japonês Akira Kurosawa é mostrado, nas cerimônias fúnebres, o culto à memória do desaparecido - uma prática deste povo sábio, que tanto inspirou Justo com seu banchá e o culto que fazia ao Japão e à cidade-irmã de Shimonoseky. Aos mestres de karatê como Yoshide Shinzato, da técnica marcial milenar que tinha salvado sua vida com a macrobiótica e que valorizava na prática e no discurso, no valor da disciplina.

Seria traição à memória do amigo Eurico não falar de seu trabalho, de sua técnica, de suas idéias e comportamento ético, para ele obrigatório no perfil do administrador popular. Eurico, com o também caminhante de praia, administrador Marco Alonso Duarte - que ocupou a presidência da CSTC naqueles tempos de um intenso programa de regeneração que a tornou lucrativa.

Eles eram autores da idéia original de tornar possível e viável uma empresa pública de transporte coletivo, no projeto apresentado em 1985. O que fez na companhia do administrador Marco, junto com o engenheiro Armenio Russo e Vicente di Gregório, os advogados José Coelho e Lupércio Mussi, entre outros que vieram depois.

A memória do lançamento na Prefeitura do livro encomendado por Justo e editado em 1987, que escrevi – “Transporte Coletivo em Santos, história e Regeneração”, em companhia de Ricardo Evaristo dos Santos -, refaz o cenário dessa vitória rara em uma área em que nenhum prefeito consegue sucesso senão cedendo a interesses privados.

Na crise do sistema, em 1985, Justo chamou a todos para contribuir, indo buscar esta eficiência na COSIPA, entre seus técnicos. Para começar, ele plantou flores e transformou a empresa. Quando Justo convidou-me a descrever a tarefa, notou minha atração pelo tema - o que vinha do movimento popular e me fez produzir um TCC na Universidade, na fé da essencialidade do sistema para a população.

Foram coisas simples que tornaram a CSTC pública eficiente e lucrativa, nada complexo, mas sincero. – nos procedimentos que ele fiscalizava pessoalmente na tarefa que era o orgulho de Justo. Foi esta a mensagem popular que eles incorporaram e hoje discutem na logística do céu. Saudações, Eurico. Continuamos a cumprir a tarefa.
“Transporte Coletivo em Santos, história e regeneração” – email: jornalistapaulomatos@yahoo.com.br

domingo, 23 de novembro de 2008

A REVOLUÇÃO SOCIAL EXEMPLAR DE ANTONIETA - A certeza na frente e a história na mão

A REVOLUÇÃO SOCIAL EXEMPLAR DE ANTONIETA
(*) Paulo Matos
Em tempos que mesmo após o sacrifício de milhões de seres, há no evento da crise o reconhecimento da análise antiga de Karl Marx, vamos beber na gênese de seu projeto político de Justiça Social. E buscar os exemplos das moradias coletivas nos planos habitacionais. Nos falanstérios de Fourier e Saint Simon, na utopia da igualdade de More concretizando cooperativas e espaços de transformação da produção, como quis Proudhon transposto para o clima da favela.

A oportunidade de uma Revolução Social Exemplar em Guarujá, com a eleição da prefeita Maria Antonieta de Brito no pleito recente, só depende de um desenho, de uma idéia afirmada coletivamente. O que é preciso organizar, discutir, ensaiar e escrever em bloco em busca de apoio federal e estadual para um projeto revolucionário. Que é possível como foi aqui a quarta revolução mundial da psiquiatria ou nossa luta secular no transporte coletivo, que vai vencer. Ou na ação avassaladora das massas na luta da legalização dos ambulantes de praia, que fizemos em atitude revolucionária e redentora.

Guarujá oferece a oportunidade de uma experimentação nos níveis aplicados nacionalmente em Santo André pelo que seria o ideólogo da gestão Lula e seu chefe de programa de governo – Celso Daniel, titular do maior processo de desfavelamento do país. Abre-se a perspectiva da transformação e retomada das ações que ocuparam nossas mentes, nossos corações e desejos tombados na violência dos insanos, que não lograram apagar os palimpsestos - as gravações em rocha impostas pela consciência.

Conheci a experiência de construção de casas em Santo André em Comissão da Câmara de Santos. E lá pude vislumbrar a riqueza das experimentações levadas a efeito na transformação social operada em formas diversificadas de construção, no mais fantástico processo de reversão social que já pude contemplar.

A violência e a venalidade dos insensíveis - ou seja, qual for o fato - cuidou de afastar desta obra seu intérprete principal. Que é, aqui e agora, Maria Antonieta - atriz principal de outra cena que não da desigualdade histórica, mas no desenho e na proposta de uma nova era da humanidade. Porque nascemos em todos os cantos, na terra dura e seca, na parede e na bala, no manifesto, no grito, na história em que derrotamos a tortura.

Desde quando fundamos o PT e na caminhada atravessamos o mar que nos separa de Guarujá com Lula, rumo à cidade que ele crescera e que tinha, então, 58 favelas - em barquinhos ali chamados de catraias -, desde então jamais se despregou de minhas utopias esta imagem gregária das moradias coletivas engajadas a projetos de auto-gestão.

Seria a regeneração de pessoas em processos gigantescos no país-continente, engajando atitudes sociais a partir da construção, reforma, melhoria e urbanização de núcleos habitacionais. A visualização da estendida carência proclamada e a presença do coletivo engajado na mudança era, sim, motivo de esperança e alegria – na concretização dos projetos acadêmicos juvenis.

Guarujá, agora gravada por sucessivas chegadas de gente e abandonos, neste período teve empilhados seres sob os solos às margens de rios e mares com lixo e restos de floresta. Mas há possibilidade de futuro a partir da compreensão ideológica da ação direta como instrumento não de mudanças centralizadas, mas nuclearizadas. Pensar globalmente e agir localmente, eis a regra.

Lula foi parte da primeira ocupação vinda do Norte, do sonho de bairros planejados que viraram favelas como a Vila mais poluída do mundo, Parisi a que um dia escrevemos sua história. Quando na faculdade, gravamos em filme Super Oito as cenas da Vila Socó, antes de ser incendiada em 25 de fevereiro de 1983 - quando andamos por suas pinguelas estreitas e perigosas cheias de crianças, lodo, lixo. Era assim.

Não demorou para que centenas de vidas fossem carbonizadas ali como em um crematório de massas que um dia algum tecnocrata malthusiano sugerisse como eliminador das massas excluídas do processo. No reverso, em Santo André, o envolvimento comunitário nessa tarefa de auto-geração oferecia um clima quente à cidade, ainda que no inverno. Entusiasmo contagiante em gerações de envolvidos e sobre os que Miriam Belchior discorria descrevendo fórmulas, estatísticas, modelos, mapas, índices – mas nada tão imagético e sensorial como aquela possibilidade que se sugeria impossível nos velhos receituários arbitrários. Que fazia ver imagens do amanhã amplo, farto e igual, colorido e comum, revolucionário.

È esta a oportunidade de um desenho mágico que equalize Guarujá, marco frontal da diferença social, pois que abrigo de milionários desde fins do século XIX e ponto de chegada de migrantes na Itapema que seria Vicente de Carvalho, o poeta do mar, sem sequer lembrar sua poesia. O mar, agora, não é belo. Era um líquido verde-escuro que assustava com suas ondas batendo nas palafitas ainda mais nas noites de vento e de frio, de crianças assustadas e chorosas, de medo. Mas nada será como antes: com Antonieta, a implantação do maior programa social do país, amigo Lula, ali, no lugar na vida que você conhece e esteve e que não será mais do que justiça, virá pelas mãos do trabalho.

Nossa esperança só pode vir dos sem-esperança, diria a Paris de 68. As moradias são vitais porque as condições de dignidade pessoal porque são essenciais para o livre desenvolvimento de cada um, diria Lênin. Para quem é preciso sonhar, mas com a condição de crer no sonho. E observar com atenção a vida real realizando escrupulosamente nossas fantasias, avisou. A Revolução Exemplar de Guarujá é possível, a poesia está na rua. É este o espírito que deve comandar uma gestão que só faça concessões à necessidade e à geografia humana multicor de Guarujá. É hora de fazer a hora por quem sabe, com a certeza na frente e a história na mão.

SANTOS - CAFÉ, PETRÓLEO E CONQUISTA POPULAR

(*)Paulo Matos
A (última) nova descoberta de uma super-reserva de petróleo no Parque das Baleias, equivalente ao maior campo do país, mas que apesar do nome fica no Espírito Santo, reforça o convite: o Brasil pode entrar no grupo dos sete maiores exportadores mundiais de petróleo e gás. Foi a intrepidez tecnológica e em permanente evolução da Petrobras que nos garantiu o pré-sal e a mudança da história para o país que a criou, no movimento popular “O Petróleo é nosso”, iniciado em 1947. É uma das maiores empresas do mundo do setor, fundada em 1954 e cujo projeto de criação chegou ao Congresso por Vargas em 1951 – vivendo no vigor da sua maturidade aos 55 anos.

Hoje, este evento popular do pré-sal pode trazer soluções para nossos problemas sociais, educação, saúde, infra-estrutura, meio-ambiente, erradicação da miséria – e Santos ocupa lugar de destaque neste cenário. Devemos somar para incorporação dos royalties ao progresso popular, assim como alterar todo o marco regulatório em função das novas condições de preço e reservas, o único país que não mudou e o que tem os melhores motivos para fazê-lo – na exploração que se exige apressada para aliviar a crise mundial, objetivo do diretor de exploração e produção Guilherme Estrella.

O movimento “O petróleo é nosso” foi integrado por amplos setores sociais, de estudantes e intelectuais ao movimento operário, militares e toda a sociedade civil, em ação organizada pelo Partido Comunista Brasileiro, demonstrativa de sua capacidade de organização e mobilização. Defendia que o Brasil tivesse uma atitude em relação ao seu “ouro negro”, cobiçado pelos Estados Unidos, para quem não era interessante que o Brasil extraísse petróleo de seu subsolo – que iria precisar no futuro, realidade que se revela hoje.

O petróleo transformaria o mundo, pois multiplicaria a força humana. Com ele o mundo chegou ao que é e embora hoje se tenha elementos para duvidar da conveniência de seu uso em face dos prejuízos ambientais que acarreta, impossível descartar seu papel ainda neste momento e por alguns anos. Nesta previsão, como Assessor Parlamentar do vereador santista Ademir Pestana, trouxemos do Rio de Janeiro para uma explanação sobre este potencial, em março de 2005, o engenheiro da Petrobras Henio Barreto, Assessor da Presidência da estatal.

Henio era um dos que em 2000 anunciavam esta formação geológica no ingresso do sistema exploratório - isto na luta pela instalação aqui da Unidade de Negócios da Petrobras, hipótese desprezada por alguns, mas que se concretizou. Agora, com a Unidade de Negócios da Petrobras tem o comando local de um expressivo técnico de carreira da Petrobras, que concretiza a meta enunciada e desacreditada - o engenheiro José Luiz Marcusso, filho do petroleiro que saiu e voltou do Marapé na cidade que já produziu heróis na luta do petróleo.

Não está distante o sonho de uma cidade e de um país saneados em suas carências sociais, com mais uma explosão de atividades econômicas alternativas a ausência endógena de meios de geração de renda. Depois do café, o petróleo - cuja história desde seus primeiros eventos tem tons fantásticos, como as modificações sociais que trouxe o café e trará o “ouro negro”. No sonho do modelo norueguês de apropriação popular, que devolve 78% para um Fundo de Previdência.

“Petróleo, “por um Brasil rico e culto”, diz Monteiro Lobato no “Jornal do Petróleo” de 1937, que possuímos os originais. Assim como o Visconde de Sabugosa foi o Anjo Gabriel do petróleo que anunciou em 1937 e que chegou em 1939, na cidade de Lobato, por coincidência, na Bahia – ampliando os horizontes nacionais porque foi militante. Heróis santistas como Dioclécio e Ripasarti também se contam entre milhares de militantes anônimos e ideológicos da causa do país e de sua gente. Por eles se exige a reversão popular do patrimônio.

Conta o livro de Lobato que os Estados Unidos descobriram o petróleo 80 anos antes de nós, em 1859. Em 1927 tinham quase um milhão de poços. Em 15 anos, abrimos 65 poços, eles 380 mil. Foram 70 por dia, nós quatro por ano. A aceleração da exploração da notória presença do subsolo petrolífero no Brasil era uma lógica continental, apesar da negação de sua existência pelos técnicos especializados dos Estados Unidos a serviço dos monopólios de Rockfeller e quetais.

Formada há 100 milhões de anos, no período de separação do supercontinente Gondwana criando o continente sul-americano e africano em intenso vulcanismo, todos os campos do país se originaram do material que se depositou e se converteu, com tempo e pressão, em petróleo. Lagos estabeleceram-se nas fendas da crosta, depois o mar penetrou entre as placas formando o que seria o Oceano Atlântico. Os sedimentos orgânicos acumularam-se nos lagos e sobre eles sedimentou-se o sal – é esta sua (breve) história.

São volumes que previstos em 80 bilhões de barris de petróleo e gás podem chegar a 110 bilhões e nos igualar ao Iraque nessa produção – o que é considerado possível pelo diretor da Agência Nacional de Petróleo Haroldo Lima -, reservas que hoje somam 14 bilhões de Barris de Óleo Equivalente (BOE - petróleo e gás). Segundo o presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli, esse potencial ampliará e modernizará a indústria local de equipamentos – para quem a capacidade mundial instalada mundial não atenderá à demanda do pré-sal santista – 112 mil KM2 é a província do pré-sal. No momento em que as descobertas rareiam no mundo, o Brasil – Santos – salta.

Para Santos, sempre um destino – primeiro o café e agora o petróleo. Café que aperfeiçoou seu porto, o maior da AL, na cidade também interconectada pelas vias rodo-ferroviárias e próxima a uma das maiores capitais do hemisfério, aperfeiçoando toda sua estrutura logística. O que será agora, quando ela é sede de uma das maiores bacias do mundo, que pode levar o país aos maiores produtores mundiais de petróleo e gás?

O Brasil se tornou um grande produtor de café. O que trouxe as divisas para o País enriqueceu muita gente e o próprio governo brasileiro, principalmente na região Sul. A própria São Paulo Railway, depois Santos/Jundiaí, uma das primeiras iniciativas ferroviárias no Brasil feitas por seu introdutor, Irineu Evangelista de Souza – o Barão e depois Visconde de Mauá – é o empreendimento que capacitou e equipou esta vocação do porto do café, originário.

Este porto se tornou o maior do mundo na matéria, graças a inauguração em 1867 da SP Railway, o que tornou inexorável o início as obras do cais para ampliação de sua capacidade, em 1889. Foi a Estrada de Ferro do Irineu que congestionou Santos de café e de navios que exigiam um porto organizado, motivo do seu monopólio pela Companhia Docas, com intervenção nos portos locais privados existentes, em um dos empreendimentos de maior taxa mundial de lucro na época, inaugurado em sua primeira fase de 200 metros em 1892.

O café formou mais de 90% das cidades paulistas, da terra vermelha e favorável, mas sua importância para Santos transcende a destes lugares em que fomos os maiores do mundo nos anos 20. Foi aonde chegou no século XIX – 100 anos antes no Brasil. O porto que canalizou em um tronco toda a produção do Estado foi Santos.

O café foi responsável pela própria viabilização da cidade, inóspita geograficamente em nível do mar, na sua origem aquosa e epidêmica devastadora. Foi a moeda que compensou o investimento em tecnologia urbana, na genial concepção do engenheiro Francisco Rodrigues Saturnino de Brito, os canais. Agora, a retomada do ciclo de crescimento com a descoberta de uma das maiores bacias de petróleo do mundo, na sua costa, obriga a reflexão para avanço popular e elevação popular horizontal de seus níveis de vida – como quiseram os militantes do “Petróleo é nosso”.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

A revolução de Antonieta

A REVOLUÇÃO DE ANTONIETA
Paulo Matos (*)

Nada será como antes nesta região. Em Guarujá, como Lula, a hoje prefeita Antonieta aliou-se e fez história, em uma das maiores e fulminantes reversões eleitorais do país nestas eleições municipais de 2008.

Em pleno século XXI de grandes transformações econômicas e sociais mundiais, continentais e nacionais, ao lado da ilha de São Vicente nasceu um processo histórico notável e apaixonante. No momento de mais uma crise cíclica do capitalismo e no questionamento mundial dos mecanismos do sistema gerador de pobreza, na micro-região do Guarujá/SP - onde se opõe radicalmente miséria e riqueza -, a contestação tem seu oásis.

Este oásis é o da projeção da transformação da qualidade de vida de milhares de pessoas que chegaram e vieram trabalhar e morar em dezenas de favelas. Ou que chegaram antes, mas que tem a mesma natureza de exploração e opressão.

Na também ilha de Santo Amaro ocorreu uma Revolução recente, um fenômeno municipal que consagra localmente esta era – o que exige comemoração por seu jeito humano. Era a eleição da prefeita Maria Antonieta, que propunha um novo jeito de pensar e governar, para livrar a cidade dos miasmas e fantasmas com quem convivera.
Jovem, liderança política antiga na cidade, Maria Antonieta de Brito é uma feição política atípica, eqüidistante dos demais, que traz em seu perfil a ternura que “Che” não queria perder nos enfrentamentos da luta ideológica. Suave, é diferente.
Militante das causas sociais, vereadora do PT, dirigente partidária, não aceitou a invasão do Partido pelos postiços que queriam descredenciá-lo como força-motor da mudança, submetendo-o a antiquados modelos de gestão e dominação. Saiu e candidatou-se pelo PMDB à Prefeitura. E consagrou-se no primeiro turno, junto com os que pensaram sempre uma sociedade melhor e mais justa.
A eleição de Maria Antonieta em Guarujá resgata o papel do outrora denominado “partido-ônibus” PMDB como eixo, como o que abrigando as esquerdas derrubara a Ditadura Militar. Partido que, outra vez, agregou estes setores em aliança com estruturas tradicionais - para transformar o antigo território produtor do óleo de baleia, que cresceu com os que chegaram e que de Guarujá se tornaram.
Não, não era nossa Antonieta fiel às idéias da rainha derrotada pela Revolução Francesa de 1789, esposa de Luiz XVI, de quem arrastava o nome: na verdade seu oposto, essa Revolução de Guarujá 2008 era dela e de seus companheiros.
Era uma Revolução sem decapitações, mas com as flores tiradas do chão da antiga Guaíbe dos indígenas e as flechas da poderosa Confederação dos Tamoios do Litoral Norte. Ela teve essa coragem. E apostou no sacrifício da mudança necessária, a que preconizara em seus discursos, porque tem a história na mão.
Uma Revolução apoiada pelas consciências locais, só as que ousaram enfrentar o poder, postura que assumiram como raio. E por grupos de esquerda celebrizados por sua presença na caminhada da transformação social, como o Movimento Revolucionário Oito de Outubro. Um feito incomum em nossos tempos, resultante da precisão coletiva dos objetivos.
Era preciso dizer que os guarujaenses seriam capazes de erigir a sociedade aos seus mais legítimos rumos de pão, terra e trabalho para todos. Desta feita a história foi acelerada pela ação popular que se opunha aos mecanismos tacanhos de cooptação, retrógrados porta-vozes do atraso.
No conflito acirrado com uns poucos resistentes, intitulados celerados porque perseguiam soluções ainda que sob o domínio das forças obscurantistas, nessa insistência a candidata sagrou-se prefeita, revertendo um resultado há muito previsto e acertado entre os poderosos coronéis locais.
Guarujá, a antiga Guaíbe dos índios, a ilha de Santo Amaro, foi um dos primeiros pontos, senão o primeiro, a ser visitado na descoberta brasileira, trinta anos antes da chegada de Martim Afonso pelas águas de Guarapissumã, como os nativos chamavam o mar que separa as ilhas e que eles cogitaram ser um rio.

O colonizador, após assumir a posse do território, deixou a ilha de Santo Amaro para Pero Lopes de Souza, doada por João III em 1534, dentro do plano de povoamento do Brasil pela iniciativa particular.

A criação da Estância Balneária do Guarujá ocorreu em 1893. Em primeiro de março de 1923 foi instituído o Distrito de Paz em Guarujá, que abrangia todo o território insular. E a 30 de junho de 1926 o governador Carlos de Campos assinava a Lei número 2.184, que desmembrava Guarujá e instituía a sua prefeitura sanitária.

Em 1832, Guarujá foi transformado em vila - e em fins do século XIX começou a tornar-se balneário da elite, atraindo migrantes que formaram uma multidão de explorados e favelados sem atendimento nem equipamentos sociais até hoje.

A 21 de janeiro de 1931, o Interventor Federal em São Paulo, João Alberto Lins Barros extinguiu a prefeitura sanitária de Guarujá pelo Decreto número 4.844, reintegrando-o a Santos. Porém, a 30 de junho de 1932 o governador paulista Armando de Salles Oliveira criava a Estância Balneária de Guarujá - pelo Decreto número 1.525. Era a emancipação administrativa.

No ano de 1947, a nova Lei Orgânica dos Municípios, decorrente da Constituição de 1946, emancipava muitas estâncias balneárias, hidrominerais e climáticas. Entre estas, Guarujá, pátria desta Revolução de Antonieta, que se tornou Município - o desta Revolução de Antonieta 2008. Agora, nada será como antes.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

APRESENTAÇÃO DO BLOG

APRESENTAÇÃO DO BLOG

JORNAL SANTOS HISTÓRIA, NOSSO BLOG

(que traz livros, contos, artigos sobre Santos, de História, de Memória, de Urbanismo, de Arte, Literatura, Arquitetura, Psicologia e Psiquiatria – mas tudo de leve, no detalhe que busca ressaltar sua importância, na avaliação sempre leiga, mas observadora, de maneira pouco freqüente nas análises em geral – saliente-se).

AS NOTÍCIAS E HISTÓRIAS INTRÍSECAS DE SANTOS E REGIÃO ESTÃO AQUI, PARA O MUNDO CONHECER. A MEMÓRIA DE SANTOS É TAMBÉM SEU ELEMENTO TURÍSTICO, COMO AS CIDADES HISTÓRICAS. ESTA MEMÓRIA NÃO É APENAS SUA ARQUITETURA, MAS A HISTÓRIA DE SEUS PERSONAGENS, SUA VIDA, SEUS QUADROS SOCIAIS, A SITUAÇÃO DE SUA GENTE, SEUS TRAUMAS COMO O NAVIO-PRISÃO, CUJO NOME DEVE SIM SER LEMBRADO PARA EVITÁ-LO NO FUTURO. O RAUL SOARES NÃO VOLTARÁ.
ASSIM, NOSSO BLOG QUER CONTRIBUIR COM ESTA MEMÓRIA E TRAZER REGISTROS DE QUEM TEM HISTÓRIA PRÁ CONTAR. A META? SEMPRE O IMPULSO DA QUESTÃO SOCIAL, POIS, CITE-SE LUTZMBERGER, A EVOLUÇÃO DA TECNOLOGIA SEM PROGRESSO SOCIAL E SENTIDO HUMANO, NAS MÃOS DE UMA CLASSE – E É AÍ QUE ELA SE DIFERENCIA DA CIÊNCIA: É COMO COLOCAR UM MACHADO NAS MÃOS DE UM PSICOPATA, ESTES QUE POVOAM O PAÍS SEDE DO DESENVOLVIMENTO CAPITALISTA MUNDIAL.
ESSA GENTE QUE JAMAIS BEBEU OU BEBERÁ NA FONTE DE HIPOCREN, NO MONTE HELICON, QUE FAZIA POETAS AO SEU CONTATO. E O QUE DIZER, FOI ABERTA POR UM COICE DE PÉGASO, O CAVALO VOADOR DE BELEROFONTE. E VOCÊ ACHA QUE EXISTE ALGO MAIS POÉTICO DO QUE UM COICE?
TAMBÉM CHAMAM ESTA FONTE DE CASTÁLIA, MAS ELA INEXISTE EM ALGUMAS CULTURAS, IMPEDINDO QUE SE DISSEMINE COM QUALQUER DOS NOMES. O QUE EXIGE, CLARO, COM O APOIO DOS AMIGOS, PARA RESSURREIÇÃO SANTISTA – EMBORA O HISTORIADOR LEMBRE MARX E REPRISE QUE ELA SÓ SE REPETE COMO TRAGÉDIA.
MAS NÃO SE ASSUSTEM, NÃO O ESPÍRITO SANTISTA, NA SUA VERSÃO MAIS MATERIALISTA DE ELEMENTOS QUE A PRODUZIRAM – E QUE CONSERVA PERSONAGENS ESTUPEFATOS DIANTE DO TOSCO QUADRO – E QUE NATURALMENTE SE TRANSFORMA. COM UMA LOGÍSTICA MODERNA, ALGO ASSIM COMO A CINEMATECA DO MAURICE AGORA DA ZUZUCA, DIGO, DA PATRÍCIA “AND” RENATO. PARTICIPE, POIS!

DELADIER, ARTE SANTISTA NOS STATES EM SANTOS

DELADIER EM SANTOS

DELADIER: DIA 13/8 NO COMITÊ DO VEREADOR PESTANA, UM PAPO COM PINTOR SANTISTA QUE FAZ SUCESSO NOS STATES

FAÇA SUA ADESÃO (OU NÃO, COMO DIRIA O GILBERTO GIL) E APAREÇA PARA CONVERSAR COM DELADIER, QUE VAI PINTAR DEPOIS O RETRATO DELE, NO COMITÊ DO ADEMIR NA PRAIA DO GONZAGA.

NA ÚLTIMA VEZ QUE ESTEVE AQUI, DELADIER PINTOU O HISTÓRICO ARTISTA LUIZ HAMEN. E LEVADO POR ADEMIR PESTANA, O VEREADOR, CONVERSOU COM PAPA, O PREFEITO, E PROMETEU UM RETRATO PARA ELE, QUE VAI ENTREGAR AGORA. E PINTAR O QUADRO DO NÃO MENOS HISTÓRICO GILBERTO MENDES, O “PAPA” DA MÚSICA CONCRETA NO MUNDO.

EVENTO SERÁ NO DIA 13, ÀS 18 HORAS, NA AVENIDA PRESIDENTE WILSON 11, NO GONZAGA – PRAIA ESQUINA MARCÍLIO DIAS. APAREÇA!

DELADIER VEM ENTREGAR O QUADRO DO PREFEITO PAPA E PINTAR O RETRATO DE GILBERTO MENDES E GILBERTO GIL

Amigo de Paulo Matos dos tempos de Movimento Estudantil universitário, Deladier Almeida estudou no Escolástica Rosa e é um pintor santista que faz sucesso nos Estados Unidos. Ele vem a Santos no dia 13 e recebe os amigos e artistas da região para um papo no comitê do vereador Ademir Pestana, na Avenida Presidente Wilson 11 - Gonzaga.

Em Março de 2007, Deladier encontrou-se com o prefeito de Santos, João Paulo Tavares Papa, com quem esteve levado pelo vereador Ademir Pestana, apresentando a proposta de doar um retrato do prefeito para a cidade de Santos, que será entregue agora.

Nos sábados 16 e 23 ele fará demonstrações de pintura de retratos Alla Prima - dia 16 na galeria Engenho D'Arte. E dia 23 na Pinacoteca Benedito Calixto, quando vai pintar o compositor Gilberto Mendes. Na visita a Santos, ele vai envernizar as telas do Pelé, esticar a do Papa, encontrar o emoldurador para escolher a moldura do prefeito.

Em Junho de 2007, Deladier fechou um acordo com o músico e então ministro da Cultura Gilberto Gil para a pintura de seu retrato de 1 X 075 m. Deladier saiu de Santos em 1985 e está há 23 anos na Califórnia. Já ganhou vários prêmios em toda a América e seu trabalho está no saite www.deladier.com.Depois de mais de duas décadas, quando abandonou seus estudos em Arquitetura em Santos e foi para a Califórnia em 1985, Deladier Almeida volta à cidade.

O trabalho que fez com Pelé foi iniciado no contato que teve com o "Rei" em novembro de 2005 nos Estados Unidos - onde mora e trabalha -, na seqüência do quadro iniciado em setembro desse ano.

Do dia 1 ao dia 6 de março, Deladier participou da "New York Art Fair" em Nova York. E de 7 a 10 desse mês esteve em Miami, onde iniciou duas pinturas encomendadas. Em 1983, Deladier colaborou com os jornais "O Estado de SP" e "Jornal da Tarde" produzindo charges, caricaturas e ilustrações, até ir fazer carreira na América do Norte. O artista Deladier é filho do pai Daladier, como o primeiro-ministro francês que ficou famoso celebrando a paz com Hitler, que, como vimos, naufragou depois.

Ele encontrou Pelé, com quem mantinha contato por cartas desde julho de 2005, quando este foi a Hollywood para divulgar seu filme "Pelé eterno". Então pintou um estudo a óleo e o fotografou. Prosseguiu a partir daí com as pinturas retratando o artista da bola, em quadros que medem 2,02 m de altura e 1,22 de largura. Uma vai ficar no Museu Pelé e outra no escritório do "Atleta do Século" em Santos.

Em 2005, o artista iniciou esses dois retratos de Pelé, medindo 2m x 1,3m. Um deles é destinado ao futuro Museu Pelé e o outro encomendado pelo Rei do futebol para sua coleção particular. Os retratos foram entregues a Pelé em Santos, em março de 2007.

Ex-aluno do "Escolástica Rosa", nascido na Bacia do Macuco em 1961, Deladier, filho, neto e sobrinho de estivadores, estudou o primário no "Auxiliadora da Instrução" e fez Desenho Industrial no Santa Cecília, depois Arquitetura e Urbanismo na FAUS por dois anos. Isso até largar tudo e ir para os EU, onde casou com Roberta em 1985. Ela fazia intercâmbio na USP com a Universidade da Califórnia e morava em Los Angeles. Desde 1986 mora em Davis, entre São Francisco e Sacramento, a capital, no norte do Estado americano e tem três filhos - André (13 anos), Joel (10) e Clara (4).

O pintor santista morou no Embaré até 11 anos e no BNH da Aparecida, onde ainda moram seus pais. Foi aceito no curso de Arte da Universidade da Califórnia em 1986, formado em 1990, em 2005 ganhou o grande Prêmio da Bienal da Califórnia, organizada pelo "Croker Museum", em Sacramento. No mesmo ano foi convidado a participar da exposição "O que é realismo?" na "Albermale Gallery", uma das mais prestigiosas galerias de Londres.

Em dezembro de 2006 Deladier expôs sozinho na "John Natsoulas Center for the Arts", onde apresentou uma série de retratos de pintores, escultores e historiadores de arte dos Estados Unidos e da Inglaterra.

Estudioso do trabalho de Rembrandt, Velásquez, Franz Hals, Sargent, Zorn e Sorolla, em seu estilo, viaja freqüentemente para Londres, Paris e Madrid com o intuito de se aprofundar na pintura destes mestres, aos que se aproxima. Dos desenhos que fazia nas reuniões do Movimento Estudantil às pinturas que contemplamos hoje está desenhado o caminho genial deste outro Deladier da história mundial.

Deladier estudou Arte nos Estados Unidos com pintores de renome como Wayne Thiebaud e Roland Petersen, formando-se pela Universidade da Califórnia em 1990. Em 2005 Deladier foi eleito "Best of Show" na exposição Crocker-Kingsley, a bienal da Califórnia, organizada pelo Crocker Museum em Sacramento, capital da Califórnia.

Recentes exposições de relevo:

2005

- Exibição "Crocker-Kingsley" - eleito "Best of Show"
- Artista escolhido para representar o quinto distrito da California
- Palácio do Governo.
- Exibição "What is Realism" - Realizada na Albemarle Gallery, em Londres, organizada pelo historiador de arte Britânico Edward Lucie-Smith, que selecionou 50 pintores e escultores realistas vindos de diversos países.

2006

- Exposição solo de retratos e figuras na Dharma Studio,localizada em Miami.
- Exposição solo de paisagens da California na John Natsoulas Gallery.
- Exposição solo de uma série de retratos de pintores, escultores e
críticos de arte dos EUA e Inglaterra, realizada na John Natsoulas Gallery.
As pinturas que compuseram esta exposição foram pintadas ao longo de
Uma década.

2007

- Exposição solo de nus artísticos na John Natsoulas Gallery.
- Exposição solo da Conferencia de pintores de Paisagens da California, realizada na John Natsoulas Gallery.
- Durante o ano, Deladier promoveu várias demonstrações e cursos de pintura
de retratos,figuras e paisagens em diferentes localidades da California.

2008

- Mais uma vez, escolhido como o artista solo da Conferência de pintores
de Paisagens da California, realizada na John Natsoulas Gallery.
O telefone de Deladier Almeida nos Estados Unidos é (530)759-1900. o blog é http://www.deladier.com

domingo, 27 de julho de 2008

TORRES, BOSSA-NOVA E AFINS


Nestes 50 anos da bossa-nova, tão bem tocada na Litoral FM pelo João Claudio em "Bossa Nova e Afins", saudades. Saudades dos sonhos de futuro de uma época de democracia e desenvolvimento popular, do Vinicus diplomata e compositor.

Hoje, tem gente criticando as torres - estes edifícios altos demais de 20 andares que se fazem em Santos. Outro dia, de helicoptero, vimilhares na capital, juntos! E, incrível, a terra não afundou. Também, com as estacas de 50 metros que tem, nunca entortarão - traço de Santos - e nem farão afundar a ilha, é claro. Aqui fizeram umas poucas, mastem gente criticando, como sempre, equivocados. Mas criticando sem razão e ao reverso de um crescimento sustentável. Armenio quer discutir com os críticos,me disse, neste Tribunal do Litoral - quando chegar de Portugal.

As torres respondem às nossas necessidades de expansão humana e de aumento da população. Bem, lá vão morar pessoas das classes A e B, mas novas moradias entram no mercado, aumentando a oferta. E o pessoal conhece a velha e irrevogável Lei da Oferta e Procura, instituida sabe-se lá quando. A notíciarecente é que as torres foram liberadas em Paris. Aqui "sarrafam" a novidade construtiva que se espalha pelo mundo como solução de espaços.

Já viram o Prime Plaza, no Gonzaga? Vai fazer crescer a cidade, com 30 andares. As torres seriam a solução final para a nossa praia, ocupando apenas a terçaparte do espaço atual da muralha de prédios, se os sustituissem. Poderiamos criar as teorias as super-quadras, de Corbusier, antigas, equipadas com serviços evitando as viagens. Cerca de 2/3 dos espaços seriam coletivos, comtorres de 45 andares. Colocariam fim ao aquecimento da cidade, substituindo o paredão que se construiu com centenas de prédios baixos.

Se isto é sonho, vamos, pelo menos, aproveitar melhor os espaços! A tecnologia da moradia entra na disputa por espaços com o porto que se expande. É um método construtivo evoluído e reconhecido pela arquitetura –maior espaço vertical, menos horizontal, beneficiando o meio-ambiente. Prédiosaltos diminuem o custo das fundações. Há ainda o importante papel daconstrução civil nos aspectos econômicos e social. E não há de se falar nos impactos ambientais, de se falar em grandes garagens provocando o aumento dos carros pois estas guardam e não criam veículos.

As torres são a tecnologia mais desenvolvida para reduzir o impacto ambiental. Garantem o sol e o vento aos seus moradores e à cidade. Elas crescem para oalto, verticalmente. Diminui a área horizontal ocupada. Poderiamos, com as torres, nos livrar do paredão na praia. A arquitetura com tecnologia podemevoluir sim as condições ambientais e impedir os impactos negativos.As novas construções estão na praia e vão para as classes A e B. Mas logoestarão no Marapé e na Zona Noroeste, para a classe C.

No centro, parapreservar as construções antigas e históricas, teremos que fazer uma mesclado velho e do novo, com torres - e muito cuidado com a tecnologia dosbate-estacas, pois não pode haver sombra de trepidação. A geração de empregos e renda temporários (na construção) e permanentes, nos estabelecimentos e no consumo que gerarão estes novos empreendimentos, completam o clima favorável.

Os críticos não tem a mínima base técnica outeórica, são apenas saudosistas da paz dos cemitérios. Assim, antes que a voz repetida contra as torres de alguns vire verdade, comoreconheceu aquele ministro alemão nazista, tal de Goebels, é preciso esclarecer e retomar os fatos como eles são. Isto para que o crescimentonecessário, que gera novos equipamentos urbanos, seja pemanente. Não poderemos ficar desatentos e muito menos nos opormos a esta onda. Isto sob penade sermos jogados do bonde da história, que, aliás, está voltando.

Queremos almoçar no bonde-restaurante e visitar as torres, na cidade que já teve a maior rede elétrica de bondes da América do Sul, em 1917. Tudo para que acidade-mãe acolha seus filhos, que são todos os que vierem para cá.

68: CAPITÃO SÉRGIO E A MEMÓRIA DO HERÓI

68: CAPITÃO SÉRGIO E A MEMÓRIA DO HERÓI

Paulo Matos

A cada ano, desde que o amigo Miro ressaltou a importãncia deste episódio histórico - e isto faz mais de uma década - que o repito na forma a meu alcance. Afinal, estudei jornalismo para isso. É um tema de 1968, este mundialmente agitado ano que revolveu o planeta e nossas cabeças. A lembrança o maior e o melhor dos profissionais de salvamento do Para-Sar, equipe de salvamento em floresta da Aeronáutica, nos leva ao ano mágico de 68 e suas lições humanitárias. Episódio essencial para compreensão da história brasileira, aprendemos com a trajetória de um quarto de século vivida pelo capitão da Aeronáutica Sérgio Miranda Ribeiro de Carvalho.

Chamado Sérgio “Macaco”, por sua habilidade em escalar árvores na Amazônia para salvar vidas, foi herói das maiorias, mesmo sem nunca ter comandado grandes batalhas e nem promovido genocídios, como os “heróis” que nos são impostos. Seu papel? Ele se recusou a bombardear e matar milhares na Marcha dos Cem Mil, a manifestação estudantil de junho de 68 no Rio de Janeiro. E perdeu sua vida nesse embate em prol da humanidade, herói obstinado de sua gente.

Mas o que é obstinação? Sobre ela diz o escritor Hermann Hesse libertário que é a virtude que ele mais ama, a síntese de todas as virtudes - e que não é obedecer. A quem obedecer? O obstinado, para ele, obedece não às leis feitas pelos outros homens, mas a uma lei única, absolutamente sagrada: a lei em si mesma, ao sentido ("sinn"), do seu próprio ser ("des eigennen"). Dai obstinação, "eigenn sinn", como diz a canção a mais perfeita tradução. Por isso foi sacrificado até a morte.

Falecido em 5 de fevereiro de 1994, durou 25 anos a espera de que se revertesse a injustiça contra ele cometida. Mas quando concedida a devolução de sua patente, um presidente Itamar remeteu o assunto de volta à Advocacia Geral da União, é claro. Podemos compará-lo com o Capitão Sérgio?

Fundador do Pára-sar, grupo de elite da Força Aérea Brasileira treinado para operações de busca e resgate na selva, seu “crime” foi desobedecer ao brigadeiro João Paulo Penido Burnier. Quem determinara que a corporação executasse atos terroristas contra a população, em junho de 1968. O capitão Sérgio ousou dizer não. Tinha apenas 37 anos. E até morrer aos 63, jamais se arrependeu de seu ato nobre, recusando o perdão pois que não cometera crime, ao contrário o impedira.

Diante da agitação política em 1968, que recrudescia após o esmagamento do golpe militar de 1964, uma forte corrente de militares fascistas, então no Governo da ditadura do Marechal Costa e Silva, pretendeu justificar um governo “forte” – que pudessse torturar e matar sem protestos. O porta-voz dos “duros”, brigadeiro João Paulo Penido Burnier, ordenou que seus comandados do Pára - Sar se lançassem em atos terroristas contra o povo. Burnier agia sozinho?

O ministro, ao receber a denúncia do sanguinário projeto através do brigadeiro Itamar Rocha, diretor de Rotas Aéreas da corporação, puniu sim, com rigor, todos os que haviam se recusado a participar dos hediondos atentados. Antes, em abril de 1968, Burnier já havia colocado o Pára-Sar para caçar e matar lideranças estudantis presentes ao enterro do estudante Edson Luiz de Lima Souto, que, com 16 anos, fora assassinado pela PM, em uma manifestação pela reabertura do restaurante estudantil Calabouço.

Enquanto o Serviço Secreto do Exército matava e sequestrava, os radicais de direita invadiam o Teatro Galpão, para espancar os atores da peça Roda Viva. A PM reprimia manifestações populares com cavalos e surgia a “solução mágica” de Burnier: jogar ao mar “comunistas” e lideranças como o bispo de Olinda e Recife, dom Helder Câmara, Juscelino Kubitschek e outras expressões militares e civis que ameaçavam, com seu prestígio, o governo arbitrário. Agora tateamos como eles assassinaram Jango e Juscelino, entre outros.

Autor do livro "Não" e personagem do documentário do cineasta francês Olivier Horn, intitulado “O homem que disse não”, o ágil Sérgio era o “Caquinho” – diminutivo carinhoso de “Macaco”. Sua história é como a do almirante negro João Cândido. A Marinha jamais aceitou o heroísmo desse líder da Revolta da Chibata, em 1910 – que conseguiu a revogação dos castigos cruéis impostos aos marinheiros. Quando a Aeronáutica reconhecerá a importância histórica e a grandiosidade humana do capitão Sérgio, que como Cândido, precisou ferir a hierarquia militar para ser correto?

Quantos agiram com sua nobeza de caráter? Quanto obedeceram e torturaram, reprimiram, perseguiram? Quantos foram os que sob ordens trairam sua própria humanidade? O que é obediência senão o sentido do proprio ser um ser formado para o bem que não admitia tergiversações ou covardias, que assumia seu perfil humano e solidário que se encantava em salvar vidas, não martirizá-las a serviço de qualquer causa - compreendendo que o sentido da hierarquia tinha limites. Os militares não gostam do assunto, que significou rompimento a hierarquia sagrada, como fizera o citado "Almirante Negro" João Cândido, outro tema fora de pauta para os fardados. São lições de vida e coragem que não podemos esquecer.

sábado, 26 de julho de 2008

AÇÃO POPULAR ANTI-NUCLEAR

AÇÃO POPULAR ANTI-NUCLEAR – APAN

VAMOS HONRAR ERNESTO ZWARG E DOMINGOS STAMATO

SANTOS, 26 DE JULHO DE 2008

MANDE SEU COMENTÁRIO E SUA ADESÃO QUE VAMOS NOS REUNIR LOGO E
PLANEJAR AS AÇÕES DIRETAS.

MANIFESTO AÇÃO POPULAR ANTI-NUCLEAR

NÃO TEM JEITO, QUEM SABE FAZ A HORA E NÓS SABEMOS O QUE DÁ NÃO FAZER NADA. VAMOS SALVAR NOSSOS FILHOS E AJUDAR O BRASIL A TER FONTES LIMPAS DE ENERGIA QUE UTILIZEM O QUE TEMOS DE SOBRA, SEM DAR BOLA PARA OS GORILAS ASSASSINOS QUE QUEREM A BOMBA. VAMOS MARCAR SIM E JÁ A AÇÃO CONTRA AS USINAS NUCLEARES. ESTÁ FUNDADA A APAN - AÇÃO POPULAR ANTI-NUCLEAR. O MANIFESTO ESTÁ NO BLOG. VAMOS FAZER A HISTÓRIA E SEGUIR A RESISTÊNCIA.
Já impedimos as usinas nucleares no litoral há quase 30 anos e vamos fazer de novo!
QUEREM MESMO FAZER O BRASIL DE TANTO SOL, VENTO E RIOS VIRAR NUCLEAR, PARA MATAR E ALIMENTAR SONHOS MILITARES DE TER A BOMBA PARA DOMINAR E TER MAIS PODER. NÓS RECUSAMOS O MODELO E A PROPOSTA, ESTAMOS NA RETA OPOSTA. E VAMOS PARTIR PRÁ CIMA. VAMOS UNIR BAIRRO E CIDADE, CIDADE E REGIÃO E ESTIMULAR A DISCUSSÃO E A CONSCIÊNCIA DA TRAGÉDIA QUE NOS AMEAÇA E AOS NOSSOS FILHOS E NETOS.
PODEMOS SIM TER MILHÕES DE FONTES LIMPAS E SETORIAIS, NÃO MEGA-EMPREENDIMENTOS. ELES NÃO ACEITAM PORQUE ENERGIA É PODER E PARA NÓS O PODER TEM QUE SER AUTÔNOMO E POPULAR. NOSSA OPINIÃO ELES NÃO PERGUNTARAM E NEM FIZERAM A CONSULTA DIRETA QUE A CONSTITUIÇÃO DE 20 ANOS PERMITE E GARANTE E OBRIGA, POIS QUE É PREVISÃO CONSTITUCIONAL: A DEMOCRACIA SERÁ EXERCIDA PEA VIA PARLAMENTAR OU DIRETAMENTE NA FORMA QUE A LEI ESTABELECER, ESTÁ LÁ.
E PIOR, O BAGULHO É URGENTE, ELES ESTÃO MARCANDO DATA PARA INÍCIO DO FUNCIONAMENTO DAS USINAS E NÓS ESTAMOS NO RAIO DE ABRANGÊNCIA DE SEUS EFEITOS, COMO CHERNOBIL OU CÉSIO 137. OS ÍNDIOS DENOMINARAM O LUGAR ONDE ELES QUEREM FAZER A USINA DE ANGRA PORQUE ANGRA QUER DIZER “TERRA MOLE”.
PIOR AINDA É QUE ELES NÃO SABEM NEM ONDE VÃO COLOCAR O LIXO ATÔMICO, O QUE VAI SOBRAR. PUDERA, ELES NÃO SABEM NEM ONDE COLOCAR AS PILHAS USADAS. DAR UM NEGÓCIO DESTES NA MÃO DESTES CARAS VAI SER QUE NEM MACACO EM LOJA DE CRISTAIS, COM LICENÇA DA PALAVRA. ELES JÁ ERRARAM O SUFICIENTE.
ELES NUNCA LERAM ENGELS, QUE JÁ EM 1876 FALAVA DAS AÇÕES IMEDIATISTAS PRÓPRIAS DO MODELO ECONÔMICO QUE DESTRÓEM A TERRA – MUITOS ANTES DE NÓS ATUARMOS NOS PRIMEIROS MOVIMENTOS ECOLÓGICOS NA CIDADE E REGIÃO, PRINCIPALMENTE.
FOI O PRÊMIO NACIONAL DE JORNALISMO À REPORTAGEM DE LANE VALIENGO E LEDA MONDIN, HÁ QUASE 30 ANOS, QUE DETONOU A QUESTÃO CUBATENSE, DOS EFEITOS DA POLUIÇÃO. FORAM INICIATIVAS LOCAIS DA COMISSÃO DE MEIO AMBIENTE E DOS MOVIMENTOS ECOLÓGICOS REGIONAIS QUE DETONARAM A QUESTÃO QUE AGORA SE AGUDIZA, NO SEU SILÊNCIO.
NÃO ÀS USINAS NUCLEARES, EM DEFESA DO GÊNERO HUMANO!
PAULO MATOS
(“todos juntos somos fortes, somos arco somos flecha, não há nada a temer”)
VEJA O QUE DIZ O GREENPEACE:
Investir em Angra 3 é jogar dinheiro público na privada
24 de Março de 2008
Ativista protesta em frente à sede da Eletrobrás, no Rio de Janeiro, contra o investimento da estatal em energia nuclear. O Greenpeace aproveitou a ação para lançar seu relatório Elefante Branco: os verdadeiros custos da energia nuclear, que revela quanto realmente vai custar a construção de Angra 3.
Rio de Janeiro (RJ), Brasil — Novo relatório do Greenpeace revela desperdício de recursos públicos na construção da usina nuclear. Prejuízo pode chegar a R$ 4 bilhões.
Bilhões de reais dos cofres públicos brasileiros estão condenados à descer privada abaixo caso o governo federal insista em construir Angra 3. Para evidenciar isso, ativistas do Greenpeace promoveram na manhã desta segunda-feira, no Rio de Janeiro, um protesto em que manifestantes representando funcionários da Eletrobrás depositaram moedas gigantes nas 21 privadas de amarelo e preto na entrada da empresa estatal, responsável pelas obras da terceira usina nuclear brasileira.Uma faixa com os dizeres “Eletrobrás: economize já!, Nuclear, não” pedia que a instituição pare de desperdiçar recursos da União com Angra 3. Os manifestantes protocolaram na Eletrobrás uma carta explicando o motivo do protesto e exigindo que a empresa disponibilize ao público os dados oficiais do projeto de Angra 3. A manifestação marcou também o lançamento do relatório “Elefante Branco: os verdadeiros custos da energia nuclear”, que traz uma análise técnica da ginástica financeira utilizada pelo governo federal para apresentar Angra 3 como um projeto economicamente viável.
Em nome da segurança, obras de usina nuclear francesa são bloqueadas
24 de Junho de 2008 - Dirigível do Greenpeace sobrevoou as obras da usina nuclear Olkiluoto 3, na Finlândia, para expôr ao público os muitos problemas de segurança e financeiros do projeto.
Paris, França — Enquanto ativistas protestavam em Flamanville, dirigível anti-nuclear do Greenpeace sobrevoava EPR de Olkiluoto, na Finlândia.

Vinte ativistas do Greenpeace interromperam na manhã desta terça-feira o reinício das obras do Reator Pressurizado Europeu (EPR, na sigla em inglês), em Flamanville, bloqueando a entrada de três minas que fornecem areia e cascalho para a construção. A ação foi realizada porque nenhum dos problemas de segurança que obrigaram a paralisação da obra em maio foram resolvidos pelos responsáveis pelo projeto.Os ativistas do Greenpeace usaram correntes, cadeados e barris para bloquear a entrada das minas em Montegourg, Lieusaint e Doville, na Normandia, e abriu faixas denunciando a usina de Flamanville como grande farsa.
O EPR francês, que promete ser mais seguro, confiável e barato que os reatores construídos antes, tem enfrentando uma série de problemas de segurança e aumento dos custos. No dia 21 de maio, a Agência de Segurança Nuclear Francesa ordenou a interrupção na construção de Flamanville 3 após a descoberta de problemas crônicos afetando a qualidade da obra desde que o projeto foi iniciado em dezembro de 2007."Não concordamos com a retomada das obras, principalmente devido à qualidade do concreto usado nas fundações do reator, que foi questionada pela Agência de Segurança Nuclear.
Também queremos denunciar a farsa que a Areva e a Electricité de France (EDF) estão promovendo. O cronograma e o orçamento que a Areva e a EDF apresentaram são completamente irreais", afirma Yannick Rousselet, da campanha de Nuclear do Greenpeace França.Apesar de não ter conseguido resolver os problemas da obra, a EDF foi autorizada no dia 19 de junho a retomar as obras."A Agência de Segurança Nuclear, que ao ordenar a paralisação das obras do reator provou ser séria em seu papel de garantir a segurança, não deveria ter autorizado a retomada dos trabalhos em tais condições", diz Rousselet.
O que está acontecendo na França e na Finlândia, dois países europeus com parques nucleares consolidados, mostra que a indústria nuclear não superou os problemas de custos e segurança que são sua marca registrada há 60 anos", disse Rebeca Lerer, da campanha de energia do Greenpeace no Brasil.
"Imagine agora se o governo brasileiro, que quer licenciar Angra 3 e cogita construir outras 4 usinas nucleares em território nacional, terá capacidade de garantir prazos, custos e seguros da indústria nuclear nacional como promovem seus porta-vozes. O setor nuclear brasileiro é obsoleto e defasado, ancorado em idéias e projetos da década de 1970. É simplesmente inacreditável que o governo Lula invista bilhões para ressuscitar esse pacote de problemas. O Brasil não precisa de Angra 3."
Para o Greenpeace, investir recursos públicos em energia nuclear é transformar o dinheiro do cidadão em lixo radioativo, além de desviar o foco das reais soluções para a crise ambiental que o mundo atravessa. O Brasil pode alcançar sua segurança energética estruturando uma matriz em torno de energias renováveis como eólica, solar, co-geração de biomassa e, especialmente, um programa agressivo de economia de energia.
DIRIGÍVEL ANTI-NUCLEAR
Um dirigível do Greenpeace preto e amarelo, de 44 metros de comprimento e com uma mensagem em francês - "Non, Merci!" (não, obrigado) -, sobrevoou nesta terça-feira as obras de construção da usina de Olkiluoto, na Finlândia, para expôr ao público a baixa segurança nuclear e os defeitos do projeto, além do fracasso econômico do reator EPR - semelhante ao de Flamanville, em construção na França. O Greenpeace está compilando evidências dos problemas de segurança, complicações técnicas, atrasos nas obras e estouros de orçamento dos projetos EPR na Finlândia e na França para alertar outros países sobre os grandes riscos de se investir nesse tipo de reator nuclear.
Brasília e Angra dos Reis (RJ), Brasil — Baseado em parecer do renomado jurista José Afonso da Silva, Greenpeace entra com ação civil pública e mandado de segurança para barrar construção da usina nuclear. Medida judicial também foi tomada no TCU.
Para frear a retomada da aventura nuclear pelo governo brasileiro, fizemos ações para mostrar os perigos que Angra 3 oferece às pessoas e ao meio ambiente, relembramos tragédias como a do Césio 137 e Chernobyl, na Ucrânia, e mostramos por A + B que a energia nuclear não se sustenta financeiramente, por ser cara, ineficiente e depender de subsídios governamentais. Ainda assim, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) determinou, agosto de 2007, a construção da terceira usina nuclear brasileira. Chegou, portanto, o momento de ir à Justiça.

Baseado num parecer jurídico do advogado e professor José Afonso da Silva, especialista em direito constitucional, o Greenpeace entrou nesta terça-feira com uma ação civil pública e pedido de liminar na Justiça Federal contra a União, a Eletronuclear, o Ibama e a Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente do Rio de Janeiro (Feema) apontando a ilegalidade e inconstitucionalidade da autorização dada para a construção de Angra 3.
Entenda aqui a ilegalidade de Angra 3 e confira também o parecer do jurista José Afonso da Silva (arquivos em PDF para download).Para reforçar o pedido, impetramos ainda um mandado de segurança na Justiça Federal, em conjunto com o Partido Verde, contra a resolução número 3 do CNPE, que determinou a retomada das obras da usina.Uma terceira medida judicial foi iniciada pelo deputado Federal Edson Duarte (PV-BA), com assessoria técnica do Greenpeace.
Ele questiona no Tribunal de Contas da União (TCU) a validade do contrato para construção de Angra 3, firmado com a empresa Andrade Gutierrez em 1983.Em agosto passado, o Ministério Público Federal pediu a suspensão do licenciamento ambiental de Angra 3 por meio de ação civil pública, alegando que o processo está sendo feito de forma "açodada e atabalhoada, desrespeitando o devido processo legal e a transparência e participação da sociedade civil e instituições de fiscalização".
Em primeiro lugar, a construção de uma usina nuclear no Brasil depende de ato do executivo que a autorize. No caso de Angra 3, este ato do executivo é o decreto 75.870, de 1975, editado pelo então presidente militar Ernesto Geisel. Porém, o Greenpeace descobriu que tal decreto encontra-se revogado por outro decreto, s/número, de 15 de fevereiro de 1991 (DOU de 18 de fevereiro de 1991, Seção 1, página 3056), editado pelo então presidente Fernando Collor de Mello.
Ou seja, inexiste ato do executivo que autorize a construção de Angra 3, e desta forma, a resolução 3 do CNPE também é ilegal - já que uma resolução depende de ato do Poder Executivo para ser legítima.“Existem duas explicações possíveis: ou o governo do presidente Lula tinha conhecimento a respeito da revogação deste decreto de 1975 e escondeu o fato, ou, tão grave quanto, sequer soube que o decreto perdeu sua validade em 1991. É difícil dizer se é um caso de má fé ou incompetência”, afirma Beatriz Carvalho, advogada da campanha anti-nuclear do Greenpeace.
Em seu parecer, o professor José Afonso da Silva é taxativo: “... A decisão do governo federal de construir a usina nuclear de Angra 3 padece de dupla ilegalidade: falta um ato de autorização indispensável do presidente da República e, especialmente, falta a necessária aprovação do Congresso Nacional das iniciativas do poder executivo.”Caso o pedido de liminar da ação civil pública seja acatado, o processo de licenciamento ambiental de Angra 3, que foi retomado em abril de 2007, e todos os outros atos referentes às obras da usina estarão em suspenso até que seja julgado o mérito da causa.
Neste cenário, o processo de autorização de Angra 3 deverá recomeçar do zero: será necessário um novo decreto presidencial e a discussão e aprovação da pauta no Congresso Nacional. A ação do Greenpeace prevê multa diária de R$ 2 milhões por dia em caso de descumprimento da liminar pela União, Eletronuclear, Ibama e Feema. Em relação ao mandado de segurança, caso a liminar seja concedida, todos os atos determinados pela resolução do CNPE estarão suspensos.
“Se o governo Lula realmente quer investir bilhões de reais para ressuscitar a aventura nuclear brasileira, deverá não apenas cumprir a Constituição Federal, mas também assumir de vez a autoria de projeto tão polêmico e insustentável. Lula terá que arcar com o ônus de ser o primeiro presidente desde o regime militar a investir na construção de uma usina nuclear”, diz Rebeca Lerer, coordenadora da campanha de energia do Greenpeace. “Até agora, o governo está ignorando o Congresso Nacional e atuando de forma unilateral, escandalosa e irresponsável, tratando Angra 3 como fato consumado e conduzindo a decisão sobre construir uma usina nuclear como se fosse um posto de gasolina", afirma Lerer.
E MAIS:
São Paulo, Brasil — Em resposta ao IPCC, que reforçou em Paris a gravidade da crise climática global, propomos um Brasil com uma matriz energética sustentável e limpa. E damos o caminho das pedras.

No dia em que o IPCC divulga em Paris os dados que reforçam a preocupação geral em relação ao aquecimento global e os efeitos das mudanças climáticas em todo o mundo, apresentamos o relatório [R]evolução Energética – Brasil, um guia prático que mostra a viabilidade de se ter uma matriz energética limpa baseada em fontes renováveis – ventos, sol e biomassa – sem comprometer o crescimento econômico do país e contribuir para piorar o efeito estufa. Confira na apresentação em flash abaixo os principais pontos da [r]evolução energética proposta pelo Greenpeace:
Nossa conclusão é que o país pode crescer até 2050 impulsionado por fontes renováveis de energia e eliminar as fontes sujas – petróleo, carvão e nuclear . Para isso, é preciso uma estruturação do setor em torno da conservação de energia e políticas públicas de apoio a energias renováveis.
Os dados do relatório integram o capítulo brasileiro de um estudo global encomendado pelo Greenpeace e pela Comissão Européia de Energia Renovável (Erec) ao Centro Aeroespacial da Alemanha (DLR), um dos mais conceituados institutos de pesquisa na área de cenários energéticos. No Brasil, a parceria foi com o GEPEA (Grupo de Engenharia de Energia e Automação de Elétricas da Escola Politécnica da USP) para projetar os cenários de geração de eletricidade no Brasil. Por meio de um software, o relatório [R]evolução Energética apresenta cenários futuros para a geração e distribuição de eletricidade no país até 2050, com base em avaliações de aumento populacional, crescimento do PIB e fontes e tecnologias de energia disponíveis.
E não ficamos apenas no discurso. Durante o lançamento do relatório [r]evolução energética, inauguramos 40 painéis solares fotovoltaicos na sede da organização em São Paulo que captam a luz do sol e geram 2.800 watts. O sistema foi conectado à rede pública de energia e a ela repassará o excedente de energia gerado – o que não é permitido por lei. Praticamente, fizemos um ‘gato’ ao contrário: em vez de roubar energia do sistema público de energia, estamos devolvendo energia à rede.
A instalação deve suprir até 50% da demanda diária de eletricidade do escritório do Greenpeace. “Decidimos praticar este ato de desobediência civil para questionar o atual modelo de geração e distribuição de eletricidade”, explica Marcelo Furtado, diretor de campanhas do Greenpeace. “Em linha com a revolução energética que estamos propondo, acreditamos na descentralização da geração de energia e na criação, por meio de políticas públicas consistentes, e de um mercado de energias renováveis como eólica, biomassa, solar e pequenas centrais hidrelétricas, acessível ao consumidor final. Também vamos aplicar medidas de eficiência energética em nossa sede para demonstrar as vantagens econômicas da sustentabilidade”, afirma Furtado.
Leia mais:
Publicada em 23/07/2008 às 20h20m
BRASÍLIA - A licença ambiental prévia para a construção da usina nuclear Angra 3, no Rio de Janeiro, foi liberada nesta quarta-feira, junto com 60 exigências que a estatal Eletronuclear terá que cumprir antes de receber autorização para as obras. O documento foi assinado pelo presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Roberto Messias.
Ontem, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, havia anunciado que as exigências seriam "brutais". Entre as condições está a solução definitiva do tratamento do lixo nuclear, a criação de um sistema independente de monitoramento dos níveis de radiação, a realização de obras de saneamento básico dos municípios de Angra dos Reis e Paraty e a gestão do Parque Ecológico da Serra da Bocaina.
O Ibama exige que o empreendedor deverá iniciar a execução do projeto para disposição final dos rejeitos radioativos de alta atividade antes do início da operação da Unidade 3. O monitoramento da radiação deverá ser feito por uma fundação universitária ou empresa independente da Eletronuclear. Em 90 dias deve ser apresentado ao Ibama o relatório do monitoramento sísmico efetuado na região.
A empresa responsável pela obra também deverá investir até o limite de R$ 50 milhões em saneamento das cidades de Angra dos Reis e Paraty, ambas no Rio de Janeiro, e adotar o Parque Nacional da Serra da Bocaina, localizado na divisa entre os estados do Rio de Janeiro e de São Paulo, e construir a Estrada Parque da Bocaina, no trecho Paraty-Cunha.
A licença ambiental prévia exige ainda realização de projeto de educação ambiental, prevendo atividades de conscientização, para acabar com a pesca de arrasto e propor novas atividades pesqueiras. Também deverá conscientizar a população sobre a importância dos ecossistemas de mangues, restingas e Mata Atlântica. Os conteúdos e as estratégias didático-pedagógicas do Programa de Educação Ambiental deverão ser detalhados pelo empreendedor.
A empresa ou consórcio responsável pela obra também deverá apresentar os resultados dos estudos técnicos desenvolvidos pela Fiocruz sobre possíveis efeitos de radiação, em longo prazo, na população do entorno do empreendimento. Os postos de saúde de Mambucaba e Cunhambebe deverão ser beneficiados por meio de convênios. A população das áreas de influência do empreendimento deverá ser assistida por programas de inserção social. E devem ser elaborados programas de ações direcionados às populações indígenas e quilombolas, com a participação de seus integrantes. A usina nuclear de Angra 3 exigirá investimentos de R$ 7,3 bilhões e terá capacidade para gerar 1.350 megawatts.

Para Greenpeace exigências não compensam danos
Ativistas do Greenpeace protestaram diante da sede do Ibama em Brasília em repúdio à emissão da licença prévia para a instalação da usina nuclear Angra 3. Vestidos com roupas de segurança nuclear, eles fixaram na sede do Ibama um grande retrato do presidente da instituição, Roberto Messias, que dizia : "O Messias chegou e traz más notícias".
"Aprovar o projeto de construção de Angra 3 é um retrocesso para o país e uma vergonha para o Ibama, que deu aval técnico a uma desastrosa decisão política" - lamentou Ricardo Baitelo, da campanha de energia do Greenpeace. Segundo o Greenpeace, todas as compensações exigidas pelo Ministério, por mais benéficas que sejam, não compensam a instalação de mais uma usina nuclear na região. "A decisão é também uma afronta ao contribuinte brasileiro, que terá seu dinheiro investido na opção energética mais cara, perigosa e poluente sem ao menos ter sido consultado a respeito" - afirma Baitelo.
24/07/2008 - 09h 39m - A posição do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, conforme declarada por ele mesmo, de contra a energia nuclear, mostra como são as políticas estratégicas do país - elas não têm nada de estratégicas- são baseadas em convicções pessoais de políticos leigos em assuntos técnicos e mal assessorados. Dentre os países do grupo conhecido como BRIC, o Brasil é o único que não tem tecnologia nuclear e aspira ser potência.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

SANTOS QUER HISTÓRIA - I

SANTOS QUER HISTÓRIA - I

Paulo Matos

Santos quer história: a cidade que quer se credenciar como receptora de visitantes do turismo histórico pode, neste intuito, usufruir de alguns trechos restaurados ou quase na rua XV de Novembro - com seus postes de plástico imitando bronze e seus casarões destruídos, mas vá lá – serviram para a gravação de cenas de novelas globais, inclusive.

Mas o que dizer de uma cidade que maltrata o patrimônio, mas tem edifícios como o da Beneficência Portuguesa, de 1920? E os canais, iniciados em 1907 – quando se inaugurou o Canal 1 – e concluídos em 1925? Ajudamos a tombá-los e impedir aventuras que os destruíssem.

Vamos aproveitar o que for possível, até a sede do Sindicato dos Estivadores, na rua do mesmo nome lá no cais, que está caindo aos pedaços, antiga Escola Italiana. As construções antigas são como a identidade da cidade, reconhecida por seus moradores e visitantes por suas imagens.

Vai longe a primeira luta pela preservação em Santos, que tem como marco a resistência em ceder o Convento do Valongo à Estação Ferroviária da SPR, isso no fim dos anos 60 do século XIX – uma construção neoclássica. Vem de antes, dos primeiros anos de Santos, a casa do Trem Bélico. Que foi construída de 1640 a 1656, outros dizem em 1734 – junto ao Outeiro para guardar armas e outros “trens”, daí o nome.

E veja, o cais do porto só viria 25 anos depois, pressionado e exigido pela movimentação gerada a partir desta estrada de ferro. Antes esteve na Ponta da Praia, fundado pelo bacharel. Depois foi o “Porto do Bispo” no Valongo. E outro junto ao Outeiro de Santa Catarina.

O construtor da estrada de ferro que trouxe o café para Santos, no entanto, o Barão e depois Visconde de Mauá, cujo nome era Irineu Evangelista, tem um busto na Praça com seu nome. E nele se diz apenas que teve uma agência do Banco Mauá em Santos. Não se fala que ele, com sua estrada, fez com que esta fosse uma cidade, que não seria sem ele. Desprezo, como colocar a homenagem aos Gafrée e Guinle fundadores da Docas na Praça Barão do Rio Branco...

E o Casarão do Valongo, construído de 1865 a 1872 pelo Comendador Neto, que ía ser a sede do Governo Estadual se a Capital viesse para cá, como se comentou? Destruído, será restaurado, promete-se. Obra de 1865 foi sede da Câmara Municipal (1894-1939), a Câmara que governava a cidade até 1907 – quando foi criada a figura do Município. Temos a casa de João Eboli, construída em 1884 sobre a rocha e sobre o que restou do Outeiro de Santa Catarina – onde se originou a cidade, restaurada e sede da Fundação Arquivo e Memória.

SANTOS QUER HISTÓRIA - II

SANTOS QUER HISTÓRIA - II
Paulo Matos

A restauração do Coliseu foi importante, este que de 1897 a 1903 foi velódromo, de 1909 a 1923 era casa de espetáculos, de 1924 a 1993 teatro e cinema. Sua restauração foi vital para Santos correr atrás da história. Foi desapropriado pela prefeita Telma em 1992 e reinaugurado em 1996. Agora, a restauração do Theatro Guarany, de 1882, reinaugurado em 1911, palco da Abolição, é boa notícia e está em curso rápido.

A Câmara agora vai para o “Castelinho” dos bombeiros, de 1909 – uma obra gótico-renascentista -, ficando esta construção para o Museu Pelé se e quando o restaurarem. Foi o prefeito Justo que desapropriou em 1988 a Casa da Frontaria Azulejada, de 1869. Era um antigo terminal intermodal de frente para o porto e para a cidade que, do outro lado, tem os Casarões do Museu do Porto de 1902.

Mas a armadilha aos turistas é o grande número de praças com nomes trocados nas homenagens que ostentam: sabe o que tem na Praça Ruy Barbosa? O monumento ao "Padre Voador" Bartolomeu de Gusmão. E por aí vai, até deslocaram do Boqueirão o monumento Vicente de Carvalho impedindo o "Poeta do Mar" de olhá-lo. Crueldade.

O monumento de Vicente de Carvalho está hoje de costas para o que ele cantou... Mas a Ordem Primeira e Terceira do Carmo, na Praça Rio Branco, iniciada em 1599, vai ser restaurada. E o Escolástica Rosa de João Otávio, de 1907, se mantém como uma das mais importantes construções da praia.
Mas é especialmente interessante como a questão é tratada: depois de demolirem palácios na praia, como o Palace Hotel – que já foi cassino até 1947 -, construído por portugueses e inaugurado em 1910 e que foi o mais luxuoso do litoral, demolido para fazer o Universo Palace, sem tanta ou nenhuma arte arquitetônica.

SANTOS QUER HISTÓRIA - III

SANTOS QUER HISTÓRIA - III

Paulo Matos

Hoje colocam imitações em papelão das construções históricas, várias no José Menino. E a fachada de painéis na porta da Cidade Junina deste ano, na Portuguesa Santista, canal 1? É bela, mas triste. Significa o que derrubamos ou não conservamos.

Por exemplo, onde está o edifício Marajoara, o mais rico palacete da orla, de Godofredo Faria. E o Hotel Internacional, de 1895, que já se chamou de Grande Hotel do José Menino, demolido em 1959 e que deu lugar aos prédios na areia, além do Hotel Martini e Boa Vista. E o Santos Hotel de 1924.

Sim, temos apenas uma das Estações Elevatórias de Saturnino, agora protegida, na Vila Nova. Temos o casarão da praia que foi sede do Jockey Clube e moradia do deputado Rubens Paiva, sede do Clube XV e hoje da Caixa Econômica Federal. Temos a sede da Associação Comercial de 1930 e perto dela o prêmio de Arquitetura em Paris inaugurada em 1922, a Bolsa do Café – restaurada em 1999. A sede da Prefeitura, de 1839, está no espaço que já foi Horto Municipal.

A Bolsa do Café, tombada em 1981, fica ao lado do prédio particular mais antigo de Santos, na Rua Frei Gaspar e ao lado da Bolsa de Valores de 1925. O Centro Português no centro é atração e a Casa de Câmara e Cadeia. Obra do segundo Império, levou 30 anos para ser construída, de 1836 a 1866, na Praça dos Andradas (que tem o busto de Getúlio Vargas) foi restaurada há décadas.

Um vereador propôs demolir a Casa de Câmara e Cadeia. E eu protestei em artigo no Jornal A Tribuna, isso há 26 anos. Ele queria uma passagem reta no túnel. Ah, essa mania de linhas retas dos positivistas que significam o domínio sobre a natureza e a curva – como viu Niemeyer. O Panteão dos Andradas de 1923 é marca de Santos, de seu herói nacional.

Um espaço de festas, também na praia do José Menino, fez um castelo de imitação, procurando reaver a imagem perdida de Santos das construções históricas demolidas. Dos casarões do centro sem restauro, na lembrança do crime da demolição, nos anos 70, do Parque Balneário de 1914 no Gonzaga (que foi construído originalmente em 1900 por Julio Conceição, o mesmo do Parque Indígena do Boqueirão, cujo acervo de plantas povoou o Orquidário). E de sua substituição pós-moderna por um caixote de concreto escuro e anti-estético.
Temos o Centro Português, arquitetura manuelina, construído de 1898 a 1901 no centro. E a Vila Nova, junto ao Paquetá, que já foi o bairro mais moderno e "chique" de Santos - hoje com seus belíssimos casarões repletos de abandono e transformados em cortiços?

SANTOS QUER HISTÓRIA - IV

SANTOS QUER HISTÓRIA - IV
Paulo Matos

Falando de referências históricas nas construções de Santos e em sua arquitetura, alertamos para que a rica construção da época do café, em que funcionava a Faculdade de Filosofia da Unisantos – na Rua Euclides da Cunha - também está prestes a ser demolida. O que não pode acontecer com sua sede na esquina na Praça Benedito Calixto, que já foi palácio episcopal – um palacete da época áurea do café.

O Casarão onde está a sede da mantenedora é datado do final dos anos 20, construído em estilo eclético neoclássico, com escadaria feita de mármore carrara e vitrais de influência francesa. Foi projetada por um arquiteto alemão e idealizada pelo construtor Francisco de Assis Barbosa Loureiro (primeiro proprietário). Já abrigou a Mitra da Diocese de Santos e a Reitoria da UNISANTOS.

No Gonzaga, o Atlântico Hotel de 1928 permanece com suas formas sem as alegorias de época, mas que fique. A glamourosa casa da Áurea Conde, na Praça da Independência número 1, foi ao chão do dia para a noite, ao ameaçarem seu tombamento. Assim como a casa de Lydia Federicy no Canal 4, com seu imenso jardim. Anteriormente chamada de Praça Municipal e Praça Marechal Deodoro, o nome Praça da Independência foi oficializado em 16 de fevereiro de 1921 e entrou em vigor em janeiro de 1922.

Perto dali, conseguimos manter a estação de trens da Sorocabana, de 1938, na Avenida Ana Costa. Mas na reforma das calçadas levaram os históricos postes à óleo de baleia, eu vi sendo retirados para nunca mais voltar. O fato é que existem pessoas que não reconhecem o positivo mercado das referências históricas da cidade, que servem a ela e aos construtores.

Os construtores, em acordos com o Ministério Público, podem preservar as valiosas fachadas, ganhar espaço e lucrar com a memória. E valorizar a cidade com estas referências, o que resulta em ganhos para todos.

A Catedral de Santos, construída desde 1909 até 1951, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, a Capela de Nossa Senhora do Monte Serrat, o Museu de Arte Sacra – localizado no antigo Mosteiro de São Bento - são locais de referência religiosa.

SANTOS QUER HISTÓRIA - V

Santos quer história - V

Paulo Matos

E por falar em arquitetura religiosa, temos ainda a Igreja do Valongo, fundada pelos franciscanos, que é de 1640. A Igreja do Rosário de 1757, passou a ser a Matriz de Santos (1908-1924) - devido à demolição da antiga, resultado das obras de reurbanização na região da Praça da República -, até a construção da Catedral atual, iniciada na primeira década do século XX.

O conjunto do Carmo, com Igreja e Capela datadas de 1580 e 1760, respectivamente, é exemplo da arte barroca brasileira. A Catedral de Santos é outro ponto importante a ser visitado. Iniciada em 1909 e concluída na segunda metade do século XX, seu estilo neo-gótico é semelhante ao da Catedral da Sé, em São Paulo, ambas projeto de Maximiliano Hell.

E o que dizer da Capela de Santo Antonio do Embaré? E o que dizer da reprodução estilística do arquiteto espanhol da mágica Barcelona Antoni Gaudi, que nada tem de religioso, no então ousado e moderno Parque Verde Mar dos anos 50? Ninguém do nosso tempo viu – e nem eu – a monumental obra que era a Rotisserie Sportsman onde é hoje o Banespa/Santander da Praça Mauá. E é claro o Miramar, Centro de Diversões no Boqueirão, construído em 1896 e onde nasceu a Rádio Clube em 1924.

É muita história, mas que exige preservação. O centro da cidade tem casarões fantásticos de uma época em que se colocava o ano de construção, década de 10 e 20, se perdendo. São Paulo, Capital, fez uma lei autoritária, gerou protestos, mas que transformou seu visual – Lei “Cidade Limpa”. Barcelona fez uma reforma completa engajando todos os setores, no movimento “Barcelona, torne-se bonita” ou “Barcelona, posa`t guapa” . Todos ganhamos com este empenho. Ganham empresários da construção, ganham lojistas, ganham os trabalhadores, ganham os turistas, enfim. Vamos restaurar?

O BONDE DA HISTÓRIA - I

O BONDE DA HISTÓRIA - I

Paulo Matos

Eles estão de volta. Santos volta a ter bondes como diversas cidades européias e norte e latino-americanas. Macios, econômicos, não-poluentes, duráveis, aqui foram considerados ultrapassados. Atrapalhavam o trânsito. Não, era o trânsito que atrapalhava o bonde. O vereador Ademir Pestana os defende como transporte efetivo de massas. Sabe o que fala.

Eles carregam muito mais gente do que os carros. Não são velozes? E quem é veloz no engarrafamento? “Bota o retrato do velho, bota no mesmo lugar...”. Agora é o bonde, turístico como propomos em nosso livro de vinte anos atrás. Logo será o transporte oficial, por suas vantagens.

Que bobagem foi retirá-lo, suas linhas, cobrir seus trilhos que estão debaixo de onde estão colocando-os de novo. Ah, santo desperdício! Estão fazendo o mesmo com os trólebus, apagando-os da história, como se pudessem fazer valer vontades imediatistas e individuais imporem-se sobre o bem coletivo. O bonde, marca da cidade que está voltando, havia sido retirado sabe-se lá por que – o lobby do petróleo e da borracha -, com suas redes elétricas e seus trilhos, que estão sendo implantados de novo a que custo!

A cidade já teve a maior rede aérea de bondes da América do Sul em 1917, vejam, um transporte exemplar que fazia mudanças e atendia pedidos para festas, para levar e trazer os convidados. Foram instalados em Santos, puxados a burro, em 1871 - um ano antes de São Paulo. Santos foi a primeira cidade brasileira a fazer transporte de mercadorias por bondes.

Isso além dos bondes serem pontuais, confortáveis e atenderem à demanda de passageiros, em números e veículos quase iguais aos de hoje com a população multiplicada. O prefeito Oswaldo Justo, nos anos 80, tinha especial amor por eles e, em seu tempo, como vereador nos anos 60, lutou por sua manutenção e contra sua retirada.

Depois, prefeito em 1984, Justo me pediu um livro sobre eles, que fiz, lançado em 1987. Era sua memória e a da cidade. Mas Papa os traz de volta, como objeto turístico. Quando voltarão como transporte popular? Quando se cumprir o contrato de concessão do transporte coletivo e instalar os trólebus? Foi obscura essa retirada...